Eixo do Stilo - Fiat não aceita acordo

Em audiência realizada no Procon-DF, montadora refuta proposta de consumidora, afirmando não haver defeito no carro que provocasse soltura da roda antes de acidente

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postado em 25/06/2008 15:42 Paula Carolina /Estado de Minas
Renato Parizzi/Portal Vrum - 15/06/08
Camilla Shinoda

Brasília - Uma segunda audiência de conciliação do processo aberto pela guia turística Carla Barbosa, de Sobradinho (DF), contra a Fiat Automóveis aconteceu ontem (24/06), a pedido da própria montadora. A guia turística sofreu um acidente com o Fiat Stilo Sporting 07/07 em fevereiro deste ano, enquanto voltava de viagem para Fortaleza com o marido e suas três filhas. O acidente, supostamente, teria ocorrido devido a soltura da roda traseira esquerda do automóvel, na BR-242. Uma das filhas de Carla sofreu traumatismo craniano, mas se recuperou sem seqüelas.

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Uma primeira audiência de conciliação já havia ocorrido sem que nenhum acordo fosse firmado. Segundo a reclamante Carla Barbosa, a Fiat declarou que não se considerava culpada pelo acidente. "Foi um descaso total. Durante essa primeira audiência, eu, na minha ingenuidade, só estava pedindo o ressarcimento do carro e dos gastos que tive com hospital devido ao acidente", conta. "Mas a Fiat alegou que não pagaria, pois não se considerava responsável pelo acidente. Que tudo havia acontecido por má conduta do motorista e não por falhas mecânicas", afirma a guia turística.

Veja mais fotos de Stilos que supostamente tiveram problemas com o eixo traseiro!

Antes de entrar na audiência, a reclamante reforçou a revolta: "Fico muito triste com tanto descaso. Este é o meu 12º carro da Fiat. Acho que eles deveriam ter um pouco mais de respeito com o consumidor, mas só se preocupam com a própria imagem". Ao final do processo, a reclamante não quis falar com a reportagem.

Sigilo
O Procon-DF também não quis passar informação, dizendo que teria havido um acordo de sigilo entre as partes. De acordo com o presidente do Procon-DF, Peniel Pacheco, enquanto o processo estiver tramitando no âmbito do Procon, não é público e, portanto, não há nada de errado no não-repasse de informações. "Estamos fazendo isso para proteger a consumidora, já que houve um pedido formal dela de não-divulgação das informações", afirma.

Já a assessoria de imprensa da Fiat informou que houve uma proposta de acordo, com alta quantia exigida, mas foi refutada pela montadora, que tem plena certeza de não haver defeito mecânico no carro, capaz de ter provocado o acidente. Ainda assim, foi estipulado um prazo de 48 horas para as partes pensarem e voltarem a se reunir.

Acidentes
A possibilidade de defeito no Stilo veio à tona depois de matérias publicadas pelos cadernos de veículos do Estado de Minas, do Correio Braziliense e pelo Portal Vrum (leia as matérias no Veja Também, no canto superior direito desta página), com relatos de cinco motoristas que sofreram acidente em que houve soltura da roda traseira do Stilo. Em todas as situações, havia uma dúvida acerca de a roda ter soltado e provocado o acidente. Atualmente, já são 13 os relatos de proprietários de Stilo (com quatro mortes), que passaram pela mesma situação.

Chama a atenção que a maioria dos motoristas diz ter perdido o controle repentinamente do carro que roda na pista, antes de colidir com algum obstáculo no acostamento ou canteiro central. Muitos dizem ter ouvido barulho na roda traseira antes do acidente e, estranhamente, quase todos os carros tinham acabado de passar por revisão em concessionária autorizada. Também chama a atenção a quilometragem baixa - o mais rodado com 25 mil quilômetros - e o fato de grande parte dos acidentes ter acontecido em trechos de estrada bem pavimentada, em retas e durante o dia.

Explicação
Para a Fiat, no entanto, não há dúvidas de que a roda só quebra depois de bater em algum obstáculo. Segundo a montadora, foram analisados cinco veículos Stilo acidentados em que houve soltura de uma das rodas traseiras. Um extenso material, em que prova que a roda só quebra depois de bater, foi elaborado pelo gerente de engenharia de experimentação integrada da montadora, José Guilherme da Silva, que é categórico ao garantir que, pelo menos nos casos analisados, não foi constatada nenhuma falha. Ele refuta a possibilidade de fadiga de material, explicando os três tipos de fratura que podem ocorrer num componente: "Se for por estrias, indica fadiga; se for transgranular, é frágil; ou pode ser dúctil, que indica ter havido sobrecarga, e foi a encontrada nos casos analisados. Ou seja, houve uma força externa muito grande que fez com que rompesse". De acordo com o engenheiro, que baseia seu parecer em exames metalográficos, foram também feitos diversos testes e simulações com o veículo e nenhuma anomalia foi constatada.

Vibração
Há pouco mais de um mês, em Santa Catarina, uma estranha coincidência. O empresário Antônio Bona Filho conta que o pai, Antônio Bona, perdeu o controle do Stilo 1.8 07/07, batendo duas vezes no canteiro central. "Meu pai tem 53 anos e não anda em alta velocidade. Ele conta que sentiu uma vibração e depois o carro desgovernou. Como estava chovendo, num primeiro momento pensou-se em aquaplanagem, mas, depois, vendo os croquis da Polícia Rodoviária Federal, o local era uma subida em que a água não poderia ter acumulado. Além disso, eu já tinha a idéia de falha mecânica. No mesmo dia, pouco antes do acidente, eu estava no mesmo carro e senti que deu uma 'dançada'. Até pensei que o pneu pudesse estar vazio", conta. A roda que soltou foi a traseira esquerda e, segundo Antônio, há relatos de testemunhas que a viram 'pular' do carro.

O relato de Antônio levanta outra dúvida: se não há problema na roda, por que todos os motoristas perdem, subitamente, o controle do veículo?

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