Financiamento - Dominando a ansiedade

Especialistas aconselham cautela na hora da aquisição de planos com prazos muito longos, como 60 ou 72 meses. Regras de transparência não são cumpridas por inteiro

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postado em 28/05/2008 12:13 Paula Carolina /Estado de Minas
Antes de concretizar o negócio de um VW Gol Trend 1.0, com pequena entrada e pagamento em 60 meses, a agente de viagens Camila Mesquita Teixeira comparou as condições oferecidas por diversos bancos, analisando a taxa de juros cobrada e o valor final da prestação. "Precisava do carro para trabalhar e de um prazo longo. Mas escolhi um de preço menor e com opção de financiamento dentro das condições que posso pagar", explica Camila, mostrando-se tranqüila com a dívida assumida por cinco anos. Ao analisar não somente o valor da prestação, mas os juros cobrados, e principalmente fazer uma comparação entre bancos, buscando a menor taxa, a agente de viagens fez certo na opinião de especialistas. Mas ainda há outro fator a ser analisado, o Custo Efeito Total (CET), informação obrigatória desde março, que ainda é pouco divulgada durante as negociações e nos anúncios publicitários.

"O consumidor não deve só ver se a prestação cabe no bolso. Aliás, esse deve ser o último item a ser considerado. A primeira coisa é exatamente comparar o custo da operação entre lojas e bancos, ou seja, as taxas de juros e tudo mais que será cobrado. E isso considerando o mesmo carro, com os mesmos opcionais", aconselha o diretor-executivo de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Carlos Alberto Ercolin. "Muitas vezes, o vendedor tenta nos convencer, dizendo que a poupança dá 0,6% ou 0,7% por mês, enquanto os juros pagos serão de 0,4%. Mas acaba não sendo só isso, pois há os penduricalhos acrescidos a essa taxa, como seguro, taxa de abertura de crédito (TAC)e outros, que não são mencionados. Muita gente não sabe calcular e acaba acreditando que, ao financiar num longo prazo, está fazendo bom negócio. Mas sai perdendo", acrescenta.

CET
Ercolin refere-se ao Custo Efetivo Total (CET), cuja divulgação é obrigatória desde 3 de março, devido à Resolução 3.517, de 6 de dezembro de 2007, do Banco Central. O CET é exatamente o cálculo da taxa final a ser cobrada, depois de acrescidos os tais "penduricalhos" como TAC, seguro e Imposto sobre Operações de Crédito (IOF), nos casos de financiamento por Crédito Direto ao Consumidor (CDC). E é a maneira mais fácil de comparar qual banco está oferecendo o melhor negócio.

Algumas concessionárias já têm procurado explicitar nas propagandas o preço à vista e o preço final do carro, quando parcelado, além do cálculo de toda a quantidade de juros que o cliente estará pagando até o fim do contrato (além do cálculo da taxa cobrada ao mês e ao ano). Mas raramente se vê menção ao CET. Além disso, as informações não são claras e vêm no chamado texto legal, com letras miúdas e ao término do anúncio. "Em quantas lojas você vê informação sobre o CET? Em pouquíssimas. Infelizmente, a lei ainda não pegou", enfatiza Ercolin.

A advogada Maíra Feltrin, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), lembra que o consumidor deve, ainda, ter em mente o preço à vista e a prazo para ter uma dimensão melhor do que vai pagar. "É sempre bom eleger o menor prazo de pagamento e, se der para comprar à vista, melhor. É preciso considerar também os outros gastos que virão com o carro, como IPVA, licenciamento, combustível, manutenção etc. Por isso, é preciso planejar bem para não comprometer a renda", alerta.

Inadimplência
Dados divulgados pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) mostraram que a inadimplência nos financiamentos de automóveis chegou a 3,31% em março, o que significou ligeira alta em relação ao mesmo período do ano passado (3,29%). Já dados do Banco Central indicaram inadimplência, no mesmo setor, de 7% entre janeiro e abril. Para Carlos Ercolin, não se trata de coincidência: "Ano passado, as propagandas incentivam a compra do carro financiado, dizendo que o consumidor só começaria a pagar depois do carnaval. O carnaval passou e a inadimplência aumentou". Para ele, o crédito é fato recente no Brasil e os prazos cresceram muitos nos últimos três anos. "Antes, os prazos máximos eram 36 ou 48 meses. Ano passado chegou a se falar em 99 meses. O que assusta é a velocidade com que isso aconteceu", pondera.

A coordenadora do departamento de economia da Fecomércio Minas, Silvânia de Araújo, que fez recente pesquisa sobre o endividamento do consumidor no estado, comenta que, embora a inadimplência no setor automotivo não tenha sido especificamente analisada, foi constatado que o nível de dependência do financiamento com veículos representa 10,4% do compromisso financeiro assumido pelo consumidor, o que é uma participação alta. No entanto, ela acredita que seja uma compra mais bem planejada, tendo em vista o valor do bem. "De qualquer maneira, a inadimplência é sempre um risco, pois pode acontecer no caminho alguma coisa que não estava nos planos e que comprometa o orçamento", observa. Mais uma vez, a dica é: avaliar os juros embutidos na operação e comparar.
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