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Estado de Minas

Entrevista com o criador do Mega Space

Carlos Alberto Parrilo Calixto, o homem por trás do espaço, conta para a gente como foi a trajetória do local, da criação ao atual sucesso


postado em 21/05/2010 20:45

(foto: Mega Space/Divulgação)
(foto: Mega Space/Divulgação)
Tem pessoas que gostam tanto de velocidade que não saem das pistas. Outras, ainda mais apaixonada, criam o seu próprio autódromo. Carlos Alberto Parrilo Calixto, criador do Mega Space, está neste segundo grupo. Político de carreira, duas vezes prefeito de Santa Luzia, Calixto conta como foi a sua ideia de construir o espaço, criado desde o início para grandes eventos. Uma história que começou em 1987 e que Suzana Horta traz agora a público.

Entrevista

Gostariamos de saber: como nasceu a ideia de construir o Mega Space?


Bem, a idéia nasceu depois de uma pesquisa que fizemos sobre o que faltava na região metropolitana. Chegamos à conclusão de que faltava um espaço para grandes eventos; e que isso acarretava uma série de problemas, não tão visíveis na época, mas que num futuro próximo, aconteceria. Era o caso do espaço da Gameleira que dá de frente para um hospital, onde tem que se estabelecer a lei do silêncio; o outro espaço que era muito utilizado, o campo do Sete de Setembro, sem vias de acesso com uma vizinhança muito intensa, o que conturbava muito o ambiente, quando faziam eventos lá. E pior ainda, usava-se muito a Avenida Afonso Pena.

Como era o carna-Belô, um carnaval de axé feito em plena Afonso Pena, que ficava parada por mais de uma semana, montando arquibancada e preparando a festa, que ia de sexta a domingo, além do tempo para desmontar tudo. Até quando Belo Horizonte suportaria parar a principal Avenida em função da realização de um carnaval temporão?

Então, estes fatores, somados a outros tantos, incluindo o crescimento que a cidade iria atingir nos próximos anos, provavam que estes locais não comportariam tais estilos de eventos. Foi quando definimos construir um centro de eventos. Esta decisão então aconteceu em 1987, portanto a 22 anos atrás, começamos a construção do Mega Space.

- Nós ouvimos dizer também Calixto, que o Mega Space tem um pouco da sua idealização pessoal, porque você foi motociclista ativo, participou de vários eventos, muitas corridas, principalmente em sua juventude, fala um pouco disso para a gente.

Isso é uma verdade. Eu comecei a participar de corridas de velocidade muito jovem. Não com carros porque na época meu dinheiro não dava pra isso. Carro naqueles tempos, custava muito caro.Carro era só para quem era mais tranquilo na vida. Então eu corria de motocicleta, no mineirão, em Itabirito (festival de São Pedro), Goiânia-Go, São Paulo em Interlagos e corri em Belo Horizonte no mineirão e no interior mineiro, a única cidade que tinha este perfil de evento, era Itabirito.

Então, eu sempre gostei de velocidade, quer seja de carro ou de moto. Não tive oportunidade de correr de carro como já disse; por ser um esporte caro e fora das minhas possibilidades na época. De moto eu corria em todo lugar. Passados os anos, proibiram definitivamente corridas no mineirão, por não oferecer a menor condição de segurança, nem pro piloto nem pra platéia; os pegas às sextas feiras começaram a ser constantes, gerando mais problemas ainda, fazendo com a polícia apertasse muito o cerco até acabar tanto a corrida quanto o "pega".

Com isso, após 30 anos, só restavam promessas e promessas de prefeitos, governadores de que construiriam autódromos; faziam lançamento de pedra fundamental, festas para as pedras fundamentais e autódromo mesmo que era bom...não saía. Chegamos ao ano de 2010 sem autódromo e eu acredito que não vá sair nunca mais, devido não ser uma atribuição de governo ficar construindo este tipo de espaço; nem mesmo campo de futebol, por serem atividades que cabem à inciativa do empresariado.

Todos os lugares construídos pelo governo, estão na tentativa de serem repassados para a iniciativa privada, por trazerem grandes prejuízos, por ninguém pagar pela utilização, restando ao governo bancar toda a manutenção e todo o custeio de funcionamento. Então realmente eu penso que os governos sabiamente não fizeram e provavelmente não farão por não ser mais uma atribuição governamental.

Temos empresários dispostos a investir nisso e hoje se o governo sequer cuida de "estradas", que dirá cuidar de "autódromos", que é um empreendimento particular e de público muito seleto. Daí, entendemos que se o governo não fez e não vai fazer, vamos nós na tentativa de suprirmos...

Iniciamos com a pista de arrancada, depois fizemos mais um pedaço com 1.500m para iniciarmos as corridas, que é o circuito de velocidade e agora em uma terceira fase, estamos trabalhando na ampliação desta pista, estendendo-a a 2.500m. Isso vai torná-la uma pista difícil, fazendo justiça inclusive a Minas Gerais. Afinal, será uma pista com subidas e descidas, uma pista dos mineiros, nas montanhas (risos).

