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Estado de Minas

No estilo Bonnie & Clyde

Depois da crise de 1929, Ford passou a equipar modelo quatro portas com motor V8. Colecionador mineiro tem um Phaeton 1933 conversível impecável


postado em 23/07/2006 11:30

Modelo V8 usava o mesmo chassi do Ford A, além de preservar algumas características de estilo do antecessor, como os pára-lamas(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
Modelo V8 usava o mesmo chassi do Ford A, além de preservar algumas características de estilo do antecessor, como os pára-lamas (foto: Marlos Ney Vidal/EM)
No dim da década de 1920, a crise financeira abalou o mundo e as montadoras passaram a buscar opções para conquistar novos consumidores. Em 1932, a recessão tomava conta dos Estados Unidos, e foi nesse cenário que a Ford lançou um automóvel com motor V8 e chassi derivado do modelo A. Vendido com diferentes carrocerias, de duas ou quatro portas, com teto rígido ou capota removível de lona, o Ford V8 tinha preço mais baixo do que os dos Chevrolet, seus principais concorrentes.

As linhas do V8 lembravam as da segunda série do modelo A, principalmente nos pára-lamas curvos, ligados pelo largo estribo. O primeiro motor V8 oferecido no modelo tinha potência de 65 cv, que levava o carro à velocidade máxima de 120 km/h. Depois, foram introduzidas outras duas versões do V8, uma de 2.220 cm³ e outra de 3.620 cm³.

Em Belo Horizonte, um colecionador de veículos antigos tem há 30 anos um Ford Phaeton de 1933, equipado com o V8 de 3.620 cm³, que desenvolve 85 cv de potência máxima a 3.500 rpm e torque máximo de 17 kgfm a 2.200 rpm. Com formas elegantes e detalhes cromados, como a ampla grade do radiador e os faróis redondos, o automóvel de quatro portas preserva a imponência característica dos modelo dos anos 30. Sobre a tampa do radiador, destaca-se um galgo em posição de corrida.
Painel pintado na cor da carroceria e estepe é fixado na traseira, onde não há compartimento para transportar a bagagem(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
Painel pintado na cor da carroceria e estepe é fixado na traseira, onde não há compartimento para transportar a bagagem (foto: Marlos Ney Vidal/EM)

A capota removível é de lona e o estepe fica fixado na traseira do carro, diferente dos modelos anteriores, que tinham o sobressalente entre o pára-lama dianteiro e o estribo. O Phaeton 1933 tem o interior espaçoso, principalmente no banco traseiro, onde sobra conforto para as pernas e ainda é possível acomodar a bagagem, já que na época não havia preocupação com porta-malas. O banco traseiro parece um sofá na sala de estar. Na frente, o painel é pintado na cor da carroceria e tem uma moldura de aço batido agrupando os instrumentos. O fino volante de baquelite preto, de três raios, é outra característica da época.

Muito torque

O câmbio de três marchas tem alavanca no chão, com engates fáceis. Com mais de 70 anos, o Ford Phaeton ainda é um carro interessante de se dirigir. Com potência e torque disponíveis em baixa rotação, o motor tem bom desempenho. Mesmo em terceira marcha, é só pisar no acelerador para que o propulsor responda rápido. A suspensão é macia e garante um rodar confortável.

O carro do colecionador mineiro é semelhante ao usado por Bonnie e Clyde, casal que ficou conhecido pelos assaltos a bancos e assassinatos nos EUA, história real que virou tema de filme. Eles foram fuzilados em 1934, dentro de um Ford V8 quatro portas de teto rígido. Existem relatos de que Bonnie e Clyde escolheram o automóvel para as ações criminosas porque era o de melhor desempenho na época. Há até quem diga que o casal escreveu uma carta para Henry Ford, agradecendo por ter feito um carro tão bom, que corria mais do que as viaturas da polícia.

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