Acessórios - Rodando duro

Adoção de rodas com aros grandes exige o uso de pneus de perfil baixo. Especialista diz que opção gera maior transferência das imperfeições do piso para o habitáculo

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postado em 29/11/2008 16:39 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
amaro da década de 1960 usa mais borracha que metal, enquanto a deste século tem muita roda e pouco pneu - Pedro Cerquiera/EM/D. A Press amaro da década de 1960 usa mais borracha que metal, enquanto a deste século tem muita roda e pouco pneu
O modismo dos rodões está tão consolidado que modelos que só aparentam esportividade são equipados de série com pneus de perfil baixo. E, como era de se esperar, o SEMA Show, evento americano de tuning, mostrou desde o maior modelo disponível no mercado (com aro de 32 polegadas que só cabe no Hummer) até uma gigantesca roda aro 42, além de pneus com 3 metros de altura. No Brasil, o máximo que o comprador vai encontrar é o aro 24. Enfeitar o carro com esse conjunto não sai barato. Um jogo de rodas nessas medidas custa em média R$ 10 mil e, como o carro não pode andar apenas com as rodas, é preciso instalar pneus de perfil baixo, necessários para manter o diâmetro original do carro, que custam R$ 2.800 cada um.

De acordo com Junio Maldonado, da Polimarcas, as rodas que têm mais saída são as de 17 polegadas, bem mais acessíveis: R$ 2.300 em média, além dos pneus que custam R$ 400 cada um. O vendedor explica que, em alguns casos, é necessário fazer ajustes na caixa de roda, suspensão, eixos e até na própria roda, caso o automóvel não comporte o diâmetro das novas rodas.

Por essa razão, vale consultar o artigo 8º da Resolução 292 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que proíbe a utilização do conjunto roda/pneu que ultrapassam os limites externos dos pára-lamas do veículo, o aumento ou diminuição do diâmetro externo do conjunto roda/pneu e a alteração das características originais das molas do veículo, assim como a modificação dos dispositivos da suspensão. Para fazer qualquer alteração que não esteja na lista de modificações permitidas, anexa à Resolução 292, deve-se procurar o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) para conseguir uma autorização e depois se dirigir a uma empresa credenciada pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) ou Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) que vai atestar se as modificações pleiteadas estão dentro da lei.
Pneus de perfil baixo são vulneráveis a buracos. Roda de carro de boi lembra as de modelo esportivo, com apenas uma cinta cobrindo o disco como essa transparente nem parece ter pneus, mas apenas revestida por camada fina de borracha - Pirelli/Divulgação - Jackson Romanelli/EM/D.A Press - 10/10/08 - Forgiato/Divulgação Pneus de perfil baixo são vulneráveis a buracos. Roda de carro de boi lembra as de modelo esportivo, com apenas uma cinta cobrindo o disco como essa transparente nem parece ter pneus, mas apenas revestida por camada fina de borracha

Fabrício Pujatti, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais, explica que os pneus de perfil baixo têm a desvantagem de transferir com mais intensidade as imperfeições do piso para interior do veículo. "Isso acontece porque esses pneus são mais estruturados (leia-se mais rígidos) e sofrem menor deformação das bandas de rodagem. Por outro lado, diz o professor, essas características proporcionam mais estabilidade ao veículo nas curvas. Nossas estradas não têm condições de pavimentação para esse tipo de pneu", diz Pujatti, que ainda alerta que o risco de esses pneus danificarem é maior porque a distância de deformação entre a roda (que é o que corta o pneu) e o asfalto é menor, causando a compressão do piso contra a roda.

Ao trocar as rodas aro 14 de seu Astra por outras de 17 polegadas, com pneus mais grossos e de perfil menor do que os originais, o técnico em telecomunicações Juliano Camargos constatou a mesmas mudanças explicadas pelo professor. Camargos, que também notou um ligeiro aumento no consumo, disse que a mudança acrescentou cerca de 3 centímetros à altura do seu carro. De acordo com ele, a troca não foi preciso alterar outros componentes do carro.

Evolução
As primeiras rodas que surgiram eram raiadas e de madeira, muitas vezes com a superfície de rolamento e o cubo reforçados por aros metálicos. Com a invenção do processo de vulcanização da borracha, por volta de 1943, começa a montagem de anéis de borracha maciça em lugar do aro metálico. Os pneumáticos foram adotados apenas nas primeiras décadas do século XX, apesar de sua produção ter sido iniciada em 1885. As rodas de raio metálico datam do início da década de 1910. Em seguida foram produzidas rodas integralmente metálicas. As primeiras rodas a disco surgiram por volta de 1914. Hoje, as rodas são formadas por um arco metálico cônico, assim forjado para suportar melhor as solicitações transversais, parafusados na sede.

As rodas dos carros do passado tinham grandes diâmetros para reduzir a sensibilidade às irregularidades das estradas precárias da época. A melhoria na pavimentação das estradas possibilitou a redução do diâmetro das rodas, que encontrou limites na capacidade de carga dos pneus e nas dimensões dos freios. A adoção dos freios a disco, menores que os de tambor, permitiu a redução no diâmetro do aro e a conseqüente adoção de pneus de seção maior. Outro fator determinante na escolha do diâmetro das rodas é o peso do veículo. Quanto maior o diâmetro da roda, maior será a superfície da área de contato com o solo e, simultaneamente, a carga suportável.
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