Esta mesma pista já foi uma pista de Moto Cross e recebemos o Campeonato Brasileiro. Foi considerada a melhor do Brasil, por se tratar de uma pista técnica e muito difícil. Agora estamos fazendo neste mesmo local um terraplanagem monstruosa para complementação desta pista, com subidas e curvas como o formato de nosso estado, passando a exigir muito do carro e do piloto. Isto dá uma oportunidade única para um piloto que tenha um carro um pouco pior, pois se ele for um piloto tecnicamente melhor, poderá ganhar de um piloto com carro melhor, mas não tão habilidoso quanto ele.

- Você ainda faz parte de algum motoclube? E ainda pratica o Esporte Velocidade?


Tenho moto, tenho triciclo, adoro motocicleta, ando muito pouco porque dá tempo e não faço parte de nenhum clube, por não ser um companheiro para todas as horas. Ser companheiro de "vez em quando" ou uma vez ao ano, não faz sentido. Às vezes eu saio, vou até os encontros de motociclistas, mas não faço parte de grupo ativo não. Junto às vezes, dois três colegas de clubes diferentes e a gente vai. E mais um detalhe: O motoclube quanto maior, mais difícil a viagem; cada hora pára um, uma moto quebra, tornando a viagem demorada demais. Eu gosto de chegar mais rápido. Viagem de 50 motociclistas é um "drama".

- Calixto, sobre a pista do Mega Space e carros preparados: você já arrancou na pista do Mega? Foi em qual categoria? Fez um tempo bacana ou é só um sonho de realização para outros pilotos?


Não consegui ainda preparar um carro bacana, nem para o circuito de velocidade, nem para a arrancada. Não que eu não goste, gosto muito e quero ainda ter tanto um carro para velocidade como um carro para arrancada. Mas hoje o meu foco está todinho voltado para a construção da pista e outros investimentos do Mega Space, que não são investimentos só financeiros, mas investimentos de tempo. Quando você começa a mexer com corrida, você esquece de tudo; da mulher, esquece do trabalho, esquece de filhos, e fica vivendo só para aquilo, então o meu momento pra isso, não é bom. Mas às vezes, às quintas-feiras quando eu estou mais disposto, eu entro na pista com meu carro, que é um carro de rua, e faço umas arrancadas, para
matar a vontade.

- Por falar em filhos, você conta hoje, com a confiabilidade de algumas pessoas que te ajudam a administrar o Mega Space, nós gostaríamos que você falasse um pouco sobre isso, afinal é muito interessante ver uma família trabalhar unida como vocês trabalham.

Isso é um sistema de criação. Eu fui criado trabalhando desde muito cedo e quis passar para minhas filhas esta mesma maneira de vida! Elas trabalham comigo desde cedo e hoje cada uma delas ocupa uma posição em variadas funções. Uma no Mega Space,outra com empreendimentos imobiliários, a outra na parte de alimentação do próprio Mega Space.Preciso contar com elas, porque preciso de alguém para me ajudar. Não dou conta de tudo sozinho.

- Calixto, você hoje, conta com quantos funcionários no Mega Space?

O Mega Space conta com uma equipe de manutenção permanente, de 40 pessoas. Em determinados momentos de obras, chegamos a 80 pessoas trabalhando diariamente. Para os momentos de eventos é diferente. Existem eventos em que trabalham 600 pessoas.

- Foi surpreendente a acolhida do evento da Igreja Universal por causa de uma novidade, onde você
cumpriu com o sonho de acolher em um novo espaço, 1.200 ônibus, fala para a gente sobre este novo
"Mega Espaço" para estacionamento:

Cada dia mais o problema de trânsito, o tráfego de carros, atinge as cidades. Quando se tem um grande evento, fica super intenso ou quase inviável. Sendo assim, as pessoas começaram a optar por transporte coletivo por vários motivos. Um deles é o problema da bebida. As pessoas bebem em festas, preferindo vir ou ir de ônibus. O segundo motivo é o conforto. Junta-se um grupo de pessoas que entra no clima da brincadeira, fazendo uma viagem mais agradável.

Com isso, o volume de ônibus vem aumentando. O ônibus não pode ficar na rua, porque o problema maior
é quando a pessoa quer ir embora e não sabe onde encontar seu ônibus. Fica todo mundo perdido, porque desce na porta, mas não sabe onde o seu ônibus irá estacionar. Daí veio a necessidade de comprarmos uma área anexa ao Mega Space pra fazermos este estacionamento. E neste estacionamento hoje cabem em média 1.200 ônibus, e pode não ser suficiente, já que tivemos um evento com 2 mil ônibus. Então estamos providenciando mais um espaço que possa comportar mais 1.000 ônibus. Penso que a cada dia aumenta mais o uso deste tipo de transporte.

- Ficamos sabendo que este ano de 2010, o Mega Space vai bater o recorde em público. Qual a sua expectativa para receber este público?


No Mega Space, sem eventos vultosos, como os que temos tido, já passaram mais de 1 milhão de visitantes. Eu acredito que só neste ano de 2010, devemos nos aproximar deste volume que foi o histórico do Mega Space, nestes sete anos de existência.

- Calixto, ouvimos dizer que você é um homem que trabalha muito e seus funcionários confirmam que você sabe de cada detalhe com relação ao funcionamento de suas empresas. Qual o segredo de tanta energia?

Primeiro é gostar do que faz. Não se fazer coisas motivado só pelo ganho do dinheiro. Temos que procurar um negócio que gostamos para se fazer bem-feito. E tanto no Mega Space, quanto nas outras empresas e com relação à tudo que fiz na vida, até mesmo durante o tempo que fui prefeito, eu me empenho em tudo. Quando eu era prefeito, larguei as empresas de lado. Fui cuidar da Prefeitura e as minhas empresas ficaram mal, pessimamente e hoje como não tenho prefeitura sou 100% dedicado ao Mega Space e demais empresas.

Então, eu estou apenas fazendo o que gosto e acredito. Por maior esforço que isso possa parecer, é um esforço agradável. Mesmo trabalhando muito, acho bom. Eu apenas procuro entender de tudo um pouco. Costumo dizer que não sou especialista em nada, mas sou um "meia colher" em tudo.

Comecei esta experiência jovem, consertando rádio. Depois tive que fazer a minha lambreta, minha motocicleta de corrida. Eu mesmo tinha que fazer, não tinha oficina especializada, não tinha peças, não tinha estas oficinas maravilhosas que tem hoje, então você acaba desenvolvendo esta habilidade, um pouquinho de criatividade que somada à necessidade de querer "ter" sem "poder", financeiramente ter, você tem que se virar e aprender fazer.

Foi o que aconteceu comigo; aprendia fazer parede, ser rádio técnico, afinador de motor, adaptador de motor em quadro de suspensão, para depois pilotar de lá para cá nesta caminhada. Hoje estou aprendendo a fazer eventos, a lidar com grandes públicos e outras coisas mais. Quando na necessidade você não pode pagar por grandes especialistas, só te resta uma opção; estudar sobre o assunto, conversar sobre, indagar a quem sabe muito e tentar fazer, errando menos. Mesmo que você erre, é um erro de aprendizado, válido.

- Neste desenvolvimento de criatividade, Calixto, tem um lado artístico muito interessante seu, que aflorou, e te levou a composição do Hino Oficial da Cidade de Santa Luzia, sambas-enredos para os carnavais, quando prefeito.


Sim...volto naquilo; eu era inteiro quanto a ser prefeito e eu tinha que pensar em tudo com relação a cidade.
Não pensava em mim, nem na família, muito menos nas empresas: pensava na cidade. A cidade não tinha um Hino, de fato, usavam uma melodia de uma canção Italiana, meio sacra, que ao meu ver não atendia ao perfil de Santa Luzia.

Eu tinha um grande e saudoso amigo, Eustáquio Sena, que era músico e compositor e num dia, tomando umas e outras, resolvemos fazer esta música, depois fizemos uma para a data de 7 de Setembro, depois em homenagem ao motociclismo, depois para campanha de prefeito...enfim tudo vem da vontade. Eu gosto de fazer coisas diferentes e eu gostava de "estar prefeito". Faltava música, eu a fazia, faltava professor para treinar o profissional funcionário público, eu virava professor... Tento me aprofundar em tudo que empenhei a minha responsabilidade.

- Gostaria de encerrar esta entrevista pedindo que você deixasse um recado especial para os internautas do Portal Vrum e do Canal Mega Space, baseado nesta experiência fantástica de vida.

Primeiramente gostaria de parabenizar a todos que são responsáveis pelo VRum, pelo nível de reportagem e informações tão lúcidas e úteis, dos conselhos de transferência de experiência, tanto do Bóris, quanto ao apresentador do programa de televisão e a apresentadora, que passam à sociedade informações de imensurável importância. Tenho visto que o Vrum vem superando as expectativas de um portal de um programa de televisão, a até mesmo no Jornal Estado de Minas, e que hoje supre uma lacuna que existia; um canal pra você interagir com pessoas que entendem de automobilismo, esclarecer dúvidas, se atualizar, saber vantagens e definir problemas deste ou daquele carro, e quero agradecer a Mega Space tem muito a ganhar e pode também somar alguma coisa a este portal importante do Vrum, cedendo informações sobre um local que sem duvida alguma consegue aglomerar mais e mais pessoas, de nível interessante, educadas, reunidas num evento tradicionalmente conhecido que são as Mega-Quintas; modelo esse que foi copiado por vários estado do Brasil, como Brasília, São Paulo, Curitiba, Rio Grande do Sul

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