Volante - Por que alguns descascam?

Desgaste ou esfarelamento acontece em automóveis de diversas marcas, mas número de casos com modelos Fiat é maior. Especialista explica como pode ocorrer o problema

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postado em 09/07/2008 19:00 Paula Carolina /Estado de Minas
Esfarelamento é comum na manopla da alavanca de câmbio de diversos modelos - Maria Tereza Correia/EM/D.A Press-21/12/07 Esfarelamento é comum na manopla da alavanca de câmbio de diversos modelos
O problema de esfarelamento prematuro do volante e, em alguns casos, também da manopla da alavanca do câmbio, em veículos Fiat, foi tão evidente que obrigou a montadora a trocar as peças em garantia durante muito tempo. O desgaste atingiu principalmente modelos Uno e da linha Palio, fabricados entre janeiro de 2001 e abril de 2003. Desde o fim do ano passado, no entanto, independentemente do período citado, muitos clientes não mais tiveram seus volantes trocados. A explicação da montadora era o fato de o carro não estar no período de garantia e não terem sido realizadas adequadamente todas as revisões previstas no manual do proprietário.

Por mais estranha que possa parecer - já que as revisões, normalmente de componentes mecânicos, nada têm a ver com o desgaste do material do volante -, a resposta passou a ser adotada por outras marcas. Durante os últimos meses, Veículos recebeu reclamações de proprietários não só de modelos Fiat, mas Ford, Volkswagen, Renault e Peugeot, também com o volante e/ou manopla do câmbio esfarelando.

Fora
Com um ano e meio de uso, o eletricista Wander Santos Palheiros notou que o volante do Ford Fiesta Street 05/05 estava descascando. Ele tentou diversos contatos com a montadora por meio da concessionária autorizada e serviço de atendimento ao cliente, sem sucesso. Finalmente, a resposta da fábrica, depois de contato pela imprensa: "O veículo está fora do período de garantia, há um ano e sete meses".

Posição um pouco diferente teve a Renault. O bancário aposentado Gilberto Poncio Vita teve o mesmo problema com um Clio 1.0 16V 03/03. O volante começou a descascar em 2006 e a resposta inicial foi a mesma. "Alegaram que o volante só teria garantia se as revisões tivessem sido feitas em concessionária. Não consegui entender o que tinha a ver o volante com a revisão", diz. Depois do contato com a imprensa, porém, a Renault decidiu trocar o volante, sem ônus para o bancário.

Na promessa, está a decisão da Volkswagen, em relação ao Gol do advogado Bernardo César Coura. Ele tem um Gol 1.6, ano 2004, cuja manopla da alavanca do câmbio está descascando. Além desse, o carro apresenta outros problemas e a montadora já respondeu ao advogado, que deve levar o veículo a uma concessionária autorizada para análise dos itens reclamados. Bernardo também já teve uma picape Fiat Strada 2001, que apresentou desgaste no volante, há dois anos. Mas a montadora não o trocou.

Como também não trocou a manopla do câmbio e o volante do Palio 2003 da atendente Flávia Borges dos Santos. Em fevereiro, ela foi a uma concessionária pedir a troca, negada pelos mesmos motivos: "O veículo está fora da garantia, não tendo visitado a rede de concessionárias Fiat para serviços ou eventuais revisões. O desconhecimento de seu histórico nos impede de atender a cliente sem ônus". Já a negativa para troca do volante do Peugeot 206 04/05 da psicóloga Mayra Carvalho foi o tempo de uso.

Justificativa
A Fiat, mais atingida pelo esfarelamento, diz que a causa foi uma troca do material usado, na época (a maioria dos problemas começou em 2001), por um que não é poluente, mas que teria gerado o desgaste prematuro. A montadora assume a falha e lembra que diversos volantes foram trocados em garantia. Mas afirma que atualmente o problema não ocorre mais. Sobre o fato de a substituição não mais estar sendo feita em garantia, diz que cada situação está sendo analisada separadamente.

Ford e Renault disseram que não têm registros desse tipo de reclamação que sejam representativos, o que não indica problema crônico. O mesmo informou a Peugeot, acrescentando que teria que ser feita uma análise caso a caso. Em relação ao carro da psicóloga Mayra Carvalho, a dúvida estaria no fato de ela não ter sido a primeira proprietária do veículo, sendo difícil diagnosticar o tipo de uso do dono anterior.

Já a Volkswagen disse que não trabalha com fornecedores únicos e que teve conhecimento de alguns casos de consumidores relatando a questão de esfarelamento da manopla. Todos, segundo a montadora, teriam sido atendidos dentro do prazo de garantia, depois de feita uma análise que não denotasse mau uso. Veículos também tentou apurar com os fornecedores (não é o mesmo para todas as marcas citadas), que preferiram não falar sobre o assunto.

Qualidade
O engenheiro Giovani Borgomoni, do comitê de veículos de passeio do Congresso Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE), diz que esse tipo de esfarelamento não é comum e, normalmente, decorre de problema de qualidade do material. Normalmente, os volantes são revestidos por polipropileno ou PVC. Borgomoni desfaz alguns mitos e desculpas usadas pelas montadoras.

Sol: o material usado nos volantes atualmente já tem proteção contra os raios ultravioletas que também é encontrada no próprio vidro do carro. Logo, o carro ficar exposto ao sol não acarreta esfarelamento do volante. Suor: Borgomoni explica que o suor das mãos, por conter ácido úrico, dependendo do material, e aliado ao atrito constante com o volante (e/ou manopla do câmbio), pode provocar desgaste. Mas lembra que, justamente para evitar isso, diversos testes são feitos antes de o produto entrar no mercado. Tempo de uso: como qualquer peça, o volante pode, sim, desgastar por tempo de uso. No entanto, não há possibilidade de esfarelamento. "O volante de um carro com 100 mil quilômetros pode ir ficando esbranquiçado, mas não ocorre perda de material. O desgaste é diferente", enfatiza.

Reação
O vilão que, de fato, pode provocar desgaste, detonando o chamado mau uso, é o silicone. Segundo o engenheiro, alguns tipo de silicone, usados para limpeza do volante, contêm álcool: "O volante fica preto, bonito, mas, em reação com o suor, pode gerar microtrincas e conseqüente perda de material, que é o esfarelamento". O aconselhável seria usar emulsão de silicone, que não contenha álcool, ou, simplesmente, pano úmido e detergente neutro, se for o caso. Já para limpeza dos volantes de couro, ele lembra que há produtos específicos para sua hidratação. Depois de iniciado o processo de esfarelamento, Borgomoni diz que é difícil interrompê-lo. A melhor maneira de cuidar é a limpeza constante, somente com pano úmido. Ou colocar capa protetora.

Em relação à troca de material justificada pela Fiat, o engenheiro diz que, realmente, vem sendo trocado o tipo de gás usado pelos fabricantes de volante, em geral, que é injetado na composição do volante. Antigamente, o gás usado agredia a camada de ozônio.

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