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Estado de Minas

Quarentona de formas discretas

Primeiro automóvel nacional, DKW Vemaguet marcou época e ainda hoje tem admiradores. Em 1964, modelo ganhou a série 1001, que trouxe novo sistema de abertura de portas


postado em 23/07/2006 10:11

(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
O primeiro veículo fabricado no Brasil, em 1956, foi o Romi-Isetta, que não era considerado automóvel por ter apenas uma porta. Foi a Vemag S/A - Veículos e Máquinas Agrícolas que produziu o primeiro automóvel brasileiro em 1956. A perua DKW-Vemag, ou Vemaguet (chamada inicialmente de Universal) era equipada com motor de dois tempos, tricilíndrico, de 900cm³ de cilindrada, com 38cv de potência. O motor não tinha válvulas e a lubrificação era feita com a mistura óleo/gasolina. Outro destaque da Vemaguet era o sistema de roda livre, que, ao ser engatado, soltava o motor quando o motorista tirava o pé do acelerador. Reduzia o consumo, mas anulava o freio-motor.

Modelo de 1964 passou por modificações de estilo, ganhando novas maçanetas das portas, que passaram a se abrir de forma convencional, aposentando o estilo dechavê

Em 1959, a linha Vemag teve a cilindrada do motor aumentada para 1.000 cm³ e a potência para 50 cv. Em 1964, as portas (que se abriam no sentido contrário e ganharam o apelido de dechavê ) passaram a se articular na forma convencional.
Traseira: linhas retas, discretas lanternas e pára-choque cromado(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
Traseira: linhas retas, discretas lanternas e pára-choque cromado (foto: Marlos Ney Vidal/EM)

A Vemaguet (e o sedã, o Belcar) fez sucesso porque levava seis pessoas sem dificuldade. E até hoje existem admiradores do modelo, que ajudam a preservar a história da marca. É o caso do administrador de empresas Ricardo Luiz Cardoso, que tem como carro de uso diário uma Vemaguet 1001, de 1964. Ele comprou o automóvel há pouco mais de um ano e conta que só precisou trocar os pneus. A perua é toda original. Mas a história de Ricardo com a Vemaguet é mais antiga. Meu pai teve uma quando eu era criança. Por isso, sempre tive vontade de ter um exemplar, disse. Mas ele acabou comprando duas, a 1001, de 1964, e outra, de 1963, com portas dianteiras do tipo dechavê. Esse modelo ainda em fase de restauração.

Conforto

Para Ricardo, a Vemaguet é confortável, precisa de pouca manutenção. Chama a atenção somente de homens que gostam de carros antigos. É um carro anti-mulher. Elas normalmente nem olham. Minha mulher entrou pouquíssimas vezes na Vemaguet, conta o administrador. Ele usa a perua para ir ao trabalho e só nas viagens dirige o carro da mulher.

A perua tem linhas arredondadas, faróis de aros cromados e apenas duas portas, que se abrem no sentido convencional. A tampa do porta-malas, que é bem espaçoso, se abre em duas partes. Por dentro, o carro tem bancos revestidos em tecido e painel em metal pintado. O câmbio de quatro marchas fica na coluna de direção e a alavanca do freio de estacionamento sob o painel, do lado direito do motorista. O volante tem o estilo da época: é fino, em baquelite, com aro central cromado.

É uma perua que ainda tem o seu charme, apesar de já ter passado dos 40 anos. Suas formas encantam aqueles que lembram de forma saudosista os primeiros passos da indústria automobilística no Brasil.

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