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Estado de Minas

Como interpretar o silêncio sobre a mobilidade elétrica no Brasil?


postado em 26/06/2013 21:08

Muitos se perguntam a razão do Brasil estar tão silencioso para a mobilidade elétrica. Naturalmente, o silêncio pode ter vários significados. Por exemplo, pode ser uma estratégia para que a tecnologia seja desenvolvida no exterior e o Brasil venha usufruí-la sem o ônus do pioneirismo.
 
Pode ser também a visão de que o governo não acredita que esse tipo de tecnologia esteja madura e, neste caso, qualquer esforço seria desperdiço de tempo e dinheiro. Daí a decisão não seria de abandono da ideia, mas sim de adiamento. Há quem avente que possa ser falta de esclarecimento das lideranças políticas. Essa é uma hipótese improvável, pois eles são bem informados e estão em perfeita sintonia com a evolução global dos veículos elétricos. Prova disso é que já contamos com meia dúzia de projetos lei propondo a regulamentação do assunto no país.
 
Pode ser então que o  tema não seja de interesse nacional, pois o Brasil deseja apostar todas as fichas no Etanol e Petróleo. Afinal de contas, o país é detentor de grandes reservas no pré-sal e metas ambiciosas na produção de álcool combustível.
 
Sobre essa hipótese, segundo publicação do Jornal Estado de São Paulo de (24/06/2013), “o etanol, feito de cana-de-açúcar e milho, representa hoje 82% do mercado mundial de biocombustíveis. Dominado por EUA e Brasil, que têm quase 90% da produção total, a estrutura da produção do combustível se baseia em uma rede de relacionamentos bem urdida, com forte lobby das instituições que representam os usineiros para a aprovação de regras que beneficiem a indústria. Esses relacionamentos se tornam cada vez mais importantes para essa indústria, à medida que o benefício ambiental do combustível está sendo colocado em xeque, em favor de outras opções, como o carro elétrico.”  
Um influente político de Brasília, ele me explicou que por lá vence aquele “puxar a corda” forte, mas de forma organizada e direcionada. Isso quer dizer que para fazer os projetos vingarem, é preciso reunir e estruturar um conjunto de ações, conquistando aliados para puxarem na mesma direção.
 
O que se pode concluir até o momento é que a mobilidade elétrica, aparentemente, é de interesse de poucos e provavelmente de desinteresse de muitos. Sendo assim, cabe perguntar: teriam a Nissan, Toyota, Mitsubishi e Ford (as únicas que tem carro elétrico e híbrido no Brasil) forças capazes de vencer os interesses contrários? Essa é uma pergunta que só o tempo poderá revelar.
 
No entanto, qualquer que seja a premissa, uma conclusão parece clara: o Brasil está brigando contra os seus próprios interesses. Primeiro porque o país não produz e nem produzirá álcool combustível para abastecer a frota nacional. De acordo com a união da Indústria de Cana-de-Açúcar, em 2012 o Brasil importou 1,4 milhão de litros de Etanol.
 
Também, parece cristalino que tão cedo não seremos suficientes na produção de combustível derivado do petróleo, pois não há e nem haverá nos próximos 20 anos refinaria capaz de suprir a demanda nacional. Portanto, continuaremos por muitos anos (ou décadas) importando gasolina.
 
Enquanto isso, o país deixa de receber investimentos tecnológicos na mobilidade elétrica, deixa de gerar empregos e se afasta de um tipo de tecnologia que avança em várias partes do mundo e que não se deve prescindir.  
 
O Brasil precisa voltar a ser ousado e investir em tecnologia e manufaturados, pois dificilmente conseguirá manter uma economia forte apenas vendendo commodities. E o momento é agora, pois assim nos adverte Geraldo Vandré: “...Vem, vamos embora%u2028que esperar não é saber,%u2028quem sabe faz a hora%u2028não espera acontecer”.
 
Pense nisso e ótima semana,

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