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Estado de Minas

Clemente Júnior: Em busca do sucesso (26/05)

Piloto mineiro, líder da Fórmula 3 sul-americana, planeja chegar à F-1 em 2010


postado em 25/05/2007 23:57

Clemente teve que superar ausência de autódromo em Belo Horizonte(foto: Marcelo Sant'anna/EM - 23/05/07)
Clemente teve que superar ausência de autódromo em Belo Horizonte (foto: Marcelo Sant'anna/EM - 23/05/07)
O piloto mineiro Clemente Júnior tenta manter a liderança do Campeonato de Fórmula 3 sul-americana neste fim de semana, no Autódromo Internacional de Curitiba, quando serão disputadas a quinta etapa, hoje, e a sexta etapa, amanhã. Em entrevista ao Veículos, Clemente traça seus planos futuros, fala de sua carreira e de seu projeto de chegar à Fórmula 1. Aos 19 anos, faz 20 em agosto, ele acredita que pode ser campeão da Fórmula 3 sul-americana nesta temporada e no próximo ano emigrar para a Fórmula 3 inglesa, a maior vitrine da F-1.

"Acredito que preciso de dois anos na Inglaterra. Não adianta querer fazer carreira novo, sem preparação de idade, tem que segurar a onda. Morar longe da família é complicado, pois muda a cultura totalmente e é preciso estar preparado e com o objetivo certo", planeja Clemente.

Enquanto o clímax não chega, Clemente pilota um veículo de Fórmula 3 equipado com o bloco do motor do Ford Focus, de 265 cv, e dribla os problemas comuns a todos os pilotos mineiros, como a falta de autódromo (ver matéria na capa) e a busca constante por patrocínio. Mesmo com o objetivo definido, ele sabe que se não der certo pode trilhar outro caminho, como seus ídolos Cristiano da Matta e Bruno Junqueira, e disputar as competições nos Estados Unidos.

A falta de autódromo na cidade prejudica a sua carreira?

Com certeza isso atrapalha. Quando um piloto de outro estado disputa uma corrida em casa isso ajuda a atrair patrocinadores, torcida e apoio. Dá respaldo maior na cidade dele, que é o local que ele tem os contatos para conseguir patrocínio. No meu caso, fica mais difícil por não ter autódromo em Belo Horizonte. As corridas são sempre fora de casa. Se tivesse uma pista aqui seria mais fácil para treinar.

Você correu muito tempo de kart. As pistas de kart são boas?

Pistas de kart existem duas muito boas: a de Betim e a do Serra Verde. A de Betim já recebeu o Campeonato Brasileiro e é considerada uma das melhores do país; e a do Serra Verde é uma pista muito boa, muito técnica, porém, a estrutura ainda não permite ter provas do Campeonato Brasileiro.

Ser piloto exige investimento. Dinheiro para treinamento, viagens, equipamentos, carros, equipe. Se sua família não tivesse dinheiro você conseguiria chegar onde está?

Seria muito difícil. No começo esse apoio é fundamental porque não é possível conseguir patrocínio se você não é nada. Fica até difícil identificar se o piloto é talentoso se ele nunca teve oportunidade de disputar uma corrida.

Você começou com qual idade?

Comecei com 7 anos correndo de kart e fiquei 10 anos. Fui tetracampeão brasileiro consecutivo, que é o recorde da categoria. Acho que ano que vem é possível chegar na Fórmula 3 inglesa.

Você acredita que pode ser campeão esse ano?

Tenho grandes possibilidades, mas é muito difícil. Depende de uma série de fatores que precisam acontecer a meu favor. Para conseguir o título este ano na Fórmula 3 Sul-americana preciso de resultados positivos constantes. Assim, posso chegar na Fórmula 3 inglesa, que é onde as equipes de Fórmula-1 ficam de olho.

Esse estágio na Fórmula 3 até a Fórmula 1 é longo?

Acredito que preciso de dois anos na Inglaterra. Não adianta querer fazer carreira novo, sem preparação de idade, tem segurar a onda. Morar longe da família é complicado, pois muda a cultura totalmente e é preciso estar preparado e com o objetivo certo.

Você faz faculdade?

Já fiz. Tive que trancar porque faltava muito. Fazia administração e hoje eu faço um curso tecnológico pela internet. Assim, dá para estudar, conciliar com as viagens e é bem legal também.

Quem é seu ìdolo?

Todo menino que viveu o início da década de 1990 tinha o (Ayrton) Senna e comigo não foi diferente. Mas, hoje em dia, eu fico com quem mais acompanhei, que foi o Cristiano da Matta e o Bruno Junqueira. Pude participar de todos os passos deles. Ao Senna, assisti só na Fórmula 1, mas era muito novo e nem tinha muita idéia do que era aquilo. Achava que era uma brincadeira. Já o Cristiano e o Bruno são de Belo Horizonte e eu os vi de perto.

Mas tanto o Cristiano quanto Bruno não seguiram a carreira que você quer, pois não estão na Fórmula-1?

O Cristiano até chegou lá. O objetivo anterior deles é o que eu tenho agora. Só que como eles não conseguiram, foram para os Estados Unidos. Comigo não é diferente. Se eu não conseguir, eu estou preparado para a Fórmula Indy ou a outra opção.

Como é sua relação com a equipe?

Tem que conversar com a equipe. A maioria dos problemas se resolve conversando. Não adianta achar que você vai fazer do seu jeito porque às vezes até o pessoal da equipe não aceita. Na Fórmula 3, o carro tem 265 cv de potência, o bloco do motor é do Ford Focus e a parte de cima é toda modificada. Os carros são todos da mesma fábrica. A diferença é uma suspensão, uma mola, um acerto que o piloto faz.

O que vale é o braço?

Não é nem o braço. É a experiência de poder fazer um carro melhor do que o outro. Costumo falar que carro cada um tem o seu. O carro pode ser excelente para mim e para o outro pode ser muito ruim. Por isso, falo que o psicológico é importante. É sentimento mesmo do cara de saber se a corrida vai estar mais quente, mais frio, vai chover. Por isso, é mais difícil de um piloto ganhar na primeira temporada.

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