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Estado de Minas

Memórias de uma jardineira

Neto de ex-proprietário da extinta Viação Popular guarda equipamentos dos veículos e documentos antigos da empresa. Pretensão é doar as peças para instituição ou museu


postado em 31/08/2008 16:56

O elegante Joaquim Diniz posa ao lado de um dos veículos da empresa.(foto: Fotos: Arquivo pessoal)
O elegante Joaquim Diniz posa ao lado de um dos veículos da empresa. (foto: Fotos: Arquivo pessoal)
"Eu penso em doá-la a um museu para que as próximas gerações tenham conhecimento da história de Belo Horizonte. Não tenho nenhum interesse comercial nesse material." Essa frase ilustra bem o pensamento do técnico em contabilidade Cláudio Navarro Silveira, 40 anos, a respeito do destino a ser dado à coleção de materiais que guarda da extinta Viação Popular, que pertenceu a seu avô Joaquim Diniz Silveira e que circulou na capital nas décadas de 1920 e 1930.

O negócio começou quando Joaquim comprou quatro jardineiras da antiga fábrica de tecidos Cachoeirinha, que já não eram mais usadas para transportar funcionários. A partir de então, começou a fazer transporte coletivo, com itinerário que ia do bairro Cachoeirinha à Praça Sete. Posteriormente, as viagens foram transferidas para o bairro Santa Tereza, onde ficou até retornar à circulação no local de origem. "Tinha horário marcado para sair, mas não era pontual. Eles esperavam a jardineira encher para então começar a fazer o itinerário", conta Cláudio.
Cláudio guarda acervo que reúne talão com passagens destacáveis.
Cláudio guarda acervo que reúne talão com passagens destacáveis.

Sob seus cuidados está um rico acervo. Dessa época, guarda equipamentos operacionais das jardineiras, como galões de combustível, bomba de encher pneus, extintor de incêndio e motolia - recipiente para armazenar óleo para lubrificação de determinadas peças, além de uma série de documentos da Viação Popular, datados dos anos de 1929 a 1939, como livro de registros de funcionários, recibos de taxas pagas à prefeitura, um talão com passagens destacáveis, negativo das fotos das quatro jardineiras e da pequena frota reunida e até seguro dos veículos.

Segundo Cláudio, a intenção é colocar o material em um local apropriado à preservação da memória de Belo Horizonte, mas ainda depende da família para que o desejo se torne realidade. "Eu gosto muito de cultura e estou me agarrando a isso para levar esse acervo a alguma instituição ou museu. Mas ainda tenho que consultar a família, ver se alguém vai querer ficar com algo", finaliza.

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