Teste: Renault Captur 2.0 agrada, mas câmbio automático de quatro marchas fica devendo

SUV compacto da marca francesa tem estilo moderno, bom espaço interno e acabamento de boa qualidade, mas câmbio automático ultrapassado compromete o desempenho e o consumo

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postado em 25/03/2017 18:10 / atualizado em 27/03/2017 19:03 Enio Greco /Estado de Minas

 

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

O que leva uma montadora a lançar um produto totalmente novo, com uma proposta moderna, mas na hora de finalizar seu conjunto mecânico faz a opção por um componente ultrapassado? Seria por questão de redução de custos, para aproveitar o estoque armazenado? Difícil entender, não é mesmo? Pois foi exatamente o que fez a Renault ao lançar seu novo SUV compacto, o Captur, que usa os mesmos motor e câmbio automático de quatro marchas do Duster. Uma pisada na bola, já que o carro tem estilo moderno, boa solução de espaço interno e ampla lista de equipamentos de série. O desempenho não é ruim, mas certamente seria melhor se o modelo fosse equipado com um câmbio mais moderno, como os de seus concorrentes. A Renault prometeu resolver em parte o problema até o meio do ano, quando o Captur vai ganhar câmbio CVT, mas para a versáo 1.6 .

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ESTILO O segmento de SUVs compactos é a bola da vez e tem atraído interesse de público consumidor cada vez maior. A Renault já tem o Duster, de linhas e conteúdo mais espartano, mas optou por colocar no mercado um modelo mais atualizado, com estilo bem mais moderno. Realmente, o Captur agrada por suas formas robustas e musculosas, com desenho mais aerodinâmico, marcado pela frente em cunha e para-brisa bem inclinado. A linha de cintura é elevada e o teto descaído na traseira, onde o vidro é menor, comprometendo a visibilidade. Mas o sensor de estacionamento e a câmera de ré amenizam o problema. A grade dianteira ampla abriga o grande logo da marca no centro e forma conjunto equilibrado com os faróis mais estreitos. Na parte inferior do para-choque, faróis de neblina direcionais e luzes diurnas com LEDs.

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Com duas cores na carroceria – o teto e outros componentes pintados de preto –, o Captur é emoldurado por uma faixa que se estende do para-choque dianteiro, passa pela caixa de rodas e segue pelas laterais até a traseira, onde as lanternas têm formas mais arredondadas. Frisos cromados largos estão presentes nas laterais e na traseira, dando um toque de sofisticação ao acabamento externo. É um SUV de visual moderno, que agrada por seu jeitão robusto.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

ESPAÇO O espaço interno do Captur é semelhante ao do Duster, já que ambos têm a mesma distância entre-eixos. Na frente, o banco do motorista conta com ajuste de altura, mas não tem o lombar. Os bancos dianteiros são confortáveis, com abas nas laterais, e atrás o espaço é razoável para três pessoas de porte médio, já que o túnel no assoalho é mais baixo, ampliando a área para as pernas. Ali tem apoios de cabeça e cintos de segurança retráteis para os três passageiros. O porta-malas tem boa capacidade de carga, mas o detalhe questionável é o estepe instalado do lado de fora, sob o assoalho. A operação de retirada não é cômoda, principalmente com o carro sujo.

A posição de dirigir é boa, mas o volante só tem regulagem de altura, falta o ajuste de distância.  O volante tem boa pega e conta com os comandos do controlador de velocidade e do som. O painel tem desenho simples, mas moderno, com a central multimídia com tela tátil no centro. O revestimento interno em couro é de boa qualidade, porém opcional nesta versão. O painel é feito de plástico duro, de boa aparência e montagem benfeita. Os instrumentos são de fácil visualização, com velocímetro digital, indicador de marcha engatada e computador de bordo.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

DESEMPENHO O motor que equipa o Captur é o conhecido 2.0 flex, que precisa do tanquinho auxiliar para o sistema de partida a frio. É um motor eficiente para o carro, com bons torque e potência, proporcionando arrancadas e retomadas de velocidade razoáveis, sem brilho. O problema do conjunto mecânico do Captur é o ultrapassado câmbio automático de apenas quatro marchas, com relação mais alongada, que acaba prendendo muito o carro, comprometendo o desempenho. As trocas de marchas são constantes e na cidade isso contribui muito para elevar o consumo de combustível, de 6,5km/l com gasolina, registrado pelo computador de bordo. Na estrada, com o mesmo combustível, a melhor marca foi de 13,6km/l.

O SUV compacto merece um câmbio melhor, de pelo menos seis marchas, como a maioria dos concorrentes tem. Mas a Renault já anunciou que o 2.0 continuará com esse câmbio, mas lançará uma versão  1.6  com CVT até o meio do ano. Quem optar por comprar esse automático de quatro marchas vai perceber que no modo manual o rendimento melhora um pouco, mas as mudanças só podem ser feitas na alavanca, já que ele não tem aletas atrás do volante. A direção com assistência eletro-hidráulica foi bem calibrada e, com bom diâmetro de giro, facilita as manobras e garante segurança em velocidades mais elevadas. As suspensões também são equilibradas e garantem boa estabilidade em curvas e relativo conforto ao trafegar. Transfere muito pouco as irregularidades do solo para o interior do carro.  E os freios, com a ajuda da eletrônica, atuaram de forma eficiente.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Em resumo, o Captur é um concorrente de peso no segmento de SUVs compactos. Essa versão equipada com motor 2.0 e câmbio automático tem muitos atrativos, como um bom pacote de itens de série e preço mais baixo, mas enfrenta a concorrência de modelos ainda mais completos e com conjunto mecânico mais eficiente. Para os que ficaram com o pé atrás, existe a opção da versão equipada com motor 1.6 ou então esperar a chegada do câmbio CVT.

CONECTIVIDADE
Um dos atrativos do novo Renault Captur é a central multimídia Media NAV, que tem tela tátil de sete polegadas. Extremamente intuitivo, o sistema conta com conexão USB e é de fácil pareamento com smartphones, permitindo o acesso à agenda, lista de músicas e imagens. A central pode ser acessada também pelo comando satélite, que fica na coluna de direção, facilitando a navegação por GPS sem que o motorista precise tirar as mãos do volante. Estão disponíveis ainda a função Eco Scoring, que avalia o jeito de dirigir do motorista levando em consideração as trocas de marchas, consumo de combustível e quilometragem percorrida, e a Eco Coaching, que orienta para uma condução mais econômica. O modelo conta também com câmera de ré, com imagem de boa definição na tela da central multimídia.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

FICHA TÉCNICA

» MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.998cm³ de cilindrada, 16 válvulas, flex, que desenvolve potências de 143cv (gasolina) e 148cv (etanol) a 5.750rpm, e torques de 20,2kgfm (g) e 20,9kgfm (e) a 4.000rpm

» TRANSMISSÃO
Tração dianteira, com câmbio automático de quatro marchas

» SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, do tipo McPherson, com triângulos inferiores; e traseira semi-independente, com barra estabilizadora/de liga leve de 7x17 polegadas/215/60 R17

» DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência eletro-hidráulica

» FREIOS
A discos ventilados na dianteira e tambores na traseira

» CAPACIDADES
Do tanque, 50 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 449 quilos


EQUIPAMENTOS

» DE SÉRIE
Faróis elípticos, lanternas traseiras com LEDs em efeito 3D, luzes diurnas de LED, roda de liga leve diamantada aro 17 polegadas, ar-condicionado automático, alerta sonoro de faróis ligados, banco do motorista com regulagem de altura, bancos traseiros com encosto e assento rebatível 1/3 2/3, câmera de ré traseira, chave-cartão hands free com walk away closing, computador de bordo, direção eletro-hidráulica, função Eco Mode, indicador de troca de marcha (GSI), piloto automático (regulador e limitador de velocidade), retrovisores externos com regulagem elétrica e rebatíveis eletricamente, sensores crepuscular, de chuva e de estacionamento traseiro, vidros dianteiros e traseiros com função “one touch”, sistema antiesmagamento e fechamento pela chave, volante com regulagem de altura, quatro air bags (frontais e laterais), alarme perimétrico, alerta visual e sonoro de não travamento do cinto de segurança do motorista e passageiro, assistente de arranque em subida (HSA), controle eletrônico de estabilidade (ESP), controle eletrônico de tração (ASR), faróis de neblina com LED e função cornering, freios ABS com AFU, sistema CAR - Travamento automático das portas a 7km/h, sistema de fixação para cadeirinhas ISOFIX, conexão Bluetooth® para áudio e telefone, comando de áudio e celular na coluna de direção (Comando Satelite), sistema multimídia Media NAV com tela touchscreen sete polegadas e navegação GPS e 3D Sound by Arkamys com conexão USB e auxiliar, função Eco-Coaching e Eco-Scoring integrado ao Media Nav.

» OPCIONAIS
Bancos revestidos em couro e pintura biton.


Notas
Desempenho...................................7
Espaço interno.................................8
Porta-malas ...................................8
Suspensão/direção .........................8
Conforto/ergonomia .......................8
Itens de série/opcionais ...................8
Segurança ......................................8
Estilo ..............................................8
Consumo ........................................7
Tecnologia ......................................8
Acabamento ...................................8
Custo/benefício ...............................7


Quantos custa?

O Renault Captur Intense 2.0 tem preço inicial de R$ 88.490, mas com todos os opcionais chega a R$ 92.890.

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