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Estado de Minas

Meio século de curta história

Romi-Isetta, o primeiro veículo de produção em série no Brasil, completou 50 anos em setembro. Modelo introduziu o conceito de automóvel compacto e econômico


postado em 29/09/2006 23:31

Quando o modelo deixou de ser produzido na Itália, em 1956, o ferramental foi transferido para o Brasil, onde a Iso fez parceria com a Romi para a produção do Isetta, que foi lançado em setembro de 1956(foto: Fotos: Romi-Isetta/Divulgação)
Quando o modelo deixou de ser produzido na Itália, em 1956, o ferramental foi transferido para o Brasil, onde a Iso fez parceria com a Romi para a produção do Isetta, que foi lançado em setembro de 1956 (foto: Fotos: Romi-Isetta/Divulgação)
Da parceria entre a indústria Romi, brasileira, e a italiana Iso surgia, em 5 de setembro de 1956, o primeiro veículo nacional. Produzido por cinco anos na fábrica de Santa Bárbara dOeste (SP), o Romi-Isetta ganhou mas não levou o título de primeiro automóvel de passeio feito no Brasil. É que o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia) considerava que para ser automóvel deveria ter pelo menos duas portas. Não era o caso do Romi-Isetta, que tinha apenas um acesso frontal. Com isso, a perua DKW, que também teve a produção iniciada em 1956, ficou com o título de primeiro carro nacional.

A empresa italiana Isothermos iniciou suas atividades em 1930 produzindo refrigeradores. Mas depois da 2ª Guerra Mundial, a Iso passou a fazer motonetas, influenciada pelo sucesso da Vespa e Lambretta. No início dos anos 1950, a empresa apresentou um projeto de automóvel com carroceria fechada e capacidade para duas pessoas. Era o Isetta, lançado em 1953, com motor dois tempos de 198cm³ de cilindrada, refrigerado a ar. Dois anos depois, a BMW fez um acordo com a Iso para produzir o Isetta na Alemanha, mas com motores próprios de 250cm³ e 300cm³.

Parceria

Quando o modelo deixou de ser produzido na Itália, em 1956, o ferramental foi transferido para o Brasil, onde a Iso acabara de assinar parceria com a Romi, empresa que desde 1930 fabricava tornos em Santa Bárbara dOeste (SP). Apesar da falta de incentivos fiscais, a Romi iniciou a produção do Isetta, que foi lançado em setembro de 1956, com grande desfile pelas ruas de São Paulo.
Primeiros modelos tinham motor italiano Iso de 200 cm³ e 12 cv e chegavam a 85 km/h. Até corridas em Interlagos a marca realizou para promover o carrinho, nos anos 50(foto: Reprodução da internet/Inventabrasilnet.t5.com.br - 4/10/06 (foto colorida))
Primeiros modelos tinham motor italiano Iso de 200 cm³ e 12 cv e chegavam a 85 km/h. Até corridas em Interlagos a marca realizou para promover o carrinho, nos anos 50 (foto: Reprodução da internet/Inventabrasilnet.t5.com.br - 4/10/06 (foto colorida))

Os primeiros Romi-Isetta eram equipados com motor italiano Iso de 200cm³ de 12cv, refrigerado a ar. Com esse propulsor, o veículo alcançava os 85km/h e apresentava consumo médio de 25km/l. Era vendido por Cr$ 165 mil. Com formas arredondadas, o Romi-Isetta tinha faróis embutidos nos pára-lamas, pára-brisa de acrílico e capota de lona corrediça. Mas a principal característica do modelo era a porta frontal, que ao ser aberta levava junto o volante. Dessa forma, era possível estacionar de frente nas vagas, permitindo que os ocupantes desembarcassem na calçada. O banco era inteiriço e suficiente para duas pessoas.

Mudanças

A carroceria chegava à fábrica da Romi já montada e pintada, no estilo saia e blusa (duas cores), para depois ser fixada ao chassi. Em 1957, o Romi-Isetta foi modificado, ganhando faróis na parte superior dos pára-lamas e motor de 236cm³. Posteriormente, o modelo teve outras pequenas alterações estilísticas, que não foram suficientes para transformá-lo em sucesso de mercado. Em 1959, passou a ser equipado com motor BMW de 298cm³, mas seu final de linha já estava próximo.

Em 1960, o Romi-Isetta já tinha como concorrentes o VW Sedan (Fusca), o DKW Vemag Sedan e o Willys Renault Dauphine, que ofereciam mais espaço, conforto e melhor desempenho. E sem os incentivos fiscais, o preço do Romi-Isetta tornou-se elevado diante da concorrência. Foi, então, que se decidiu pelo fim da produção do modelo, que teve suas últimas unidades montadas em 1961. Nos cinco anos de história, foram produzidas cerca de 3 mil unidades do Romi-Isetta.

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