Eixo do Stilo - Defeito ou batida?

Dois proprietários do médio da Fiat alegam ter sofrido acidente em decorrência de soltura da roda traseira. Montadora afirma que problemas foram causados por colisão

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postado em 28/05/2008 12:24 Paula Carolina /Estado de Minas
Stilo de Eden Mark perdeu a roda traseira esquerda, provocando grave acidente - Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais Stilo de Eden Mark perdeu a roda traseira esquerda, provocando grave acidente
Na véspera de Natal do ano passado, o professor Eden Mark Ribeiro de Sousa sofreu um sério e estranho acidente. Morador de São Sebastião, no Distrito Federal, ele ia para Unaí, na região Noroeste de Minas, a 580 quilômetros de Belo Horizonte, com seu Fiat Stilo 07/07, que estava com 17 mil quilômetros rodados. Em uma curva, a 30 quilômetros de Unaí, Eden perdeu o controle do carro, que capotou, segundo ele, depois de perder a roda (juntamente com o cubo) traseira esquerda. Ele estava sozinho, teve traumatismo craniano e perdeu a audição no ouvido esquerdo.

Veja como foi o videochat com a Fiat e comente sobre o assunto!

Dois meses depois, uma estranha coincidência: o autônomo Elion Alves Moreira, de Valparaíso de Goiás, cidade localizada no entorno do Distrito Federal, a 30 quilômetros de Brasília, também foi vítima de acidente, com perda da roda traseira do Stilo 07/07, porém do lado direito. "Chovia muito. Eu estava em uma reta, a 80 km/h ou 90 km/h, e fui fazer uma ultrapassagem. Quando joguei o carro para a esquerda, ele deu uma guinada e começou a rodar na pista. Subiu em um meio-fio e bateu num poste", conta, lembrando ter dado mais sorte, já que não se machucou.

Veja mais fotos de Stilos que supostamente tiveram problemas com o eixo traseiro!

Quebra
Nos dois casos, os motoristas acreditam ter perdido o controle do carro, depois da soltura da roda traseira, tendo havido uma quebra no eixo do veículo. Os carros foram levados para concessionárias Fiat e, de acordo com os proprietários, os eixos traseiros foram retirados para análise por peritos da marca. Elion Moreira ainda aguarda um retorno do fabricante. Eden Mark, porém, quatro meses depois do capotamento, recebeu resposta da Fiat, dizendo que o acidente teria decorrido de fator externo e não de defeito no eixo no carro.

"Eles se isentaram de responsabilidade. Mas ainda aguardo um retorno da Fiat, com o laudo. O pior é saber que investi um dinheiro alto nesse carro e a fábrica não me dá um tratamento com dignidade", diz. "Eles disseram que, se novos casos acontecessem entrariam em contato comigo para uma 'negociação'. Eu me pergunto: onde está a justiça brasileira? Quantas pessoas deverão se acidentar para que eles tomem uma atitude?", continua.

Fadiga
Conforme o ex-perito Fernando Campelo Marteletto, com formação em engenharia mecânica e direito e oito anos de experiência em perícia técnica de automóveis, somente testes apurados podem confirmar se há defeito no eixo do Stilo. No entanto, o relato dos dois motoristas sugere possibilidade de fadiga de material. "Pode ser ocasionada por falha no processo de usinagem ou por tratamento térmico inadequado da peça. Assim, gera-se uma trinca superficial, que se propaga, até que ocorre a ruptura do material. Todos os casos que vi de soltura de roda eram relacionados à fadiga", pondera.

"Para comprovar isso, são feitos alguns ensaios de material. Mas os donos dos carros têm o direito de pedir uma análise em laboratório independente, não aceitando somente o laudo da Fiat", observa. De acordo com Marteletto, a montadora é obrigada a devolver as peças que foram retiradas dos veículos para que os motoristas possam pedir nova perícia ou entrar na Justiça, se for o caso. Ele acrescenta que, do laudo apresentado pela fábrica, deve ser exigida uma fundamentação dos testes feitos para que possam ser confrontados com outra análise posterior.

Fiat
A montadora nega que haja problema de fadiga de material ou qualquer outra falha no eixo do Stilo e garante ter sido coincidência os dois acidentes, aparentemente parecidos. Segundo a Fiat, os dois casos foram analisados, chegando-se à conclusão que as rodas se soltaram depois da colisão, não tendo sido, obviamente, a causa dos acidentes. Ainda de acordo com a montadora, "conforme avaliação de relatório técnico, os danos havidos se originaram da aplicação de esforço excessivo sobre a suspensão traseira direita do veículo, ocasionando danos irreversíveis sobre o cubo de fixação da roda mencionada, não se evidenciando, portanto, qualquer falha de produto".

Classic e Montana também apresentam problemas estranhos. Leia mais sobre o assunto no Veja Também, no canto superior direito desta página.
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