Acessibilidade - Solução segura, mas cara

Mercado vende cada vez mais opções para o transporte dos portadores de necessidades especiais. Empresa propõe parceria à BHTrans para adaptação de táxis com menor custo

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postado em 04/07/2009 18:45 Paula Carolina /Estado de Minas
O Multi Lift tem uma base que pode ser fixada no assoalho e um motor elétricou que serve para transferir usuários de cadeiras de rodas para o assento do veículo - Cavenaghi/Divulgação O Multi Lift tem uma base que pode ser fixada no assoalho e um motor elétricou que serve para transferir usuários de cadeiras de rodas para o assento do veículo
Rampas acopladas às carrocerias, cadeiras giratórias, suportes estranhos que fazem milagre: o mercado de adaptação para o transporte do portador de necessidade especial que não dirige comercializa hoje facilidades praticamente na mesma proporção do que é vendido para quem tem alguma deficiência e necessita de mudanças no carro para dirigir, como mostrou Veículos na última quarta-feira. A grande diferença é que, ao contrário do portador de necessidade especial que dirige, aquele que é apenas transportado não goza das mesmas isenções fiscais (Imposto sobre Produtos Industrializados/IPI, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços/ICMS, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores/IPVA), apenas a do IPI, em alguns casos, o que torna o valor final do carro muito caro.

Mas o custo/benefício vale a pena se considerado o maior grau de acessibilidade e é possível encontrar opções e preços variados. A Cavenaghi, por exemplo, tem equipamentos que custam de R$ 3 mil a R$ 40 mil. O empresário Luiz Paulo Lamy de Miranda, proprietário da Pinguim Centro Automotivo, que representa a marca em Belo Horizonte, conta que uma das soluções mais interessantes é o Multi Lift, que tem um conceito revolucionário na transferência de usuários de cadeiras de rodas para outros assentos, como os de veículo. O equipamento tem uma base, que pode ser fixada no assoalho do automóvel. Nela é montado uma espécie de guincho, acoplado a uma cinta, que envolve o cadeirante. A transferência é feita por auxílio de um motor elétrico. "E o equipamento é desmontável. Depois de usado, é só dobrar e cabe dentro de uma bolsa", continua Luiz Paulo. Custa R$ 3,4 mil (com a base para veículo).

Outras opções práticas são os bancos giratórios, que podem ser virados para fora do carro, facilitando a entrada, e até aqueles que podem ser retirados e acoplados a uma base móvel motorizada, produzindo o efeito de cadeira de rodas, também recém-lançados. Para as cadeiras já existem suportes próprios para o teto, que as levam dobradas (toda a operação é por controle remoto, usando a bateria do carro, e pode ser feita pelo próprio cadeirante). Sem falar das rampas que são adaptadas em veículos como Fiat Doblò, Renault Kangoo, VW Kombi e vans em geral. Os preços são variados. Cavenaghi e Guidosimplex são as marcas com maior representação no Brasil.

Transformando
Ligada à Guidosimplex e voltada para o transporte do portador de necessidade especial que não dirige, a Technobras, com fábrica em Betim, faz um completo trabalho de adaptação em veículos multiuso, como o Fiat Doblò, que é totalmente transformado para a comodidade do cadeirante, que pode ser transportado, usando a própria cadeira. Todo o assoalho da parte traseira é modificado, podendo ser retirados os bancos. Também são acoplados cintos de segurança especiais e equipamentos para o travamento da cadeira de rodas. Quando se trata do Doblò, como existe, na Europa, o veículo com teto alto, também é feita a troca da parte superior, o que dá mais amplitude e conforto para o cadeirante.
Os práticos bancos giratórios podem ser retirados e acoplados a uma base móvel. Modelos multiuso, como o Doblò, são modificados para a comodidade do cadeirante - Claudia Goncalves e Otavio Ferraroni Teixeira/Cavenaghi/Divulgaçãoo Os práticos bancos giratórios podem ser retirados e acoplados a uma base móvel. Modelos multiuso, como o Doblò, são modificados para a comodidade do cadeirante

"O normal é deixar um banco atrás, para o acompanhante, pois há casos em que sua presença precisa ser constante. Com relação à elevação do teto, nós medimos antes para ver se é necessário, mas em 99% dos casos é interessante", explica a gerente da Technobras, Edméa Borges da Silva. Segundo ela, outro veículo requisitado para o tipo de trabalho é o Renault Kangoo, porém, sem a possibilidade de elevação do teto. O que, no caso de outros modelos como Fiat Ducato e Renault Master, não é necessário. Finalizando o trabalho, é colocada uma plataforma elevatória, movida por controle remoto, que funciona como uma rampa, que depois é recolhida e guardada no veículo. "O veículo não funciona se a porta traseira estiver aberta. É uma garantia de que, enquanto o cadeirante não estiver totalmente acomodado, o carro não vai se mover", continua Edméa. A adaptação completa custa R$ 35 mil.

Táxis
Exatamente por ser cara, essa adaptação vem sendo mais requerida por quem usa o carro para trabalho, como taxistas e empresas de turismo. Segundo Edméa, a empresa já presta o serviço para táxis de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Campinas e, atualmente, está em negociação com a BHTrans, com o objetivo de firmar um acordo para que os taxistas de Belo Horizonte tenham maior acesso a esse tipo de adaptação e com menor custo. "Mesmo quando há a isenção de impostos, ela não existe em cima da adaptação. Então estamos tentando também uma parceira na Fiat, para que, no caso do Doblò, por exemplo, o carro já saia de fábrica adaptado", continua Edméa. Como os portadores de necessidades especiais, os taxistas também têm isenção de impostos na compra de veículos.

A BHTrans confirma ter sido procurada pela empresa e já ter começado a discutir o assunto, mas não adianta nenhum tópico sobre as negociações, tendo em vista que nada está definido. Também o sindicato dos taxistas (Sincavir) foi procurado para participar da discussão, mas não revela seu teor. O diretor-tesoureiro, Ricardo Faedda, apenas pondera que a iniciativa seria interessante para a categoria. "O táxi convencional já tem esse tipo de demanda por veículo adaptado. As pessoas ligam, pedem um carro com porta-malas maior para levar uma cadeira de rodas. E muitas vezes o taxista tem algum problema de coluna, por exemplo, que dificulta ajudar o cadeirante. Esse novo modal de transporte supririria essa necessidade, havendo veículos com características específicas", diz.

Consultada, a Fiat afirma que ainda não tem como aprofundar no assunto, mas garante que o Programa Autonomy, voltado para portadores de necessidades especiais, está sempre pronto para atender a novas demandas.

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