Sucata - Vida nova para ferros-velhos

Reciclagem dos veículos fora de circulação é praticamente inexistente no Brasil. Medida pode trazer benefícios ambientais, de saúde e até de segurança pública

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postado em 30/07/2009 12:05 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
Muito diferente do que acontece com as latas de alumínio e as garrafas PET, em que a reciclagem é de 96,5% e 53,5% respectivamente (sem contar o enorme percentual de reutilização deste último material), no Brasil a reciclagem de veículos é absolutamente inexpressiva, atingindo apenas 1,5% de toda a frota que sai de circulação, dado fornecido pelo Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não-ferrosa (Sindinesfa). Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa esse número chega a 95%.

De acordo com José Aurélio Ramalho, diretor técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), esse índice tão baixo de reciclagem pode ser atribuído à falta de regulamentação específica do governo federal sobre o assunto. Na Europa, a responsabilidade de reciclar os automóveis é do próprio fabricante. Segundo as leis de reciclagem de veículos da União Europeia, até 2015 todos os países deverão reciclar 95% do veículo. No Japão, essa meta é de 70%.

Na Argentina, essa legislação está mais avançada do que aqui e determina que os veículos que saíram de circulação devem ser levados para centros especializados de tratamento. Junto a isso foi realizada uma operação que fechou a maior parte dos desmanches ilegais com o objetivo de combater o roubo e furto de veículos. Com isso, em Buenos Aires, o índice de furtos e roubos de veículos caiu em 70%. No país vizinho são reciclados em média 250 veículos por mês. Desde 2005 foram comercializadas 25 mil peças que antes formariam uma montanha de entulhos.

Etapas

O processo de reciclagem de um veículo envolve algumas etapas. A primeira é a descontaminação, que corresponde à retirada de todos os fluidos, gases e elementos com potencial de contaminação. Depois é feita a análise da reutilização, a escolha de quais peças podem ser aproveitadas no reparo de outro veículo. As peças que não podem ser reutilizadas seguem para a reciclagem e suas matérias-primas são aproveitadas na fabricação de novos produtos.

Segundo o consultor do Cesvi, os itens relacionados à segurança não podem ser reutilizados. Já as outras peças podem servir a um mercado muitas vezes carente, o de veículos mais velhinhos que atualmente são precariamente atendidos por desmanches irregulares, com peças de carros roubados ou furtados. “De certa forma, os desmanches até fazem um trabalho de reutilização de peças, mas esses estabelecimentos trabalham de maneira precária, não fazem a descontaminação e muitas vezes funcionam de maneira irregular”, explica Ramalho.

O consultor afirma que no Brasil não existe nenhum centro de reciclagem de automóveis para se ter de exemplo. Os estudos feitos pelo Cesvi mostram que se trata de uma atividade viável e lucrativa, além de trazer benefícios ambientais, de saúde e até para a segurança pública. Para ele, o Estado não precisa necessariamente assumir esse papel, mas é essencial desenvolver uma legislação específica para viabilizar ações da iniciativa privada.
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