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Estado de Minas

Mercedes-Benz - Asa conversível

Marca alemã comemora 50 anos do lançamento do modelo 300 SL Roadster, versão conversível da Asa de Gaivota. O carro é melhor que muito esportivo moderno


postado em 22/08/2007 14:03

(foto: Fotos: Dieter Rebmann/Especial para o EM)
(foto: Fotos: Dieter Rebmann/Especial para o EM)

Baiersbronn (Alemanha)

Quando se fala em Asa de Gaivota, até quem não entende muito de automóvel se lembra da legendária Mercedes-Benz 300 SL cupê, com portas que se abrem para cima. Esse modelo foi projetado exclusivamente para as pistas e a solução das portas não foi por charme, mas forçada pelo chassi tubular, que avançava pela lateral do carro. Em 1953, o importador da Mercedes para os EUA sugeriu a produção de uma versão de rua, a fábrica topou e a Asa de Gaivota foi comercializada (1,4 mil unidades) de 1954 a 1957. Era o mais caro e o mais veloz automóvel daquela época. Para aliviar peso, muitos de seus componentes, como capô, cockpit, portas, tampa do porta-malas, eram de alumínio. Aliás, as iniciais SL significam Sport Leicht, ou esportivo leve, em alemão. Um dos problemas do carro era a estabilidade, complicada para os motoristas comuns. E com um agravante: se o carro capotasse, não tinha como sair pelas portas, que ficavam viradas para o asfalto.

As exigências do mercado norte-americano, o principal do modelo, acabaram levando a fábrica a desenvolver uma versão conversível, que foi apresentada no Salão de Genebra, em março de 1957. E, apesar de todo o badalo e originalidade, ninguém mais quis saber do cupê, que teve sua produção encerrada no mesmo ano, pois o roadster (1.858 unidades, até 1963) tinha vários aperfeiçoamentos mecânicos e de conforto.

A mecânica era a mesma, mas a suspensão traseira do cupê dava trabalho até para pilotos famosos, como Stirling Moss e Rudolfo Caracciola. Na conversível ela foi aperfeiçoada e o carro ficou mais agradável e estável nas curvas de baixa. Motor e câmbio não mudaram. A 300 SL teve o primeiro motor do mundo com injeção direta de combustível, desenvolvendo 215cv de potência com seus cilindros em linha e três litros de cilindrada. Peso de 1.410 quilos, ou seja, cerca de 100 quilos a mais que o cupê.

Roadster alemão tem painel, volante e alavanca de marchas bem posicionados. Motor de 215cv de potência foi o primeiro do mundo com injeção direta de combustível. Compartimento de bagagem não cabe mais do que duas malas não muito grandes
Roadster alemão tem painel, volante e alavanca de marchas bem posicionados. Motor de 215cv de potência foi o primeiro do mundo com injeção direta de combustível. Compartimento de bagagem não cabe mais do que duas malas não muito grandes
A treliça foi modificada para acomodar portas mais convencionais e as mulheres já podiam entrar no carro sem rasgar o vestido, e contavam com janelas que se abriam para ventilar o interior. No cupê, o vidro era fixo e só era possível retirá-lo completamente. O compartimento de bagagem acomodava duas malas, desde que não fossem muito grandes. Além do teto de lona havia outro, metálico, opcional.

50 anos depois...
Dirigir uma 300 SL continua sendo extremamente prazeroso. Ainda mais nas estradas alemãs, verdadeiros tapetes de asfalto. É inacreditável que um carro produzido há 50 anos tenha tamanha aceleração. Você pisa fundo no acelerador, o giro do motor vai subindo rápido, sem protestar nem engasgar em qualquer rotação. Passa a segunda marcha, continua subindo de giro e de velocidade, até a quarta (e última) marcha, sempre roncando grosso. E quando você assusta, já passou dos 200km/h. Seu 0 a 100km/h, na versão standard, é de 10 segundos.

Tudo no carro é ergonômica e germanicamente correto: o painel, a posição do volante, da alavanca de marchas, os dois (únicos) bancos, as maçanetas, os comandos e os pedais. Levando-se em conta, é claro, os padrões da época.

Mas, nada de pula-pula nas cidades: como (ainda bem!) não tinha perfil baixo na época, seus pneus não contribuem muito para a estabilidade, que não é lá essas coisas, mas o carro roda confortavelmente em qualquer piso.

Para quem gosta de um puro-sangue, a 300 SL conta com a vantagem de não ter eletrônica para ‘atrapalhar’: se quiser acelerar mais fundo, o motorista que se vire e resolva tudo na base da habilidade ao volante.

Pela ficha de usuários da unidade cedida (pelo museu da Mercedes-Benz), dá para ver que o carro não pára: é jornalista, diretor da empresa, clientes VIP, agências de publicidade e de promoção de eventos, enfim, agenda cheia. Todos querem dirigir a legenda. E o 300 SL firme, sem barulhos, vibrações, folgas nem asperezas. Melhor do que muito esportivo atual fabricado há cinco anos.


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