Publicidade

Estado de Minas

Elegância pós-depressão

Nos anos 30, a Packard era uma marca de prestígio nos Estados Unidos e conquistou os consumidores com belos automóveis, como o conversível 840 Deluxe Eight Victoria


postado em 02/12/2006 16:49

Desenho mescla linhas esportivas e clássicas(foto: Fotos: Simon Clay/Monterey Jet Center/Divulgação)
Desenho mescla linhas esportivas e clássicas (foto: Fotos: Simon Clay/Monterey Jet Center/Divulgação)
Depois da crise financeira de 1929, nos Estados Unidos, a economia mundial e a indústria automobilística passaram por transformações. Os efeitos da Depressão foram os mais diversos e as montadoras tiveram que se adequar à nova realidade, fazendo alterações em seus modelos para atender as necessidades dos consumidores. Mas a Packard não teve tanto tempo para se adequar e, em agosto de 1930, introduziu a Series Eighth, com motores mais potentes, apresentando o 734 Speedster Deluxe.

Naquela época, a Packard era considerada uma marca de prestígio na América e seus modelos conquistavam um número cada vez maior de admiradores, graças ao potente motor oito cilindros, à qualidade do chassi e à excelência dos materiais usados na construção dos seus automóveis. A imagem positiva dos carros da marca era reforçada na campanha publicitária da montadora: Pergunte a quem tem um.

Acabamento

As carrocerias dos modelos eram feitas por empresas especializadas, que empregavam todo o luxo no acabamento. Apesar disso, a Packard foi obrigada a reduzir os preços de seus automóveis para manter a clientela. O sedã 840 para cinco passageiros, por exemplo, foi lançado com preço 15% menor que o primeiro modelo da Series Eighth.
Modelo da década de 30 tem acabamento sofisticado e interior espaçoso, graças à grande distância entre-eixos, característica do encarroçador Waterhouse. Já o motor tem oito cilindros em linha
Modelo da década de 30 tem acabamento sofisticado e interior espaçoso, graças à grande distância entre-eixos, característica do encarroçador Waterhouse. Já o motor tem oito cilindros em linha

Mas um dos modelos mais interessantes da Packard da década de 30 foi o conversível Victoria, com carroceria feita pela Waterhouse, de Massachussets. A carroceria foi projetada em 1928 para ser apresentada no Salão de Paris. Com um desenho considerado especial para a época, o modelo trazia algo de esportivo, mas ao mesmo tempo refinado e elegante. Tinha ainda algumas características marcantes dos modelos feitos pela Waterhouse, como longa distância entre-eixos, que ampliava o habitáculo dos passageiros.

Uruguai

Algumas unidades do 840 Victoria foram exportadas e uma delas foi parar em Montevidéu, no Uruguai, indo a leilão recentemente no Monterey Jet Center, na Califórnia, EUA. Entre as histórias a respeito desse carro, há uma que indica que ele teria sido comprado pelo governo do Uruguai para atender o então presidente Gabriel Terra, retornando aos EUA em meados dos anos 70, quando foi restaurado.

Depois de restaurado, o carro ganhou vários prêmios nos Estados Unidos, inclusive o de Best of Show no concurso de elegância de Pebble Beach, na Califórnia, em 1997. Com seus detalhes cromados e interior com refinado acabamento em couro, o automóvel é visto como símbolo da elegância.

O motor de oito cilindros em linha, de 121 cv de potência, e o câmbio manual de quatro marchas são a base do eficiente conjunto mecânico desse Packard. Não é à-toa que o modelo foi posto a leilão em Monterey pela bagatela de US$ 500 mil, ou seja, algo em torno de R$ 1 milhão.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade