Mito - Imaginação sem limite

Mesmo sem comprovação técnica ou científica de que o uso de telefone celular pode causar explosão em postos de combustível, recomenda-se não utilizá-lo durante o abastecimento

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postado em 31/05/2008 14:55 Caderno de Veículos /Estado de Minas
Aviso próximo à bomba reforça pedido de cuidados especiais para evitar acidente - Marlos Ney Vidal/D.A Press - 27/7/07 Aviso próximo à bomba reforça pedido de cuidados especiais para evitar acidente
João Montsserrat - Estado de Minas

Existem mitos que se tornam verdades e vice-versa. Parece ser o caso das recomendações expressas em postos de combustíveis sobre utilização de celular. É possível encontrar, até mesmo nos mais desconfiáveis, a determinação de que é proibido utilizar o telefone móvel durante o abastecimento. O certo, até então, é que não existe nenhuma comprovação técnica ou científica de que fazer uso do aparelho possa causar explosão, como é pregado, em duplo sentido, nos postos de combustíveis. Tal recomendação não é baseada em pesquisas e parte do pressuposto de que tal fato possa realmente ocorrer. Também não existem casos identificados de que realmente o celular fosse o provável causador de um incêndio ou explosão. É a realização prática de um dito popular bem conhecido: antes prevenir do que remediar.

Tal mito, inclusive, é o suficiente para que uma grande fabricante de telefones móveis, a Motorola, mantenha em seu site oficial, na seção "Motorola Responde", o tópico "Uso de celulares e rádios portáteis em postos de gasolina". No comunicado, a empresa afirma: "baseando-se em avaliações técnicas, não há nenhuma ocorrência comprovada em todo o mundo que indique que o uso de celulares e rádios portáteis cause incêndio ou explosão em postos de gasolina". Mesmo assim, a fabricante prega o respeito a locais em relação ao uso de aparelhos eletrônicos nos locais de abastecimento. No site oficial da Shell do Brasil, na seção notícias e publicações, em incidentes com celulares, existe comunicado semelhante, em que a empresa afirma que "adotamos conduta de precaução. A orientação para empresas do Grupo é que equipamentos que funcionam com baterias (como alguns tipos de celulares), que não tenham sido testados e classificados como intrinsecamente seguros, não devem ser utilizados em local em que seja possível a presença de gases inflamáveis, o que inclui os pátios de postos".

Exagero
Segundo Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas - , a orientação é um exagero por parte das autoridades responsáveis pela determinação. "Essa história é absurda. Existe probabilidade de acidente em qualquer lugar. Em relação à radiação magnética proveniente do aparelho celular, não existe risco algum", afirma. Knobel destaca ainda que em outras circunstâncias é possível, porém improvável, um incêndio ou explosão em postos de combustível e que, mesmo assim, as chances de acontecer são ínfimas. "O que poderia acontecer é o celular cair e soltar a bateria, aí provocaria uma faísca, mas a probabilidade de acidente ainda é muito pequena", diz.

Tagarela
Marcelo aponta quais seriam as prováveis causas para ocasionar acidentes envolvendo a utilização de telefones móveis em postos de combustível. "No caso de abastecimento recente de gasolina e que ainda tenha vapor na região da tampa, ou caso exista uma poça de combustível acumulada no piso do posto, e se o celular cair e a bateria se soltar, provocando uma faísca, poderia acontecer um acidente, mas a probabilidade é muito pequena." Knobel diz também que existe, em outros casos envolvendo a utilização de celular, uma probabilidade muito maior de acontecer uma tragédia do que sua utilização nos postos de combustível. "Vejo que em termos de probabilidade de acontecer um acidente, o uso indevido no trânsito, por exemplo, é muito mais perigoso do que utilizá-lo durante o abastecimento", finaliza.
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