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Estado de Minas

Na onda da madeira

Na década de 40, a Packard produziu uma perua no estilo wood, com formas arredondadas e eficiente motor 4.7 litros. Com duas fileiras de bancos e seis assentos, o veículo é puro charme


postado em 31/07/2007 14:15

Além dos detalhes cromados na frente, como a ave de asas grandes sobre o capô, modelo americano chama a atenção pelas molduras embutidas nas portas e janelas e pneus com faixa branca, comuns na época(foto: Fotos: Goodind & Company/Reprodução)
Além dos detalhes cromados na frente, como a ave de asas grandes sobre o capô, modelo americano chama a atenção pelas molduras embutidas nas portas e janelas e pneus com faixa branca, comuns na época (foto: Fotos: Goodind & Company/Reprodução)
O encontro de automóveis antigos de Pebble Beach, na Califórnia (EUA), realizado em agosto, sempre reserva surpresas agradáveis para os aficionados. Entre luxuosos modelos com originalidade cuidadosamente preservada é possível encontrar raridades de valores não tão exorbitantes. Na edição do ano passado, no leilão de carros antigos realizado durante o encontro, um carro chamou a atenção. Trata-se de um Packard 22ª Série station sedan, de 1948, que tem como principal característica o estilo wood.

Nos Estados Unidos, na década de 40, esse tipo de automóvel era muito comum. Os woods eram carros com carrocerias feitas em aço e madeira e o estilo foi difundido principalmente pela Ford e General Motors. Mas a Packard também investiu nesse segmento e, depois da Segunda Guerra Mundial, lançou uma perua de formas arredondadas e com molduras de madeira encravadas externamente na carroceria.

Era o Packard 22ª Série station sedan, um wood de linhas elegantes e extremamente espaçoso. Preservava o desenho do sedã básico da marca, mas foi alongado e ganhou os detalhes em madeira que lhe conferiram charme inquestionável. Lançado em 1948, era o mais caro dos modelos de entre-eixos curto da marca. Foram produzidas menos de 4 mil unidades da perua até 1949, quando saiu de linha.

Tampa traseira dividida em duas partes facilita acesso ao compartimento de bagagem, e no interior, destaque para o amplo espaço e acabamento de boa qualidade. Porta-malas tem proteção de madeira
Tampa traseira dividida em duas partes facilita acesso ao compartimento de bagagem, e no interior, destaque para o amplo espaço e acabamento de boa qualidade. Porta-malas tem proteção de madeira
Equipada com motor oito cilindros em linha, de 4.7 litros e 130hp de potência a 3.600rpm e câmbio manual de três marchas, a perua tinha bom desempenho. Embreagem elétrica era um dos opcionais do modelo, que não tinha lista extensa de equipamentos de série. A suspensão dianteira era independente e o sistema de freio, com tambores nas quatro rodas, não tinha assistência.

O principal atrativo da perua era o espaço interno. Com duas fileiras de bancos e seis assentos, o modelo tinha ainda ampla área para cargas. Mas com o banco traseiro embutido no assoalho, o espaço para bagagem ficava ainda maior.

O exemplar leiloado em Pebble Beach foi cuidadosamente restaurado, ganhando novas molduras de madeira e vidros. Foi classificado pelos especialistas como exemplo raro de wood e nem por isso teve preço de venda elevado. Estava cotado em US$ 75 mil (R$ 140 mil), que pode ser considerado pouco perto dos valores de alguns automóveis de luxo que por lá desfilaram.

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