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Estado de Minas

Bravo e pelado

Protótipo de versão para as pistas do Porsche 911R teve história conturbada e ficou 20 anos parado. Foi restaurado e leiloado com preço inicial superior a R$ 1 mi


postado em 25/02/2007 23:29

Protótipo do 911R pode ser identificado pelo desenho original dos pára-choques(foto: Fotos: Simon Clay/Christies/Divulgação)
Protótipo do 911R pode ser identificado pelo desenho original dos pára-choques (foto: Fotos: Simon Clay/Christies/Divulgação)
O Porsche 911 é um modelo lendário, cuja história se confunde com a da própria marca e, de certa forma, com a trajetória dos carros esportivos. Lançado em 1963, para substituir o modelo 356, tornou-se um sucesso quase instantâneo, tanto nas ruas quanto em pistas e provas de rali. Em relação aos modelos de competição, uma das versões mais importantes foi a 911R, de 1967, no qual o departamento de engenharia combinou motor mais potente com carro mais leve para criar um bólido de corrida melhor que concorrência.

Os primeiros protótipos começaram a ser produzidos na primavera européia (outono brasileiro) de 1967 e eram destinados à homologação para poder participar das provas que exigiam que o veículo também fosse produzido em série, como a categoria GT.
Lanternas traseiras são exclusivas, assim como a incrição Porsche: janelas laterais e vigia são em acrílico para reduzir peso. O acabamento interno foi simplificado e o rádio foi retirado do modelo de competição
Lanternas traseiras são exclusivas, assim como a incrição Porsche: janelas laterais e vigia são em acrílico para reduzir peso. O acabamento interno foi simplificado e o rádio foi retirado do modelo de competição

A base era o 911 padrão e, na medida do possível, o metal era substituído por fibra de vidro. Peças feitas desse material incluíam portas, pára-choque, tampa do porta-malas e pára-lamas dianteiros. Os vidros laterais traseiros e vigia eram de acrílico, para garantir um modelo ainda mais leve. Componentes mecânicos, como o virabrequim, também tiveram o aço substituído por ligas menos pesadas, como o alumínio. O motor 2.0 de seis cilindros opostos, refrigerado a ar, produzia 210 cv.

Ainda como protótipos, os 911R começaram a colher bons resultados. Logo na estréia, em Mugello, na Itália, em julho de 1967, o modelo ficou em terceiro lugar na prova. Outro sucesso obtido por um dos protótipos foi completar seis dias rodando sem quebra, no autódromo de Monza, perto de Milão, também em 1967. Infelizmente, a demanda prevista pela Porsche não se concretizou e as 500 unidades necessárias para homologar o 911R na categoria GT não foram vendidas.

Esse modelo amarelo, era chamado de R/4 por ser o último dos quatro protótipos originais, e é o mais próximo dos carros de produção. Foi vendido pela Porsche para um importador de Paris, em 1969, e revendido a um proprietário da cidade de Grenoble, na região dos alpes franceses, sendo retomado por falta de pagamento e levado a leilão no ano seguinte. Um dia antes, foi roubado e só recuperado no ano seguinte, com a parte mecânica em más condições.

Na seqüência, o carro foi guardado e ficou empoeirando na garagem até 1991, quando foi restaurado e vendido para um colecionador inglês. O modelo está hoje com 7,5 mil quilômetros rodados e o lance inicial para sua venda em leilão é da nada menos do que US$475 mil, cerca de R$ 1 milhão.

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