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Estado de Minas

Primeiro de uma série

Símbolo do início da produção da Fiat no Brasil, modelo 147 marcou época e trouxe mudanças para indústria automobilística. Montadora preserva uma unidade de 1978


postado em 24/07/2006 10:29

Com desenho simples, o pequeno 147 introduziu algumas inovações na indústria brasileira, como pneus radiais de série(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
Com desenho simples, o pequeno 147 introduziu algumas inovações na indústria brasileira, como pneus radiais de série (foto: Marlos Ney Vidal/EM)
A Fiat completou, no domingo, 30 anos de produção na fábrica de Betim. É uma data para se comemorar e o símbolo dessa marca alcançada pela montadora italiana é certamente o modelo 147, primeiro carro a sair da linha de montagem em Betim. Era um projeto totalmente italiano, uma evolução do modelo 127.

O Fiat 147 trouxe algumas novidades para a indústria automobilística brasileira e apresentou algumas características que, mais tarde, se tornariam marca registrada da montadora italiana. Foi o primeiro modelo produzido no Brasil equipado com motor transversal, de 1.048cm³ de cilindrada e 47cv de potência, com taxa de compressão de 7,2. O câmbio de quatro marchas, todas sincronizadas, não era seu ponto forte, já que os engates eram imprescisos. A coluna de direção era articulada e o 147 foi o primeiro carro brasileiro ganhar pneu radial de série.

Um dos destaques do modelo era a boa solução de espaço interno, apesar das dimensões externas reduzidas. Essa característica foi transmitida a outros modelos da marca e se transformou em referência no mercado brasileiro. O estepe era instalado no motor, detalhe que contribuía para não comprometer o espaço no porta-malas. O carro pesava 800 quilos e alcançava a velocidade máxima de 135km/h.

Fim da linha
No painel, volante de aro fino e aplique que imita madeira. Já o motor fica na transversal, uma inovação para a indústria nacional(foto: Marlos Ney Vidal/EM)
No painel, volante de aro fino e aplique que imita madeira. Já o motor fica na transversal, uma inovação para a indústria nacional (foto: Marlos Ney Vidal/EM)

Em 1978, o 147 ganhou motor 1.3, que equipava as versões GLS e Rally. No ano seguinte, veio o motor a álcool, o primeiro do Brasil. Derivados do 147, a Fiat fez a Furgoneta (1977) e a picape City (1978). Em 1980, foram lançados a perua Panorama C e a linha Europa, com faróis retangulares. O sedã Oggi, também derivado do 147, foi produzido de 1982 a 1985. O fim da produção do 147 foi decretado em fevereiro de 1987, com um total geral de 524 mil unidades vendidas.

A Fiat não tem a unidade número um do 147, que está na concessionária Milocar, no Rio de Janeiro. Mas, há dois anos, a montadora de Betim ganhou do Veteran Car Club de Minas Gerais um 147 de 1978, que está com 42.600 quilômetros originais. O carro foi restaurado dentro da fábrica, tendo a pintura totalmente refeita e recuperadas as características originais. O retrovisor do lado direito, que não era original, foi retirado e as rodas também foram repintadas.

Internamente, o carro é todo original, com bancos revestidos em curvim preto e volante fino de dois raios. No painel, um adesivo imita madeira. Apesar de o motor ser a gasolina, o carro tem afogador, para ajudar na partida nos dias mais frios. O 147 doado pelo Veteran Car Club é o único na fábrica de Betim e pode ser o primeiro do acervo para a montagem de um museu da marca no Brasil.

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