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Estado de Minas

A prima do Uirapuru

Modelo produzido pela FEI em 1970 está em exposição em Itu (SP). Esportivo FEI X-3 foi batizado de Lavínia em homenagem à primeira-dama e tinha acabamento bovino


postado em 13/10/2006 22:37

Estilo Asa de Gaivota das portas e linhas quadradas compõem o visual futurista do projeto do engenheiro Rigoberto Soler(foto: Fotos: Jesus Perlop/FEI/Divulgação)
Estilo Asa de Gaivota das portas e linhas quadradas compõem o visual futurista do projeto do engenheiro Rigoberto Soler (foto: Fotos: Jesus Perlop/FEI/Divulgação)
O engenheiro espanhol Rigoberto Soler fez carreira no Brasil, primeiro na Vemag, depois na Willys-Overland, até chegar na Brasinca, então conhecida como a fabricante da cabine do caminhão FNM, o popular Fenemê. Lá, ele desenvolveu o primeiro carro da empresa: o X-4200, que ficou conhecido como Uirapuru. O modelo foi apresentado no Salão do Automóvel de 1964, mas a concorrência com os importados norte-americanos emperrou o projeto. Seis anos depois - como coordenador da equipe de desenvolvimento e estudos de pesquisas de veículos da Fundação Educacional Inaciana (Fei) - Soler brilhou mais uma vez no salão com o FEI X-3, chamado de Lavínia. O nome delicado do esportivo com aspecto de bólido de filme de ficção científica foi uma homenagem à esposa do então prefeito de São Bernardo do Campo (ABC paulista), que cedeu a área para a construção do campus.

"A idéia era fazer um Gran Turismo brasileiro, leve e aerodinâmico", conta o coordenador da FEI, Ricardo Bock. Para ele, o grande destaque do veículo é o assoalho curvo, que provoca maior aceleração do ar sob o veículo. A invenção foi simultânea à de Jim Hall, que fez sucesso nas pitas de corrida dos Estados Unidos.

Outro destaque é a estrutura, uma mistura de chassi tubular de aço com monobloco. O freio aerodinâmico permite desacelerações rápidas, pois incorpora uma estrutura retangular na parte superior traseira do carro, que uma vez acionado, aumenta a área de resistência. Bock afirma que o veículo chegou a 240km/h e que a pressão aerodinâmica se concentra na parte traseira quando é superada a velocidade de 160km/h, o que deixa o carro mais estável.
Estrutura retangular na traseira funciona como freio aerodinâmico, eficiente em frenagens de emergência. O carro era amarelo e tinha interior revestido em couro e pêlo de vaca, mas agora é verde e tem acabamento curvim
Estrutura retangular na traseira funciona como freio aerodinâmico, eficiente em frenagens de emergência. O carro era amarelo e tinha interior revestido em couro e pêlo de vaca, mas agora é verde e tem acabamento curvim

Toda essa velocidade foi alcançada com um motor 1.0 turbinado e uma transmissão de cinco velocidades. Para agüentar a pressão na carroceria, a estratégia foi usar uma técnica semelhante a que os ciganos usam para moldar seus vasos. Bock explica que foi feito um molde em madeira e as chapas de aço foram batidas com martelo. Apesar de as chapas serem finas, o carro pesa 1,1 mil quilo.

Vaca amarela

Se o exterior preza pelo esmero, o acabamento interno tem gosto duvidoso. Na versão original, o carro foi totalmente revestido com couro e pêlo de vaca. Bock diz que nos bancos e portas havia o couro quase sem tratamento. No painel e nos detalhes o pêlo de vaca fazia às vezes de artigo de luxo. "Quem sentava lá se sentia um bezerro", brinca Bock. Porém, dois anos depois do lançamento, o acabamento interno foi substituído por curvin e a cor original - amarela - foi trocada por verde, com detalhes em branco e dourado. Quem quiser conferir pode ir ao Road Shopping, na rodovia Castelo Branco, em Itu-SP, onde o veículo ficará exposto até 5 de novembro.

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