Publicidade

Estado de Minas

Moto Resgate - Anjos de plantão

bombeiros de Minas implantaram o serviço com equipamentos e pilotos treinados, que reduzem o tempo de atendimento, aumentando significativamente as chances de salvamento


postado em 16/11/2008 17:53

Cabo Ivo e sargento Rogério saem em dupla pela cidade prestando socorro de emergência(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 6/11/08)
Cabo Ivo e sargento Rogério saem em dupla pela cidade prestando socorro de emergência (foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 6/11/08)
Luzes piscando, o som da sirene, além de mãos amigas, são visões que um acidentado deseja o mais rápido possível. Para reduzir drasticamente o tempo de demora entre o chamado pelo número 193 do telefone e o efetivo atendimento, nas mais diversas ocorrências que realiza diariamente, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais implantou, em setembro, inicialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o serviço avançado de moto resgate, que, por sua facilidade de locomoção, é capaz de chegar ao local solicitado, com equipamentos de socorro e pessoal treinado, muito mais rapidamente.

Segundo o coronel Cláudio Teixeira, ex-comandante operacional da corporação, nos horários de pico no trânsito engarrafado das cidades, uma ambulância, mesmo com a boa vontade dos motoristas, pode levar até 22 minutos no deslocamento, enquanto a moto gasta oito minutos. A expressiva diferença pode significar a vida do acidentado. O novo serviço conta com 10 motos Honda Falcon 400, totalmente equipadas e distribuídas para cinco duplas, espalhadas de forma estratégica nos batalhões e postos avançados dos bombeiros pela cidade, onde a demanda é historicamente maior.

Quando o atendimento é solicitado, um analista faz a triagem e verifica por meio do computador, com um mapa da cidade integrado, qual dupla de motos está mais próxima para ser acionada via rádio. O coronel Teixeira, motociclista nas horas vagas e que fez questão de pilotar uma das unidades no período de treinamento e implantação do serviço, explica que pela agilidade, as motos também atendem em locais de difícil acesso, em aglomerados, onde a ambulância não entra pelo tamanho, em trilhas, resgatando caminhantes, treieiros e no combate a queimadas, por exemplo.

As motos são equipadas com fortes luzes extras vermelhas na dianteira e traseira, sirene com quatro toques, rádio ligado no capacete e na central, celular, extintor, antenas anticerol, além do baú com equipamentos. Uma das motos vai com material de imobilização e ferimentos, gases, desinfetantes, talas, colar cervical, além de cordas e até equipamentos para rapel. A outra vai com material cardiorespiratório, como desfibrilador, oxímetro e respirador manual para adultos e crianças. As duas juntas dão suporte ao acidentado, com os pilotos paramédicos, até a ambulância, helicóptero ou outro resgate chegar, se for o caso.
O advogado Ozéias é atendido depois de sofrer acidente com moto, mas sem gravidade
O advogado Ozéias é atendido depois de sofrer acidente com moto, mas sem gravidade

O coronel relata que os Bombeiros realizam cerca de 250 atendimentos por dia, nas mais diversas modalidades. Desses, 35, ou 14%, são com motociclistas, quase sempre jovens, entre 18 e 30 anos, necessitando de longa internação hospitalar e período de recuperação, provocando um grande problema econômico e social. Sem trabalhar, deixam em dificuldades a família e geram pesados custos ao estado. Já se registrou, por exemplo, uma inédita colisão entre três motos. Para reduzir esse fenômeno, o coronel estuda uma ampla campanha de conscientização, envolvendo todos os setores e segmentos envolvidos.

Relata também, que as motos já fizeram parte dos bombeiros, de 1927 à década de 1950, quando Harley-Davidsons com sidecars transportavam bombas de pressão para serem conectadas aos hidrantes. E afirma que os ótimos resultados com as motos resgate atuais serão estendidos a outras cidades de maior porte em Minas, com a aquisição de mais 10 unidades e o aparelhamento das atuais com o sistema de GPS, para acelerar ainda mais os deslocamentos. Os pilotos das motos, selecionados entre os próprios bombeiros, recebem um intenso treinamento, com técnicas de pilotagem no asfalto e na terra, em diversos cursos em Minas e outros estados.

NO OLHO DO FURACÃO
Acompanhamos de moto a dupla composta pelo sargento Rogério Rocha, há 21 anos nos bombeiros, e o cabo Ivo Rodrigues, com 14 anos de corporação. De cara, um atendimento na Avenida Afonso Pena, Centro, onde o motoboy Wladimir Rocha, de 21 anos, bateu no carro do aposentado João Batista Santana. Com escoriações leves, o rapaz foi liberado. No Posto de Atendimento do Barreiro, para onde fomos em seguida, a coisa se complicou. O alarme tocou e as motos saíram junto com a ambulância para atender a um atropelamento. Na primeira esquina, a ambulância já ficou para trás e sumiu, comprovando a agilidade do serviço. De volta ao posto, um novo chamado, dessa vez mais light e perto.

O advogado Ozéias Martins, 31 anos, caiu depois de ser fechado e derrapar na areia. Mal havia levantado e o resgate já estava lá, acionado por uma policial que viu o acidente. Mãos e joelhos feridos, além da moto Strada avariada. Porém, lamentava mesmo, a calça e a camisa, compradas havia uma semana, já danificadas. Ao rodar, fazem sinais para mostrar buracos e usam toques de sirene diferentes para realçar. Já fizeram parto, desatolaram cavalo em fossa, entraram com a moto em estações de metrô, socorreram tombos de laje, soterramento, choques, tiros e facadas e até o mesmo motociclista duas vezes. Uma em cada joelho, comprovando uma triste estatística. Os campeões de atendimento são os acidentes de trânsito.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade