Nem consumidores nem revendedores sabem e fabricantes não divulgam. Três meses depois de anunciado o consumo dos primeiros veículos cujos fabricantes aderiram ao Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE), falta informação de todas as espécies. A etiqueta, que já poderia estar nos veículos zero quilômetro, a exemplo dos eletrodomésticos (geladeiras, fogões, aquecedores) e que até poderia ser um argumento a mais de venda, praticamente não foi adotada. As tabelas com medição de consumo, que deveriam estar disponibilizadas nos pontos de vendas, não foram repassadas às concessionárias. Vendedores, supervisores e gerentes têm um vago conhecimento sobre o assunto, mas, na maioria das vezes, porque souberam pela imprensa. E os consumidores, por sua vez, também não questionam na hora de comprar.
O PBE Veicular foi anunciado no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e teve a primeira etapa concluída em abril deste ano, quando foi divulgado o consumo de 31 modelos dos cinco primeiros fabricantes a aderir ao projeto: Fiat, General Motors, Honda, Kia e Volkswagen. É regulamentado pelo Inmetro, em parceria com a Petrobras e tem o objetivo de divulgar o consumo por meio de etiqueta semelhante à dos eletrodomésticos. Os carros são testados em laboratório credenciado pelo Inmetro e classificados, de A a E, conforme categoria - subcompacto, compacto, médio, grande e carga - , determinada pela área projetada do veículo no solo. A classificação é feita por comparação de resultados na mesma categoria, o que significa que estar bem ou mal classificado não prevê necessariamente um consumo baixo ou alto (veja quadro), mas menor ou maior do que o concorrente. A adesão é voluntária, assim como a afixação da etiqueta.
Marketing
Com um dos melhores resultados do mercado, o Kia Picanto 1.0 obteve classificação A. Espertamente, a marca passou a anunciar o teste a seu favor, inclusive em peças publicitárias, e já comercializa o carro com a etiqueta. Mas, por enquanto, é a única a fazê-lo. Segundo o engenheiro José Alli Essmael, gerente técnico da Kia e responsável pela condução do programa dentro da empresa, a repercussão é positiva e mostra que a marca é engajada: "É uma ação de preservação ambiental e mostra transparência da empresa junto ao cliente".
Alli acrescenta que foi feita uma divulgação interna do programa e diz que o assunto é frequentemente abordado durante encontro com concessionários, mas não está prevista alguma ação específica. "Só a Kia fazendo, é pouco. Para o programa pegar mesmo, é necessário que mais fabricantes participem", continua. O fato de a participação não ser obrigatória, nem a etiquetagem, na opinião do engenheiro não é prejudicial ao programa: "Não acredito que os fabricantes estejam com receio de divulgar a informação. É que a primeira rodada foi muito corrida". Ele conta que foram anos de discussão até se chegar a um acordo de como os testes seriam feitos e houve muitos pontos polêmicos, como o fato de alguns carros serem testados com ar-condicionado e outros não. "Tendo ar, mesmo que desligado, aumenta o consumo, então o cliente deve saber se o carro testado tinha ar", observa.
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