Granizo - Depois da tempestade

Volume de carros danificados pela chuva de setembro do ano passado é maior do que estimativa inicial, pois grande parte das concessionárias não tem pátio coberto

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postado em 30/05/2009 08:30 Daniel Camargos /Estado de Minas
Irmãos Meira Dutra viajam o mundo no rastro das chuvas de granizo - Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press - 22/9/08 Irmãos Meira Dutra viajam o mundo no rastro das chuvas de granizo
A decisão cautelar do Procon Estadual que proibiu a venda dos veículos fabricados em 2008 pela Fiat foi tomada para impedir que casos como o do consumidor Sulavan Fornazier de Santana. Ele comprou um Fiat Doblò Adventure em feirão na concessionária Sinal, pagou por um carro zero-quilômetro, mas recebeu um veículo com diversas avarias provocadas pela chuva de granizo ocorrida na Região Metropolitana de Belo Horizonte em 18 de setembro do ano passado. A medida também serviu para despertar a reclamação de outros 12 consumidores, totalizando 13 casos. Porém, o estrago é muito maior. Além do problema com a Fiat, que é a única fábrica instalada na região, concessionárias de todas as marcas guardam carros nos pátios, que na maior parte delas, não é coberto. Por isso, é possível que muitas pessoas tenham comprado veículos recuperados acreditando que adquiriram um automóvel intacto.

O trabalho de persuasão dos consumidores é auxiliado por técnicas internacionais e mão de obra contratada de outros estados. À época da chuva, por exemplo, a reportagem do caderno de Veículos do Estado de Minas entrevistou os irmãos Iraíldo e Diógenes Meira Dutra, dois de seis irmãos baianos especializados no serviço conhecido como martelinho de ouro, que estavam em uma concessionária recuperando veículos danificados. À época eles contaram que outros dois irmãos estavam em Betim trabalhando para uma transportadora e outros dois na Croácia, consertando os estragos de uma chuva no pátio de uma montadora.

Um primo deles está desde setembro morando em Belo Horizonte recuperando os estragos da chuva que aconteceu há oito meses e já fez serviço para duas concessionárias da capital. Aprendeu a técnica com o mesmo professor, um argentino, radicado nos Estados Unidos. Nos primeiros anos, após o curso, é feito um contrato de exclusividade em que os alunos são funcionários da empresa do professor, não podendo concorrer no mercado. Depois de vencido o prazo, eles ficam livres e podem trabalhar por conta própria.

Iraildo explica que a diferença entre a lanternagem e o martelinho de ouro é que o segundo não envolve a pintura e para ser realizado os amassados não podem provocar riscos ou danificar a tinta da lataria. O martelinho de ouro é realizado, na maior parte das situações, de dentro para fora dos amassados. A forração das portas e do teto é removida e os amassados são retirados. Entretanto alguns pontos, em que a chapa da lataria tem superfície dupla e impede esse trabalho, é preciso usar ferramentas que fazem uma espécie de sucção do amassado, semelhantes a ventosas.

Iraildo conta que um kit completo, com 130 ferramentas, custa R$ 18 mil. O investimento vale a pena. Um irmão dele acaba de voltar da África do Sul, onde recusou um serviço, pois os carros estavam muito danificados. "Íamos receber 5 mil euros por cada carro, mas não valeu a pena. Estavam muito danificados e precisaria trocar peças", explica Iraíldo. De toda forma, ele está arrumando as malas para a França com mais quatro irmãos para uma grande empreitada. Viajar faz parte da rotina para os irmãos Meira Dutra, que já estiveram na Grécia (5 mil carros recuperados para Nissan), Turquia (25 mil veículos recuperados para Hyundai), além de Alemanha, Austrália, Holanda, Suíça, Espanha e Argentina.

Iraildo classifica os estragos de uma chuva de granizo nas categorias A, B e C, sendo o último o mais grave, provocado por pedras grandes e que deixa sulcos profundos na lataria. De acordo ele, na chuva que aconteceu em setembro do ano passado vários danos podem ser classificados como do tipo C.

Amplitude
Segundo o promotor Amauri Artimos da Matta, coordenador da área de produtos do Procon e responsável pelo processo, a Fiat foi o alvo, pois havia um caso concreto, com bastante comprovação e que gerou outras 12 reclamações. O promotor acredita que a dimensão possa ser maior, pois foi um fenômeno da natureza e que todas as revendas, que não estavam com os veículos protegidos podem ter sido atingidas também. O promotor avisa que se surgirem casos semelhantes poderão ser aberto outros processos. O e-mail para reclamação é proconcr@mp.mg.gov.br.

DICAS
Para evitar comprar um carro avariado alguns detalhes são importantes. Antes de sair com o carro, verifique bem a lataria em um ambiente bem iluminado. Fique atento a pintura, principalmente, as partes em que existem chapas duplas - colunas, extremidades do teto -, que são mais difíceis de serem recuperadas e, mesmo se o trabalho for muito bem feito, é possível encontrar vestígios da atuação do martelinho de ouro. Desconfie também dos carros que foram produzidos à época da chuva de granizo (18 de setembro do ano passado - leia abaixo) e ainda estão no estoque das revendas.

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