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Estado de Minas

É pura elegância

Feito em São Paulo, no fim da década de 70, Concorde foi inspirado em clássicos modelos das marcas americanas Duesenberg e Cord, e tem mecânica do Ford Galaxie


postado em 21/10/2006 00:20

Com carroceria em fibra de vidro, automóvel tem estilo sofisticado e vários detalhes cromados, como a robusta grade dianteira(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM - 18/10/06)
Com carroceria em fibra de vidro, automóvel tem estilo sofisticado e vários detalhes cromados, como a robusta grade dianteira (foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM - 18/10/06)
Não há como negar: os automóveis feitos nas décadas de 1920 e 1930 chamavam a atenção pela elegância e primor nos detalhes. Suas belas formas serviram e ainda servem de inspiração para os profissionais de design. Em 1978, a Indústria de Automóveis Especiais, com sede em Vinhedo (São Paulo) de propriedade do colecionador de antigos João Storani, iniciou a produção de um interessante modelo com carroceria de fibra de vidro, que teve suas linhas inspiradas nos belos automóveis americanos das marcas Duesenberg e Cord, os preferidos dos ricos e famosos.

Trata-se do Concorde, um automóvel de linhas clássicas, montado sobre o chassi do Ford Galaxie, porém com as longarinas alongadas em cerca de um metro e um pouco mais estreito. Não se tratava de uma réplica, mas sim uma releitura fiel dos carros feitos nas décadas de 1920 e 1930. O foco principal era produzir o modelo e exportar os kits para os Estados Unidos, onde seria montado com mecânica do Lincoln Continental. Mas o negócio não deu certo e a produção foi encerrada cinco anos depois. Há informações de que teriam sido produzidas cerca de 20 unidades do modelo, das quais restaram apenas 10 no Brasil.
Capota de lona tem estrutura de metal e pode ser recolhida e guardada em compartimento atrás do banco dianteiro. Sobre os estepes, nas laterais, estão fixados os espelhos retrovisores e, na traseira, um suporte tipo grade para bagagem
Capota de lona tem estrutura de metal e pode ser recolhida e guardada em compartimento atrás do banco dianteiro. Sobre os estepes, nas laterais, estão fixados os espelhos retrovisores e, na traseira, um suporte tipo grade para bagagem

Em Minas Gerais, há três exemplares do Concorde e um deles, a unidade 007, ano de fabricação 1981, pertence ao construtor José Augusto Alkmim, que comprou o carro em São Paulo há alguns anos. O automóvel fica sob os cuidados de Luiz Pinto, que fez pequenos reparos na cromagem e adaptou a descarga dupla. Mas José Augusto não abre mão de usar o carro e, nos fins de semana, costuma tirá-lo da garagem, para um agradável passeio.

Detalhes

O Concorde tem a frente robusta, com uma imponente grade cromada em V, um belo jogo de faróis redondos e uma mulher alada sobre a tampa do radiador. Os pára-lamas largos e ondulares formam um interessante conjunto com o estribo, e de cada lado há um estepe, sobre os quais estão fixados os espelhos retrovisores. Na traseira, em forma de cunha, existe um pequeno porta-malas e um bagageiro externo, que pode ser recolhido.

O modelo de dois lugares tem capota de lona, que, ao ser recolhida, é guardada em compartimento atrás do banco inteiriço. O interior é revestido em couro bege e o painel e volante são de madeira. O motorista tem ao seu dispor velocímetro, conta-giros e marcadores de pressão do óleo, temperatura da água e nível de combustível. O espaço interno não é dos mais avantajados, mas suficiente para motorista e passageiro curtirem uma verdadeira viagem no tempo.

O ideal é dirigir o carro com a capota arriada, pois assim fica mais fácil ouvir o agradável ronco do motor V8 de 302 polegadas do Galaxie. Com a capota fechada, fica apertado, principalmente se o motorista tiver mais de 1,70m de altura. O câmbio é automático de três marchas, com alavanca na coluna de direção, e as suspensões são independente na dianteira e com eixo rígido na traseira, proporcionando um rodar macio e prazeroso. Outro detalhe que faz referência aos automóveis do passado são as rodas raiadas, com pneus de faixa branca. E, para segurar o carro, sistema de freios com discos na dianteira e tambores na traseira. É um belo automóvel com uma mecânica que faz jus ao conjunto.

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