Segurança - Crescendo com o pé no freio

Brasil comemora um ano da fabricação nacional do ABS. Pouca oferta nas versões de entrada, preços altos e venda casada ainda impedem popularização desse equipamento

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postado em 18/10/2008 12:32 Caderno de Veículos /Estado de Minas
Testes realizados apontam que veículo com freio antiblocantes têm sua distância de parada reduzida em cerca de 20%, em asfalto seco, e 23%, no molhado - Fotos: Bosch/Divulgação - 11/05/06 Testes realizados apontam que veículo com freio antiblocantes têm sua distância de parada reduzida em cerca de 20%, em asfalto seco, e 23%, no molhado
O Brasil completou em agosto um ano da fabricação nacional do freio ABS (sistema antibloqueio de rodas), com poucos motivos para comemorar. A nacionalização do produto deveria reduzir seu preço, uma das principais justificativas da tecnologia ser tão pouco difundida no Brasil, mas até agora pouca coisa mudou. De acordo com a Bosch, que fabrica o equipamento de segurança na cidade paulista de Campinas, os preços ao consumidor final foram reduzidos. Segundo informações da fábrica, antes da nacionalização, era comum encontrar o ABS disponível a um preço aproximado de R$ 3 mil, como item opcional. Já agora, ainda de acordo com a Bosch, em muitos casos, o ABS passou a ser oferecido em pacotes que incluem o airbag, por cerca de R$ 2.800.



O comportamento dos fabricantes de automóveis torna difícil avaliar se o equipamento ficou mais acessível ao consumidor. O exemplo mais parecido com o cenário desenhado pela Bosch é o da Fiat. A marca italiana oferece o ABS, junto com o airbag, no kit HSD (High Safety Drive), por R$ 2.986. Com a exceção do Mille e da Fiorino, a Fiat oferece o freio ABS para todos os veículos de sua linha. O equipamento pode ser instalado na versão de entrada do Palio Fire, que tem preço básico sugerido de R$ 26.790. Curiosamente, a Fiat ainda não usa o ABS nacional em seus modelos.

Com o lançamento da nova geração do Gol, a VW disponibiliza o ABS como opcional já na versão 1.0 Total Flex, que custa (básico) R$ 29.240, por R$ 2.980. O novo Gol não tem disponível o pacote com ABS, airbag e EBD (controle de estabilidade) que equipa o Polo e é vendido por R$ 2.900. No caso do Gol, quem quiser o airbag terá que pagar mais R$ 2.215. A Volks já usa o ABS nacional.

Kit
Os exemplos aceitáveis terminam aqui. A Renault até oferece o ABS, num kit que ainda traz airbag frontal e volante em couro, por um preço normal: R$ 2.900. O problema é que o equipamento só está disponível a partir do Sandero Privillège 1.6 16V, que, sem este kit, custa R$ 45.240. Situação parecida é da Peugeot, que não disponibiliza ABS como opcional, mas só oferece o equipamento a partir da linha XS com câmbio automático do 207, que custa RS 48.800.

No caso da GM, a Montana Sport 1.8 é o veículo mais barato que traz o ABS. Sua versão mais simples custa R$ 48.170, mas, quando equipada com ABS, airbag e controle elétrico dos retrovisores, seu valor sobe para R$ 54.559, o que significa que esses equipamentos custam R$ 6.389. O exemplo da Ford também é "salgado". Para adquirir o modelo mais acessível, no qual está disponível, o Fiesta Hatch 1.6, o cliente terá que levar vários outros itens. O ABS está disponível apenas no último kit de opcionais, que custa R$ 4 mil. E, para levar este Kit Segurança (com ABS, airbag e bancos e volante em couro), o cliente ainda precisa levar os kits My Connection, Class e Pulse. No final, o Fiesta Hatch 1.6 sai por 47.810.
Veículos sem ABS não consegue desviar de obstáculo durante o teste porque, com as rodas travadas, o motorista perde o controle da direção - 22/09/2005 Veículos sem ABS não consegue desviar de obstáculo durante o teste porque, com as rodas travadas, o motorista perde o controle da direção

Gradativo
Apesar das dificuldades, o consumidor tem se conscientizado a respeito da importância desta tecnologia. No último ano, 15% de todos os veículos licenciados no Brasil estavam equipados com o sistema, um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2006. De acordo com Carlo Gibran, gerente de marketing da unidade Chassis Systems Control da Robert Bosch América Latina, devido ao forte crescimento de vendas, este aumento de dois pontos percentuais significa um volume adicional de 100 mil carros com ABS no mercado.

Para 2008, no Brasil, a previsão também é positiva. Uma pesquisa realizada pela Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária) revela um salto no número de modelos que oferecem o ABS de série ou como opcional, que passou de 56%, no ano de 2007, para 61%, em 2008. Esta mesma pesquisa mostra que o número de modelos que trazem o equipamento de série cresceu 14%, em 2007. "Esse aumento do número de ofertas ao consumidor é um bom indicativo de que a taxa de instalação também deve subir até o final do ano", analisa Gibran.

Pesquisa
A Bosch divulgou uma pesquisa que dá uma idéia da distribuição do equipamento de segurança em alguns segmentos. O maior crescimento nas instalações do ABS, 48% em 2007 contra 42% em 2006, está no segmento dos compactos (hatches e médios). O estudo aponta que no segmento dos sedãs grandes, premium e luxo o ABS já se tornou um equipamento de segurança essencial para todos os novos veículos. Como era de esperar, em 2007 apenas 3% dos veículos pequenos e populares estavam equipados com ABS. A pesquisa do Cesvi mostra que 39% dos modelos desse segmento, que responderam por 82% das vendas em 2007, não oferecem esse equipamento nem como opcional.

Da produção mundial de automóveis em 2007, 76% tinham o ABS instalado. O equipamento é considerado como item obrigatório em todos os veículos novos da Europa. Nos Estados Unidos e Japão, o ABS já é considerado um item de série. Na China, que, assim como o Brasil, é considerado um mercado emergente, a taxa de instalação do ABS está em 64% dos veículos novos.

Como funciona?
O freio ABS impede que as rodas travem no decorrer de uma frenagem de emergência, permitindo ao motorista continuar com o controle da direção, além de reduzir significativamente a distância de parada do veículo.
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