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Estado de Minas

Símbolo de uma época

Bel Air 1955 Sportcupê ganha vida nova nas mãos de colecionador novato. Restauração demorou um ano e meio e rendeu prêmio


postado em 03/02/2007 01:02

Mesmo sem ser modelo de luxo, Bel Air é um dos carros mais associados aos anos 50(foto: Fotos: André Gesualdi/Arquivo pessoal)
Mesmo sem ser modelo de luxo, Bel Air é um dos carros mais associados aos anos 50 (foto: Fotos: André Gesualdi/Arquivo pessoal)
Apesar de não ter o luxo e sofisticação dos Buicks e Cadillacs, o Chevrolet Bel Air é, provavelmente, o carro mais representativo da década de 1950. Nos Estados Unidos, ele era o carro que representava a prosperidade da classe média no pós-guerra. No Brasil, era um dos veículos mais acessíveis, numa época em que ainda não havia uma verdadeira indústria automobilística nacional.

O engenheiro elétrico André Gesualdi é um apaixonado por carros, mas não se enquadra como um colecionador típico. Ele tem um Fusca 1963, que foi de seu pai e é mantido por razões sentimentais. Na hora de começar sua coleção, foi exatamente essa familiaridade com o Bel Air que o levou a optar pelo modelo. Era o carro que eu via na minha infância. Sou de Lambari e o prefeito tinha um, relembra.

Garagem

A oportunidade surgiu quando ficou sabendo de um Sportcupê 1955, que estaria parado, acumulando poeira em um garagem de Itajubá, cidade onde mora atualmente. Mas o carro não veio fácil. Os filhos do antigo dono não queriam se desfazer do carro mas, eventualmente, depois de três anos, dificuldades financeiras fizeram com que eles concordassem em vendê-lo, em julho de 2004.
Traços típicos, com pintura em duas cores, ausência de coluna B e traseira em rabo-de-peixe. Acabamento interno em metal preserva cores da lataria
Traços típicos, com pintura em duas cores, ausência de coluna B e traseira em rabo-de-peixe. Acabamento interno em metal preserva cores da lataria

O estado de veículo era precário, pois, além do tempo em que ficou inativo, o carro havia sido atingido pela enchente, que ocorreu em 2000. O motor é um seis cilindros em linha, de 3.8 litros e 123 cv, e o câmbio manual tem três marchas (o mesmo que serviu de base para o Opala).

Em princípio, o objetivo de André era colocar o motor funcionando e recuperar a pintura. Mas aí veio o comichão do restauro. E a sorte também deu uma mãozinha. Na hora de recuperar os frisos, o proprietário conheceu João Bosco de Assunção, ex-funcionário da área de funilaria da Fiat, que, nas palavras do próprio André, tem uma inteligência fora do comum.

Peças

O resultado foi um processo extensivo de reforma de todos os componentes que poderiam ser recuperados. O carro já não foi barato, e gastei mais de três vezes o valor. Mas comprei poucas peças. A maioria veio dos Estados Unidos, mas custaram menos de mil dólares, relembra.

Depois de quase um ano e meio de trabalho, o veículo ficou pronto, em janeiro do ano passado, e logo veio o reconhecimento. André inscreveu o carro na mostra de Águas de Lindóia, um dos mais tradicionais encontros de antigos do Brasil. Cheguei sem pretensão de prêmio, mas logo percebi que meu carro tinha um padrão de restauro acima da média. E o Bel Air acabou levando o prêmio na categoria Pós-guerra, que inclui veículos fabricados entre 1945 e 1960. No mesmo dia da premiação, André recebeu duas propostas de compra. Uma delas foi com preço em aberto. Mas eu expliquei que o carro não estava à venda, lembra. E continua sem preço...

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