Óleo - Sai mineral, entra sintético

Motores que trabalham em altas rotações e em condições severas exigem lubrificante específico para evitar problemas graves, como a formação de borra. Tire as dúvidas

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 10/01/2009 16:06 Enio Greco /Estado de Minas
Durabilidade do motor depende do uso do lubrificante com especificações corretas - Baluarte Assessoria/Divulgação Durabilidade do motor depende do uso do lubrificante com especificações corretas
Não é raro encontrar pessoas com dúvidas na hora de trocar o óleo do motor do carro. A maioria não sabe sequer quais as especificações e o tipo de lubrificante que deve ser usado, informações que certamente estão no manual do proprietário. Mas, além das incertezas, existem os mitos que confundem ainda mais o consumidor. Para esclarecer algumas destas questões, Veículos ouviu um especialista no assunto, Remo Lucioli, da Inforlub, empresa de consultoria e desenvolvimento na área de lubrificação. Ele explica, entre outras coisas, por que o óleo sintético vai tomar o lugar do mineral.

Para explicar de forma mais clara a importância do o uso correto dos lubrificantes, Remo remete aos anos 1980, quando ocorreu significativo aumento na produção mundial de veículos automotores. Devido a esse fato, governos e organizações ambientalistas propuseram mudanças, com a finalidade de diminuir os efeitos poluentes provocados por esses veículos.

A medida paliativa veio na década de 1990, quando começaram a ser produzidos os motores que trabalham em regime de alta rotação, com elevadas taxas de compressão, proporcionando economia de combustível e redução da emissão de poluentes. Esses propulsores passaram a ser usados em larga escala na Europa, Ásia e América do Sul. No mercado norte-americano prevaleceu a preferência por motores de altas potência e cilindrada e baixa rotação, posição que já está sendo revista.

Remo explica que os motores modernos são ecologicamente corretos, pois transformam energia cinética em torque. "Trata-se de uma energia limpa, que não polui o meio ambiente, diferentemente da energia obtida pela queima de combustíveis fósseis", afirma. O problema é que, para obter esses bons resultados, os propulsores modernos trabalham em altíssimas temperaturas (cerca de 600 graus na câmara de combustão), exigindo um lubrificante adequado, que suporte tais condições sem sofrer alterações profundas em sua composição. Com base nessas informações, fica mais fácil esclarecer algumas dúvidas.

Motores modernos que trabalham em altas rotações e temperaturas exigem períodos reduzidos de troca de óleo?
Sim. As próprias montadoras já recomendam trocas a cada 7 mil ou 5 mil quilômetros. Com as temperaturas elevadas dos motores, os lubrificantes sofrem alterações em suas características e com isso devem ser substituídos no período recomendado pelo fabricante.

Quais detalhes devem ser observados na troca de óleo?
Primeiramente, é preciso usar o óleo com as especificações recomendadas pelo fabricante do carro. Os motores modernos usam lubrificantes com viscosidade mais fina, como 5W30 ou 10W40. Isso ocorre porque esses propulsores têm folgas maiores entre as partes móveis, para compensar a dilatação quando estão aquecidos. Para ter uma ideia, no motor Zetec RoCam, da Ford, a bomba de óleo injeta 23 litros em apenas um minuto. Se o lubrificante for mais grosso, haverá dificuldade de bombeamento e a lubrificação não será adequada. Por isso é importante o uso de óleos mais finos.

Com as trocas de óleo em períodos reduzidos, pode-se usar óleo mineral, que é mais barato, em vez do sintético?

Segundo Remo, os motores modernos exigem o uso obrigatório de óleo sintético. Ele explica que o lubrificante mineral tem grande quantidade de moléculas pequenas, que se quebram facilmente quando submetidas a altas temperaturas. Os resíduos dessa quebra favorecem a formação de borra, que compromete a durabilidade do motor. Já o óleo sintético tem moléculas maiores, mais resistentes a altas temperaturas, por isso seu uso em motores modernos é obrigatório, de acordo com o especialista.

Os óleos semissintéticos são uma boa alternativa?
Esse tipo de lubrificante é visto como uma boa opção por atender de forma satisfatória e ter preço menor em relação ao sintético. Remo lembra que é melhor usar o semissintético do que o mineral, que só deve ser empregado em motores mais antigos.

É realmente importante trocar o filtro de óleo sempre que for feita a renovação do lubrificante?
O filtro deve ser trocado juntamente com o óleo, pois do contrário poderá contaminar o lubrificante novo que está sendo introduzido no motor. Lembre-se também de checar e corrigir o nível do óleo do motor a cada 1 mil quilômetros.

É recomendável o uso de produtos para a limpeza do motor na troca do óleo?
Remo Lucioli recomenda o uso do flush um produto que limpa os circuitos e cavidades internas do motor, retirando resíduos e borra, impedindo que o óleo novo seja contaminado. O produto deve ser aplicado antes da troca do lubrificante, mas Remo recomenda que o serviço seja feito apenas por profissionais especializados. Alguns fabricantes do produto recomendam o uso do flush a cada 10 mil quilômetros.

Nos carros mais antigos, era comum depois de certa quilometragem rodada usar óleo mais grosso, com viscosidade maior. Esse procedimento serve também para os motores modernos?
Essa antiga prática só serve para os propulsores do passado, que trabalham em temperaturas mais baixas. Já os motores atuais devem usar o óleo com a mesma viscosidade, ou seja, com a mesma especificação enquanto durarem. Não se deve usar óleo grosso de forma alguma.

Mas se no posto de troca de óleo o atendente colocar no motor um lubrificante que não tem as especificações recomendadas pelo fabricante? De quem é a responsabilidade?
Remo lembra que a Lei 8.078 do Código de Defesa do Consumidor, nos artigos 14, 23 e 39, determina que o fornecedor de serviço responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados por defeitos relativos à execução do trabalho, bem como por informações insuficientes e inadequadas sobre uso e riscos. Ou seja, se o atendente colocar no motor do seu carro um óleo inadequado, a empresa é responsável pelos reparos que terão que ser feitos.

O que deve ser feito para evitar a formação de borra no motor?
A borra é formada quando o óleo circula de forma mais lenta no interior do motor, ficando exposto por mais tempo a temperaturas elevadíssimas. Com isso, ocorre a oxidação do óleo e o consequente entupimento dos canais de lubrificação, trazendo danos aos componentes móveis, levando o motor a fundir prematuramente. Para evitar tal fato, basta seguir as recomendações do fabricante, usando lubrificantes finos (que circulam mais rápido), com alta resistência térmica (para não queimar) e elevado índice de viscosidade (resistente ao afinamento e engrossamento).

Carro que trafega a maior parte do tempo na cidade pode ocultar problemas de borra no motor?
De acordo com Remo, se não forem seguidas as recomendações do fabricante quanto à troca de óleo, as chances do surgimento de borra podem aumentar nesse caso. Ele explica que esse carro em viagem vai operar por longos períodos em alta rotação. Isso fará com que a borra se desloque e obstrua os canais de lubrificação. Quando esse carro parar, as peças móveis do interior do motor, que estavam operando com deficiência de lubrificação, poderão soldar entre si, pois foram submetidas a temperaturas elevadíssimas.
Encontre seu veículo

Últimas notícias

ver todas
10 de janeiro de 2011
18 de dezembro de 2009

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação