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Estado de Minas ENCONTRO MARCADO COM A ONÇA

Colocamos a Yamaha XTZ 150 Crosser para rodar em trechos precários da Transpantaneira

A Yamaha XTZ 150 Crosser ED, modelo 2017, foi ao santuário do felino, no Pantanal brasileiro, percorrendo quilômetros por terra e asfalto, incluindo a Transpantaneira


postado em 28/11/2016 11:20 / atualizado em 12/12/2016 15:36

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
De Porto Jofre (MT) - Riscar o mapa com uma moto grande, cheia de mordomias, parece ser a receita mais fácil. Porém, para ligar o ponto A ao B em duas rodas não há um padrão e a fórmula pode ter ingredientes ainda mais desafiadores, como percorrer mais de 2.500 quilômetros para conhecer o pequeno modelo “estilo” fora de estrada XTZ 150 Crosser ED 2017, em um roteiro ligando Guarulhos, em São Paulo, a Porto Jofre, no Mato Grosso, no coração do Pantanal, final da castigada rodovia Transpantaneira, e também para marcar um encontro com o terceiro maior felino do mundo: a onça-pintada.

A Crosser 150 no pátio da Yamaha (idealizadora da expedição), em Guarulhos, Grande São Paulo, tinha menos de um quilômetro rodado. Atravessar o caótico trânsito da maior cidade do Brasil, rumo à Rodovia Castelo Branco e ao Oeste do estado, já serviu para amaciar o motor de um cilindro flex, com 12,2cv (gasolina) e 12,4 (etanol). São Paulo foi ficando para trás, mas o intenso trânsito não. Nessa etapa de 460 quilômetros rumo ao pernoite em Assis, com pista dupla impecável e pedágios livres para motos, exigindo o máximo do motor novinho, o consumo ficou na casa dos 25km/l.

ESTRADÃO Uma região agrícola desenvolvida e a curiosa cidade de Bofete ficaram pelo espelho. Mais solto, mesmo exigindo 100%, o consumo estabilizou em mais de 30km/l. Com uma posição de pilotagem mais reta, típica das motos mistas, mas com banco em dois níveis, foi necessário abaixar o corpo para ganhar velocidade. A região dos “presidentes”, com as cidades de Presidente Prudente, Bernardes, Venceslau e Epitácio, ficaram para trás, e ao cruzar o majestoso Rio Paraná, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, a moleza da pista dupla acabou, junto com o festival de pedágios pagos.

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
Até Nova Alvorada do Sul, para novo pernoite, mais 461 quilômetros. A paisagem alterou para pastos com gado, relevo mais ondulado, belo pôr do sol, além de verdadeiro bombardeio de insetos na parte noturna. O terceiro dia mudou o rumo para o Norte, pela BR-163, que mesclou trechos de pistas simples e duplicadas, margeadas por extensas plantações. A meta era Coxim, a 380 quilômetros, com escala em Campo Grande, para conhecer o aquário de quarentena de 171 espécies e mais de 10 mil peixes, a maioria do Pantanal, esperando a conclusão do espaço definitivo, que será um dos maiores do mundo.

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
Pé na lama e o coração na boca

Até Coxim, novo trecho noturno e aplicação de um truque. Com o lampejador, é possível acionar juntas as luzes alta e baixa, ampliando a visibilidade, com pista livre à frente. O quarto dia, em direção a Rondonópolis, começou com um desvio de 130 quilômetros para Leste, para visitar o Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, com inscrições rupestres, em Alcinópolis. De lá, mais 40 quilômetros de areião, conferindo o novo arranjo da suspensão traseira, tipo mono, que ficou 10 milímetros mais alta. Na volta, caminho inverso, muito vento lateral e o corpo quase anestesiado de tanto espremer o acelerador.

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
Até Rondonópolis, já no estado do Mato Grosso, outros 250 quilômetros, grande parte duplicado, com retas e plantações de soja sem fim e outro truque. Conta-giros analógico em 8.000rpm e a troca de vácuo com os companheiros da viagem para andar mais rápido. Novamente, fim de trecho noturno, desta vez acompanhado de muita chuva. O Pantanal já estava ali em Poconé, a “somente” 319 quilômetros, em um arco rumo ao Sul, beirando a Chapada dos Guimarães e Cuiabá, passando por muito calor e trânsito absurdo de caminhões graneleiros, em estrada com obras. Porém, a real diversão iria começar.

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
TRANSPANTANEIRA Foi criada para ligar Cuiabá a Corumbá, mas nunca foi completada. De Poconé a Porto Jofre são 147 quilômetros e 120 pontes. Quase todas de madeira, em estado precário. Logo no início, com ajuda de guias, um raro prêmio. O encontro com a dona onça e seu filhotão. Seguindo em frente, a estrada vai piorando. Na altura do Rio Pixaim, o barqueiro Josué Lopes, o Peixinho, parece falar com os bichos. Tem o gavião Alemão, a garça Mariana, a ariranha Cicarelli, o jacaré Lula, que também perdeu um dedo, além da coruja João Curutu, que descansa durante o dia. A lama pegajosa é mais um desafio. Entope e trava o para-lama dianteiro, obrigando sua retirada. Adiante, novo encontro. Desta vez, sozinho. A onça estava lá, na beira da estrada, a poucos metros. Como motociclistas devem ser indigestos, voltou para o mato, junto com meus batimentos cardíacos. Para fechar o dia, mais um encontro, desta vez com toda a expedição.

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
RÁDIO ONÇA O pantanal é a maior planície inundável do mundo e um santuário ecológico, abrigando o maior número de aves do continente, 80 espécies de mamíferos, 50 de répteis, centenas de espécies de peixes e milhares de insetos. No topo desta cadeia alimentar está a majestosa onça-pintada, que se alimenta de tudo e tem a mordida mais forte entre os felinos. Nada e sobe em árvores muito bem e na mata fica invisível, com sua camuflagem. Pode chegar a mais de 160kg e a 2 metros, fora a cauda. Continua muito caçada, porém a sua observação tem atraído turistas de todo o mundo, além de recursos, contribuindo para sua proteção. Nas imediações de Porto Jofre, no Rio Cuiabá, está o Parque Estadual Encontro das Águas, que tem a maior concentração de onças do planeta e uma rede de barcos para observação. Quando uma é avistada, a “rádio onça” entra em ação e os demais barcos e lanchas se reúnem para o safári fotográfico.

(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(foto: Johanes Duarte/Yamaha)
(*) Viajou a convite da Yamaha

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