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Estado de Minas

Para madames e executivos

Chevrolet Opala 4100 Gran Luxo, de 1974, em impecável estado de conservação, tem um detalhe que o torna raro: câmbio automático com alavanca na coluna de direção


postado em 29/08/2006 11:14

Frente com linhas retas e faróis redondos ajuda a compor o estilo robusto do sedã de quatro portas da Chevrolet, que fez muito sucesso na década de 1970. Traseira é marcada por pequenas lanternas retangulares, o bocal do tanque.(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM - 8/5/06)
Frente com linhas retas e faróis redondos ajuda a compor o estilo robusto do sedã de quatro portas da Chevrolet, que fez muito sucesso na década de 1970. Traseira é marcada por pequenas lanternas retangulares, o bocal do tanque. (foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM - 8/5/06)
Houve uma época no Brasil em que o Chevrolet Opala era considerado o carro, sonho de consumo de muitos e privilégio de poucos. O modelo foi produzido de 1968 a 1992, em várias versões e com diferentes opções de motor. Fez sucesso nas ruas e pistas de corrida, nas quais teve seu nome associado aos de grandes pilotos.

O administrador de empresas Alexandre Miranda Mollo é um dos muitos fãs do Chevrolet Opala. Ele lembra que o gosto pelo modelo vem da juventude, época em que ficava fascinado, quando via um Opala desfilando pela rua. Era o que havia de melhor na época, lembra. Alexandre chegou a dirigir alguns modelos, mas demorou um pouco a ter o seu.

Em 1997, com pouco dinheiro para comprar um carro mais novo, acabou encontrando em Mateus Leme (MG) um Opala 4100 Gran Luxo Automatic, de 1974, que tinha sido de um único dono. Sem esconder as marcas do tempo, estava em bom estado e, por isso, o administrador resolveu comprá-lo. Durante alguns anos, o carro foi usado no dia-a-dia de Alexandre, mas passou a apresentar problemas mecânicos e pedia um reparo mais detalhado.

Restauração

Foi então que decidiu restaurar o Opala, resgatando todas as suas características originais. Foram 11 meses de trabalho minucioso e o administrador fez questão de dar atenção especial a todos os detalhes de acabamento. Ele lembra que os emblemas da versão Gran Luxo, um tipo de brasão com o desenho estilizado de uma flor-de-lis, fixados nas laterais, estavam queimados e desgastados. Depois de muito procurar, achei um par novo em São Paulo. Paguei caro, mas estava anestesiado, diante da possibilidade de ver o carro pronto.

Outra dificuldade foi conseguir as calotas cromadas. Primeiro tentou recuperar as que estavam no carro, mas o resultado não foi satisfatório. Por sorte, Alexandre acabou encontrando em Belo Horizonte uma pessoa que tinha as quatro calotas novas, guardadas e embaladas dentro de uma caixa. Depois que o carro ficou pronto, o administrador desistiu de usá-lo no dia-a-dia e passou a freqüentar encontros de antigos.
O Opala é equipado com motor seis cilindros e os bancos inteiriços tem bom acabamento.
O Opala é equipado com motor seis cilindros e os bancos inteiriços tem bom acabamento.

O Opala Gran Luxo dele chama a atenção pela originalidade e pelo impressionante trabalho de restauração. O modelo quatro portas tem desenho que ainda encanta seus admiradores, com frente marcada por linhas retas e faróis redondos. A versão era a topo de linha da época e o teto de vinil preto um charme à parte, junto com os pneus de faixa branca. O interior é rico em detalhes cromados, inclusive nos painéis das portas. No painel frontal, estão instrumentos redondos e um volante fino de dois raios.

Escorrega

Os bancos inteiriços, segundo Alexandre, eram chamados de vem-cá-meu-bem, pois a cada curva os passageiros escorregavam de um lado para o outro, já que os cintos de segurança eram ignorados. Mas o interior do carro é espaçoso e confortável, digno de um modelo topo de linha. Um detalhe que faz desse Opala uma raridade é o câmbio automático de três marchas, com alavanca na coluna de direção. Alexandre considera que, com esse câmbio, o motor seis cilindros de 140cv de potência perde um pouco da esportividade, mas ainda assim responde satisfatoriamente.

O administrador admite que já recebeu propostas para vender o carro, algumas tentadoras, mas afirma que não pretende ceder, pois gosta muito dele. Ele lembra que a campanha publicitária da época para o Opala Gran Luxo afirmava tratar-se de um carro para executivos e madames. E era verdade.

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