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Estado de Minas

Tubarão de fibra

Belo exemplar do Puma GTE de 1972 preserva formas aerodinâmicas que fizeram sucesso nos anos 70, quando a indústria nacional produziu veículos esportivos


postado em 23/07/2006 10:45

Esportivo com carroceria de fibra de vidro tem linhas aerodinâmicas, com frente em cunha e estilo que fez muito sucesso na década de 70, inclusive em competições(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
Esportivo com carroceria de fibra de vidro tem linhas aerodinâmicas, com frente em cunha e estilo que fez muito sucesso na década de 70, inclusive em competições (foto: Marlos Ney Vidal/EM)
É difícil encontrar aficionado por automóveis que não se lembre dos esportivos de fibra feitos no Brasil a partir de meados da década de 1960. Até então, só se viam esportivos importados, que custavam muito caro. Mas aos poucos foram surgindo pequenos construtores, que, com criatividade e bom gosto, passaram a oferecer aos consumidores brasileiros modelos que tinham, no mínimo, visual esportivo. Esses carros se transformaram em sonho de consumo de gerações de jovens, que diziam com brilho nos olhos: "Um dia vou ter um carro desses!"



A Puma surgiu em 1964 como um sonho de Rino Malzoni e transformou-se em referência nacional e internacional no segmento de esportivos. O protótipo esporte idealizado por Malzoni foi o início do projeto encampado por Milton Masteguin, Mário César Camargo Filho e Jorge Lettry. Eles formaram uma sociedade, denominada Automóveis Lumimari Ltda, que tinha uma oficina na Avenida Presidente Wilson, em São Paulo.

Os primeiros carros feitos pela equipe foram denominados DKW-Malzoni e usavam motor de três cilindros de 60 cv de potência. A carroceria era feita em fibra de vidro, bem mais leve que as chapas de aço, e compensava a pouca potência do motor. O carro participou de várias competições, obtendo bons resultados. Em 1966, a empresa adotou a razão social Puma Veículos e Motores Ltda e o DKW-Malzoni recebeu o nome de Puma GT.

Karmann Ghia
No ano seguinte, a Volkswagen absorveu a Auto Union, e a Vemag (DKW) passou ao controle da montadora alemã. O Puma, que até então tinha mecânica do DKW, começou a ser montado sobre chassi do Karmann Ghia. O motor era o VW 1500, que tinha 60 cv de potência. Depois, em 1970, o Puma GT ganhou motor VW 1600, de 70 cv, que fazia o carro alcançar os 170 km/h de velocidade máxima. Vieram em seguida os kits para aumentar a potência do motor e, em 1971, surgiram as versões 1600 GTS e GTE. Em 1972, foi lançado o Puma GTB, com mecânica de Opala 4.100.
Vidro traseiro retangular e lanternas horizontais são características marcantes no Puma GTE de 1972(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
Vidro traseiro retangular e lanternas horizontais são características marcantes no Puma GTE de 1972 (foto: Marlos Ney Vidal/EM)

O bancário Marco Antônio Leal de Souza é um confesso apaixonado por Puma e há cinco anos conserva um GTE de 1972. Ele lembra que em 1980, quando tinha 17 anos, o pai comprou um Puma 1974. "O carro era o máximo. Era um esportivo que chamava a atenção. Por isso, algumas vezes cheguei a pegá-lo escondido de meu pai", relembra.

Quando viu o Puma GTE 1972 em uma agência em Belo Horizonte, Marco Antônio não teve dúvidas em comprá-lo. O carro tinha alguns problemas na suspensão, que foi totalmente refeita, mas em compensação o revestimento interno estava em bom estado. As rodas de liga leve foram polidas e os retrovisores e lanternas substituídos pelos originais. A pintura original na cor prata foi mantida.

"Para mim, o que mais chama a atenção no Puma é o estilo esportivo. As formas aerodinâmicas e aletas nas laterais, semelhantes guelras, lhe renderam o apelido de tubarão", conta o bancário. Ele destaca ainda a mecânica simples e barata, que facilita a manutenção.

Leia mais sobre o Puma no Veja Também, no canto superior direito desta página.

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