Conjunto mecânico de respeito deixa VW Amarok com jeitão de automóvel

Picape média da Volkswagen ganha mudanças sutis, mas ainda demonstra comportamento dinâmico exemplar. Motor 2.0 biturbo, câmbio automático de 8 marchas e tração integral são os responsáveis pelo feito

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postado em 13/02/2017 11:41 / atualizado em 13/02/2017 12:59 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

A Volkswagen Amarok foi lançada em 2010, e, como as picapes médias não são dadas a mudanças frequentes, foi só no final do ano passado que o modelo ganhou sua primeira reestilização. Ainda assim, foi coisa pouca, nada além de um novo para-choque dianteiro com tomadas de ar maiores, faróis de neblina horizontais (eles eram circulares) e grade com barras verticais mais evidentes. O trabalho deu certo, as linhas foram atualizadas sem que o modelo perdesse a personalidade. Para conferir o que mais a linha 2017 da Amarok traz de novo, testamos a picape na versão Highline, a topo de linha.


O painel recebeu atenção especial, e foi o que mais lucrou com a reestilização. Os difusores de ar eram circulares e ganham orientação horizontal, sendo que os centrais foram integrados à tela da central multimídia. Os comandos foram repaginados e redistribuídos. O visual melhorou muito, porém ainda há muito plástico empregado ali, o que empobrece o interior num segmento em que alguns concorrentes “quebram” essa monotonia com apliques em couro, que também agregam requinte. Para melhorar, bancos, volante, apoio de braço e portas trazem couro e os tapetes são acarpetados.

Mas o maior destaque no interior da versão Highline são os bancos dianteiros com vários ajustes elétricos – distância, altura, lombar e ângulos do assento e do encosto. Ainda há ajuste manual para a extensão do assento, que, junto com os demais, proporciona tanto conforto que você é capaz de dirigir centenas de quilômetros sem se cansar. O interior é espaçoso, e no banco de trás é possível acomodar três adultos com relativo conforto. Faz falta ali difusores de ar para climatização, o que alguns concorrentes já têm. Em compensação, apoios de cabeça e cintos de segurança de três pontos estão disponíveis para todos.

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

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GRANDE Se a Amarok é grande por dentro, ela é maior ainda por fora. E isso não traz vantagem na hora de manobrar. Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros podem ajudar, mas a câmera de ré só fornece uma imagem fechada da traseira, não contemplando as extremidades. O rebatimento elétrico dos retrovisores também é muito prático para manobrar em locais apertados. Por se tratar de um veículo alto, o acesso ao interior é ruim. De todas as picapes médias, a Amarok é a única que não traz estribos laterais de série na versão mais equipada, justamente o acessório que mais ajuda a adentrar o veículo. Para uma picape de cabine dupla, a caçamba tem bom tamanho, sendo que sua tampa, que não é muito pesada, pode ser trancada por chave. O cobiçado estepe continua fácil de ser furtado, o que merecia uma atenção por parte da indústria.

Novo painel ganhou orientação horizontal, mas acabamento tem muito plástico - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Novo painel ganhou orientação horizontal, mas acabamento tem muito plástico

RODANDO Mas o melhor da Amarok é colocá-la na rua e acelerar. É que seu comportamento dinâmico às vezes faz o motorista esquecer que está dirigindo um veículo de duas toneladas. Mesmo com velocidade elevada, curvas são vencidas com confiança. Nunca falta força à picape, mérito do motor 2.0 biturbo – que permite que a Amarok tenha o menor motor e não fique devendo para outras de até 3.2 litros –, capaz de sobrealimentá-lo em regimes de baixa ou alta rotação.

O câmbio de 8 marchas também tem papel importante (as outras picapes têm no máximo 6). Em subida leve, a 60km/h, as marchas estão altas, 6ª ou 7ª, e o giro sempre baixo, por volta dos 1.500rpm. O resultado é uma melhor eficiência energética. A gestão do câmbio não hesita em reduzir marchas rapidamente, sempre que necessário. É possível trocar marchas manualmente pela alavanca de câmbio ou por aletas próximas ao volante.

A cereja do bolo é a tração 4x4 permanente, que traz equilíbrio no asfalto e, junto ao bloqueio do diferencial do eixo traseiro, pode tirar você de enrascadas na terra. Os pneus são mistos. Para os parâmetros de uma picape, a suspensão continua gentil, apesar de alguns concorrentes já terem igualado sua performance.

Bancos dianteiros têm todo tipo de ajuste, o que proporciona conforto para rodar por centenas de quilômetros - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Bancos dianteiros têm todo tipo de ajuste, o que proporciona conforto para rodar por centenas de quilômetros

Banco traseiro é bastante espaçoso, e tem apoios de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Banco traseiro é bastante espaçoso, e tem apoios de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes

MERCADO Mesmo com esses predicados, a Amarok nunca se deu muito bem no mercado, sendo sua melhor marca alcançada no ano de 2013, quando ficou na terceira posição do segmento. Nos últimos três anos, o modelo amargou a quinta colocação. Parte da explicação pode ser a falta de tradição da Volkswagen no segmento, já que a Amarok foi a primeira picape média da marca. Também pode ser essa inexperiência que culminou em erro que manchou sua imagem, o desgaste prematuro da correia dentada ocasionado por acúmulo de poeira. De acordo com a Volkswagen o problema já foi solucionado.

A versão Highline conta com um bom pacote de itens, com destaque para os de segurança. Mas fazem falta protetor de caçamba, capota marítima, santantônio e rack de teto, já que as versões mais completas de quase todos os concorrentes os trazem. Porém, entre eles, a Amarok é a segunda com melhor preço, só perdendo para a combalida Nissan Frontier. Alguns modelos têm conteúdo extra que pode justificar o preço também extra. Na Chevrolet S10, alertas de saída de faixa e de colisão frontal, além de partida remota, fazem a diferença. Já a Ford Ranger traz controle de cruzeiro adaptativo e sistemas de permanência em faixa e de pré-colisão. A Toyota Hilux é a mais cara, não tem o melhor pacote de conteúdo e nem demonstra o melhor comportamento dinâmico, apesar de ter boa aceitação do mercado.

Para uma picape de cabine dupla, caçamba tem bom espaço - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Para uma picape de cabine dupla, caçamba tem bom espaço


CONECTIVIDADE
A versão Highline vem equipada com o Discover Media, capaz de espelhar a tela do smartphone (para aparelhos compatíveis com Android Auto ou MirrorLink). O sistema oferece várias opções de mídia: rádio, CD, USB, auxiliar, cartão SD e Bluetooth (streaming). Todos os recursos, incluindo navegação e telefonia, podem ser comandados por voz, mantendo o motorista com as mãos (e parte da atenção) no volante, que também traz comandos do som.

Motor 2.0 biturbo mostra entusiasmo em qualquer regime de rotação - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Motor 2.0 biturbo mostra entusiasmo em qualquer regime de rotação

FICHA TÉCNICA

MOTOR
Dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.968cm³ de cilindrada, biturbo, que desenvolve potência máxima de 180cv a 4.000rpm e torque máximo de 42,8kgfm a 1.750rpm

TRANSMISSÃO
Tração 4x4 permanente e câmbio automático de oito marchas

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, com braços duplos triangulares e barra estabilizadora; e traseira com eixo rígido e feixe de molas de dois estágios, primário com três lâminas e secundário com duas lâminas / 7,5 x 18 polegadas (liga leve) / 255/60 R18

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS
A disco na frente e tambores na traseira, com ABS off-road

CAPACIDADES
Tanque, 80 litros; capacidade de carga (passageiro e carga), 1.017kg

DIMENSÕES (comprimento x largura x  altura x entre-eixos)
5,25x1,95x1,83x3,09

Com LED e xenônio, conjunto ótico é bonito e eficiente - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Com LED e xenônio, conjunto ótico é bonito e eficiente

EQUIPAMENTOS:

DE SÉRIE
Airbags frontais, laterais e de cortina, ABS off-road, ar-condicionado digital de duas zonas, controle de tração, sistema de assistência à frenagem, distribuição eletrônica da força de frenagem, bloqueio eletrônico do diferencial, controle eletrônico de estabilidade, freios com sistema pós-colisão, Isofix, câmera de ré, alarme, sistema de frenagem sob chuva, controle automático de descida, assistente para partida em subida, faróis bixênon com luz de condução diurna em LED e regulagem de altura, faróis de neblina com luz de conversão estática, lanterna de neblina, retrovisor interno eletrocrômico, retrovisores elétricos, aquecíveis e rebatíveis eletricamente, sensores de chuva e crepuscular, bancos dianteiros com ajustes elétricos (motorista e passageiro), controle automático de velocidade, descansa braço central com porta-objetos, indicador de perda de pressão dos pneus, pneus de uso misto, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, tampa traseira com sistema de alívio de peso, travamento mecânico do diferencial traseiro, volante com ajuste de altura e profundidade e sistema multimídia com navegação.

OPCIONAL
Pintura metálica.

Quanto custa?
A Volkswagen Amarok 2.0 Highline automática tem preço sugerido de R$ 167.990.


Notas (0 a 10)
Desempenho 9
Espaço interno 9
Caçamba 8
Suspensão/direção 8
Conforto/ergonomia 10
Itens de série/opcionais 8
Segurança 9
Estilo 9
Consumo 8
Tecnologia 8
Acabamento 8
Custo/benefício 8

Tags: vw volkswagen amarok teste vrum pedro cerqueira 2017 reestilizada picape

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