Amaciamento - Sem pisar em ovos

Técnicos dos principais fabricantes de automóveis contam que as peças do motor precisam de um tempo para assentar, mas esse período não pede cuidados especiais

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postado em 06/06/2009 18:45 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
Quem nunca ficou confuso sobre se é possível interferir no desempenho futuro do carro adotando essa ou aquela forma de dirigi-lo nos primeiros quilômetros? Quem não testemunhou algum parente, orgulhoso do desempenho do carro, vangloriando-se de que foi ele quem o "amaciou"? De fato muito se fala sobre esse assunto, mas poucos sabem se isso não passa de um mito ou tem algum fundamento. Existe um conceito equivocado de que trocar as marchas em rotações mais elevadas nos primeiros quilômetros rodados aumenta a potência e o torque do carro. Puro mito.

Segundo Breno Hulle da Silveira, supervisor de testes da Ford, o amaciamento é o processo de estabilização do atrito dos componentes do motor. Isso porque, depois da usinagem, as peças precisam de um período, de 3 a 5 mil quilômetros, para se acomodarem. Depois desse período os componentes vão apresentar uma folga ideal de funcionamento. Porém, de uns 15 anos para cá isso mudou bastante. De acordo com Edmilson Briotto, gerente de pós-venda da Peugeot, os motores atuais são produzidos com máquinas de usinagem com ajustes tão precisos que dispensam o período de amaciamento.

José Alli Essmael, gerente-técnico da Kia Motors, explica que, nos motores antigos, o amaciamento era espécie de ajuste mecânico, algo como a última etapa de montagem do motor. E essa etapa estava nas mãos do proprietário. A prova de que os carros atuais não precisam mais desse período de adaptação é o fim das revisões dos 1 mil quilômetros, comum nos carros das décadas de 1970 e 1980.

Porém, diferente do que muitos pensam, no período de amaciamento (quando necessário) o carro não deve ser forçado, mas poupado de esforços. A recomendação geral é não trocar de marcha em rotações muito elevadas. O supervisor de testes da Ford foi o único a falar que, depois do período de amaciamento, o carro apresenta um ligeiro aumento do torque, cerca de modestos 0,3 kgfm. Briotto, da Peugeot, conta que tecnicamente não existe nada que aponte qualquer melhoria no desempenho do motor. "Quem força as rotações do carro pode, no máximo, alcançar a estabilização do atrito antes do tempo normal, mas isso pode comprometer a durabilidade do motor", alerta Silveira.

Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da Fiat, conta que antes do aprimoramento das técnicas de construção de motores existia uma maior diferença de desempenho entre as unidades de um mesmo modelo. Talvez isso explique por que antes haviam proprietários mais satisfeitos que outros com o desempenho do carro. Outra possível explicação para essa melhoria pode ser a própria adaptação gradual do motorista com a nova máquina, o palpite é do gerente de pós-venda da Peugeot.

Ford, Kia, Peugeot, Chevrolet, Renault e Fiat informaram que seus veículos novos estão aptos a rodar com qualquer estilo de direção. Mesmo assim, quase todos recomendam não abusar das rotações, principalmente nos primeiros quilômetros. Segundo informações da Fiat, Ford, Chevrolet, Kia e Renault, mesmo não havendo mais assentamento significativo das peças do motor, o desempenho e consumo de óleo e combustível esperados normalmente são atingidos entre 3 e 6 mil quilômetros. De maneira geral, é aconselhável não exigir o máximo do automóvel até que haja ajuste de partes móveis de freios, transmissão e motor. Dos fabricantes consultados apenas a Volkswagen e a Nissan não se interessaram em explicar esses procedimentos.

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