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Estado de Minas

Grande porrete ianque

Chevrolet Impala de 1964 é um dos carros que foi doado pelo governo americano para a polícia paulista. Automóvel pertence a colecionador mineiro, que o transformou


postado em 26/11/2006 12:30

Das competições de arrancada em Goiás, o automóvel veio para Minas Gerais, onde foi restaurado e caracterizado como viatura policial de Dakota do Sul, nos EUA(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM - 16/11/06)
Das competições de arrancada em Goiás, o automóvel veio para Minas Gerais, onde foi restaurado e caracterizado como viatura policial de Dakota do Sul, nos EUA (foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM - 16/11/06)
A Aliança para o Progresso foi instituída por John Kennedy, em 1961, com o objetivo de barrar o espectro da Revolução Cubana nos outros países da América Latina. A ajuda financeira e material incluía de tudo, de bambolês e gomas de mascar a carros para a polícia. Provavelmente, nessa leva veio o Chevrolet Impala 1964 que pertence ao colecionador Randolfo Diniz Neto. Ele comprou o automóvel que participava de competições de arrancada em Goiás, mas conta que o antigo dono garante que a procedência é militar. Mesmo sem comprovação documental, o passado veio a calhar e ajudou Randolfo a realizar um sonho de infância: transformar um carro de verdade em brinquedo. Quando tinha 7 anos, ganhei de presente do meu pai um carrinho de brinquedo, que é um Impala da polícia dos Estados Unidos, que tenho até hoje, conta o colecionador.

Quando comprou o Impala, há cinco anos, o objetivo era torná-lo idêntico aos veículos da polícia norte-americana. Além de conhecer o de brinquedo como a palma da mão, Randolfo estudou nos Estados Unidos, na década de 70, no estado de Nebraska, próximo ao estado de Dakota do Sul e, por isso, caracterizou seu Impala com as cores símbolos da polícia rodoviária de Dakota do Sul. Tinha um amigo policial rodoviário e cheguei a fazer duas patrulhas no Impala em que ele trabalhava, afirma. Porém, o carro já era de outra geração, bem diferente do modelo 1964 que restaurou.
Longa traseira tem pára-choque cromado e pequenas lanternas. A sirene do teto teve que ser importada dos Estados Unidos. Já o grande volante de aro fino e dois raios se destaca no painel
Longa traseira tem pára-choque cromado e pequenas lanternas. A sirene do teto teve que ser importada dos Estados Unidos. Já o grande volante de aro fino e dois raios se destaca no painel

As principais modificações feitas no automóvel são os rostos dos presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln esculpidos no Monte Rushmore e que foram pintados nas portas, no capô e na tampa do porta-malas, junto com a inscrição da polícia de Dakota do Sul sobre as cores azul e branca, assim como os carros de polícia daquele estado. Além da pintura que imita a original, o carro conta com sirene, e, em breve, segundo Randolfo, ganhará um rádio PX. Tive que trazer a sirene dos Estados Unidos, pois, além de importada, é diferente das atuais, lembra o colecionador. O acionamento da sirene é feito por uma alavanca no painel e o ritmo ditado por um pedal. Equipado com o motor original, um oito cilindros que rende 182cv de potência, o Impala tem dois faróis nos lugares dos tradicionais retrovisores, os spot-light, que receberam o jocoso apelido de caça-mulata no Brasil.

História

O Impala de 1964 se caracteriza pelo design sóbrio e foi o último dos clássicos do modelo lançado em 1957. O sedã, que mais se assemelha a uma imensa banheira, entrou na década de 60 como o automóvel mais vendido dos EUA e em 1965 bateu o recorde da indústria automobilística americana, com um milhão de unidades vendidas. Entre 1960 e 1969, vendeu 7,8 milhões de unidades, mas perdeu espaço para carros menores, que visavam competir com os menos extravagantes europeus. O sucesso do modelo tornou-o um dos reis da miniatura. Além do carro de polícia igual ao do Randolfo, foram feitas cópias de Impala vestido de táxi, carro de corrida da Nascar e versões de luxo, com acabamento primoroso.

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