Segurança - Uma luz sobre o xenônio

Num cenário de trevas, repleto de dúvidas e informações contraditórias, especialista esclarece os pontos principais a respeito do uso dos faróis de descarga de gases

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postado em 01/04/2009 17:47 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
Identificadas pela coloração azulada, as luzes de xenônio adaptadas em faróis comuns causam ofuscamento nos condutores dos demais veículos - Jackson Romanelli/EM/D.A Press - 21/1/09 Identificadas pela coloração azulada, as luzes de xenônio adaptadas em faróis comuns causam ofuscamento nos condutores dos demais veículos
Apesar de já ter regulamentado o uso dos faróis de xenônio (pela Resolução n.º 294) o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) continua reunindo a Câmara Temática que trata do assunto para discutir alguns pontos ainda conflitantes, prova de que o órgão não esgotou as discussões antes de publicar a tal resolução. O engenheiro eletrônico Cirilo Moscatelli, gerente nacional de vendas da Osram, elucidou as principais questões técnicas que envolvem o assunto.

Gambiarra
A crítica sobre a adaptação do kit xenônio nos faróis diz respeito à deturpação do projeto, que tem como base a intensidade luminosa da lâmpada utilizada. Como essa adaptação é feita em faróis comuns, construídos para o uso de lâmpadas halógenas, e não de xenônio (que ilumina três vezes mais), a distribuição da luz fica desconfigurada. Isso porque o farol tem componentes que distribuem as áreas que vão receber mais ou menos intensidade luminosa, como: a linha de corte horizontal, que não permite a luz ultrapassar determinada altura; a linha que abre em 15 graus a iluminação à direita, para iluminar o acostamento e as placas de sinalização; e a linha que corta o facho do lado esquerdo para impedir que a luz atrapalhe os motoristas que trafegam em sentido contrário. Com maior emissão de luz, essa distribuição, que deve obedecer às normas técnicas, é feita de forma absolutamente descontrolada e ofusca os outros motoristas, provocando insegurança.

Outros problemas
Como as lâmpadas de xenônio só acendem com uma tensão elétrica muito forte, cerca de 20 mil volts, seu funcionamento exige uma parte eletrônica extremamente complexa. Tanta tensão elétrica circulando pelos cabos do veículo exige o uso de filtros para impedir que esses pulsos elétricos atinjam o sistema eletrônico do veículo e causem pane em sistemas como o airbag, ABS e EBD. Experiências mostraram que muitos desses sistemas de partida do farol não estão adequadamente construídos para filtrar todos esses pulsos que circulam na parte elétrica do veículo. Os fabricantes já estão pensando em cortar a garantia de veículos que tiveram o kit xenônio instalado.

Regulagem
Por emitir uma grande quantidade de luz, o farol de xenônio exige o uso de um sistema de regulagem que compense qualquer irregularidade do solo para impedir que a luz incida sobre os outros veículos. Esse ajuste deve ser dinâmico, automático e sem interferência do condutor do veículo, que deve se preocupar com outras coisas. O ajuste a de altura de fachos dos faróis tem de ser sempre automático para garantir segurança. O farol de xenônio não pode representar perigo em hipótese alguma.

Limpeza
O sistema de limpeza também é importante porque qualquer poeira em cima do farol provoca a dispersão de luz e consequentemente ofuscamento dos demais condutores. Imaginem esse farol sujo.

Adaptação
Não existe no mercado uma forma de adaptar num veículo a regulagem automática e o lavador de faróis. Na Europa existe a troca do sistema feito para lâmpadas halógenas por outro que atende as exigências do xenônio: novo farol, com refletores próprios para a lâmpada de xenônio, e dispositivos de regulagem e limpeza. Porém, essa troca é muito dispendiosa.

Outras opções
Se a intenção é aumentar a eficiência do sistema de iluminação, existem lâmpadas de alta performance que oferecem uma quantidade de luz maior (de acordo com as normas de trânsito) com a mesma potência das comuns. Uma dessas lâmpadas emite 90% mais luz que as convencionais na região de 50 a 75 metros, que é onde se concentra a visão do condutor. Também existem lâmpadas que corrigem a tonalidade da cor da luz, que produz um efeito mais estético do que de eficiência, deixando a luz do veículo mais branca.

Conclusão
Por isso, é inviável aplicar a luz de xenônio sem prejudicar a segurança.

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