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Estado de Minas

Vicent Rambaud: Não queremos ficar na média

Grupo PSA cria cargo de presidência no Mercosul e tem grandes ambições para o Brasi


postado em 13/08/2007 13:42 / atualizado em 06/02/2019 17:44

Rambaud: teremos o dobro de modelos Peugeot e Citroën até 2012(foto: Paula Carolina/Especial para o EM)
Rambaud: teremos o dobro de modelos Peugeot e Citroën até 2012 (foto: Paula Carolina/Especial para o EM)
De Guarujá, SP

O lançamento do Citroën C4 Pallas, que já está sendo vendido por encomenda e chega às revendas dia 1º , terá a maior campanha da história da marca no país e é apenas o começo de nova estratégia do grupo PSA Peugeot/Citroën, que tem grandes ambições no mercado nacional. O plano começou com a designação de um presidente para o Mercosul, criando-se uma estrutura regionalizada e descentralizando as decisões, cargo que passa a ser ocupado por Vicent Rambaud.

Durante apresentação à imprensa do C4 Pallas e do Picasso 2008, ele falou ao Veículos sobre os objetivos do grupo e comentou pontos abordados pelo presidente da Citroën do Brasil, Sérgio Habib, sobre o mercado brasileiro, que ressaltou o forte crescimento da indústria automobilística e apontou os segmentos e as marcas de melhor performance nesse cenário. Para ele, vêm tendo destaque os sedãs médios, enquanto o segmento dos monovolumes estagnou, “porque falta novidade”. Falando em novidade, ele afirmou que a Citroën pretende lançar um novo modelo por ano, até 2012. Um deles poderá ser o C4 hatch, que tem a mesma plataforma do sedã Pallas. Também existe a hipótese de vir para o Brasil o C4 Picasso e foi confirmado motor 2.0 flex no C4 Pallas, em meados do ano que vem.

A mudança de estratégia do grupo PSA, com a criação de um cargo como o seu para o Mercosul, significa que os países que compõem o bloco estão tendo maior importância para o grupo?

Quando o novo CEO (executivo chefe), Christian Streiff, assumiu a coordenação mundial do grupo, há seis meses, estabeleceu quatro prioridades: atenção aos custos, qualidade, novos produtos e aceleração do desenvolvimento internacional. E, nesse desenvolvimento internacional, há duas regiões prioritárias: China e Mercosul. Dos países que compõem o Mercosul, o Brasil é o principal. E o grupo PSA estabeleceu essas mesmas prioridades para o Brasil.

O diretor da Citroën do Brasil, Sérgio Habib, está confiante no crescimento da marca e disse que, até 2012, será lançado, no Mercosul, um novo produto por ano, sendo a maioria modelos completamente novos. O mesmo se pode esperar da Peugeot?

Sim. As duas marcas estarão desenvolvendo novos produtos, de modo que, daqui a quatro ou cinco anos, teremos duas vezes mais produtos do que temos hoje.

A PSA pretende ocupar o quinto lugar em participação de mercado no Brasil?

Não posso dar números, mas posso fazer uma reflexão. O coração do mercado brasileiro é o segmento B, dos compactos. E está crescendo muito o M1, dos sedãs médios. Na escala mundial, são os dois pontos mais fortes do grupo PSA. A partir dessa reflexão, chegamos à conclusão de que a posição atual que o grupo ocupa no Brasil não é a que merece. Ela será ocupada no futuro.

Mas, enquanto o mercado brasileiro tem crescido incrivelmente, inclusive enfrentando falta de carros, a Peugeot tem tido dificuldade na comercialização de alguns modelos, com unidades 06/07 ainda nos estoques. Um exemplo é o 307 Sedan...

A resposta é simples. O 307 hatch é muito belo e deu certo. Quando o hatch e o sedã são postos lado a lado, é como se o sedã ficasse ofuscado. Então fica difícil. Essa é a explicação. Não se trata do insucesso do sedã, mas do sucesso do hatch na sua categoria de mercado. Com a Citroën, não teremos esse problema. Não haverá essa comparação direta, pois o C4 Pallas tem uma concepção privilegiada, foi imaginado como caráter único e não se aproxima do C4 hatch. São carros totalmente diferentes. Então a Citroën não terá esse problema.

Partindo desse ponto de vista, todas as montadoras que têm modelos com carrocerias hatch e sedã enfrentariam um problema de vendas com um dos dois...

Mas é isso. Não conheço um caso em que os dois automóveis da mesma marca, hatch e sedã, sejam de grande sucesso. É muito difícil para a montadora conseguir sucesso com os dois. Desculpe o exemplo, mas é como você pôr numa sala duas mulheres bonitas. A comparação fica inevitável. Uma vai ser mais bela do que a outra.

E quais são seus planos para o Mercosul e o Brasil?

Em detalhes, não posso passar tudo, pois isso será anunciado em setembro. Mas, com certeza, como já disse, com o novo presidente mundial, temos ambições para o grupo. Posso adiantar o seguinte: queremos dobrar o número de modelos oferecidos pelo grupo e talvez nem seja até 2012, mas até 2010. Entre as prioridades de que falei, vamos focar na qualidade. A qualidade do produto tem que estar em primeiro lugar, senão, num longo prazo, não há sucesso. É melhor você ter um produto de excelente qualidade do que 20 médios produtos. Pois o carro pode até custar barato, mas, se não funcionar, não resolve. O verdadeiro valor que a empresa almeja sempre é a qualidade do que fornece. E não queremos estar na média, mas entre os melhores. Também vamos reforçar os pontos fortes das marcas (como o design, nos veículos Peugeot) e trabalhar os fracos.

Um ponto fraco da Citroën é o custo da manutenção. O que vai ser feito para melhorar isso? E, principalmente, como fazer o consumidor acreditar numa redução de preços?

Essa pergunta demanda várias respostas. A primeira coisa é que, lançando a cada ano um novo modelo, concebido e fabricado pelo Mercosul, vamos reforçar a imagem local. Sobre o custo das peças de reposição, também vamos reforçar o fornecimento local, buscando mais qualidade e redução de preços. Outra coisa importante são os planos de manutenção, como foi anunciado pelo Sérgio Habib para os modelos Citroën (C3, Picasso e C4 Pallas), com um valor fechado para revisão a cada 10 mil quilômetros.

O mesmo será anunciado para a Peugeot?

(...). Sim. Mas não posso dar detalhes ainda.

(*) Jornalista viajou a convite da Citroën do Brasil

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