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Estado de Minas

50 anos - A grande família brasileira

Início da produção do Fusca completa cinco décadas no país. História continua a ser escrita pelos milhões de pneus diagonais que ainda rodam e pelos modelos que gerou


postado em 03/01/2009 17:40

(foto: Arte/EM)
(foto: Arte/EM)
Há 50 anos o primeiro Fusca realmente brasileiro deixou a linha de produção da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Nas cinco décadas que se passaram, o Fusca brasileiro teve o auge - em 1972, quando vendeu 223.445 unidades -; se perpetuou na liderança do mercado; trouxe de carona uma série de modelos que se valiam de sua engenhosa arquitetura, com um motor traseiro de quatro cilindros refrigerado a ar; e deixou de ser produzido em 1986. Renasceu sete anos depois e sobreviveu até 1996, em uma tentativa do então presidente Itamar Franco de popularizar o automóvel. O imenso sucesso gerou uma série de filhos, de esportivos a bem vendidos, como a Brasília, passando por motos e ultraleves. Veja alguns.



1 - Karmann-Ghia
Em 1962, surgiu a versão brasileira do bem-sucedido projeto de um esportivo com a base do Fusca, desenvolvido pela encarroçadora alemã Karmman, em 1955.

2 - 1600 4 portas
O Fusca com quatro portas, um autêntico sedã, começou a ser produzido em 1968 e levou o apelido de Zé do Caixão, devido à disposição das maçanetas do veículo, o que gerou a associação a um caixão e ajudou a enterrá-lo precocemente, em 1970.

3 - Variant
O primeiro modelo com dupla carburação produzido no Brasil começou a ser vendido em 1969 e foi inspirado na família tipo 3 alemã. Equipado com motor 1.6, o carro foi produzido até 1977.

4 - TL
Mais um inspirado no alemão, o brasileiro chegou quatro anos depois (1970), substituiu o Zé do Caixão e sobreviveu até 1974.

5 - Brasilia
Apresentada em 1973, foi o primeiro projeto da VW pensando diretamente no mercado brasileiro e uma opção um pouco mais sofisticada em relação ao Fusca. Durou até 1980, tendo 1 milhão de unidades produzidas.

6 - SP2
Também integralmente desenvolvido no Brasil, o SP2 primava pela beleza. Começou a ser produzido em 1972 e se manteve na linha até 1976. Hoje, é peça do museu da matriz da VW, em Wolfsburg, na Alemanha.

7 - Variant II
Maior 20cm que a primeira, a segunda perua foi lançada em 1977, com fortes semelhanças em relação à Brasilia, e durou apenas três anos, até 1980.

8 - Bianco S
Lançado em 1976, o modelo projetado por Tony Bianco lembra a Ferrari Dino, com carroceria de plástico e fibra de vidro e a base com o motor Volkswagen refrigerado a ar, que era utilizado na Brasilia. Em 1981, adota o propulsor do Passat TS.

9 - Miura
O esportivo, montado sobre a plataforma do Fusca 1600, foi apresentado em 1977, com motor 1.6 refrigerado a ar. Depois passou a adotar o 1.6 do Passat.

10 - Puma
Na primeira geração, o Malzoni GT e o Puma DKW usaram mecânica DKW. Com o fim do DKW-Vemag, em 1967, a segunda geração foi baseada no VW com motor 1.5 e entre-eixos reduzido para 2,15 m e fez sucesso no Brasil e no exterior.

11 - Mini Dacon
Lançado em 1982, o Mini Dacon (com o mesmo tamanho do moderno Smart) era um três lugares com o motor 1.6 refrigerado a ar do Fusca.

12 - Adamo
Apresentado em 1968, o esportivo tinha desenho ousado da carroceria em fibra de vidro e motor do Fusca 1.3. Em 1974, foi equipado com o motor 1.5, também refrigerado a ar. No fim dos anos 80, recebeu propulsor 1.8 refrigerado a água e se despediu logo depois, com motorização 2.0.

13 - Gurgel
Fabricou durante 20 anos, de 1973 até 1993, automóveis, jipes, furgões com diferentes tipos de carroceira e a confiável mecânica do motor VW refrigerado a ar.

14 - Bugue
De 1968 a 1975, empresas como Glaspac e Kadron, entre várias outras, reproduziram o projeto californiano de montar carrocerias de fibra e plástico com a plataforma do Fusca, para rodar nas praias do Brasil. O mercado dos bugues teve e ainda tem inúmeras cópias e fabricantes de fundo de quintal.

15 - Amazonas e Kahena
Motos da década de 1980 e início da década de 1990 que usavam o motor refrigerado a ar 1.6 e se destacavam pelo imenso volume, para alojar o motor do Fusca, mas tinham a imensa rede de manutenção espalhada pelo Brasil para atender o VW.

16 - Ultraleves
Muitos foram feitos com motores de Fusca e Brasília, mas com o tempo foram substituídos pelos Rotax, com apenas dois cilindros e mais leves.

Histórias da calotinha

Pessoas foram concebidas e outras nasceram a bordo do Volkswagen Sedan, que foi líder absoluto de mercado, deixou de ser produzido, renasceu e marcou a identidade nacional
(foto: Rafael Duran/AFP - 01/08/03, Volkswagen/Divulgação e Agência AlmapBBDO/Divulgação)
(foto: Rafael Duran/AFP - 01/08/03, Volkswagen/Divulgação e Agência AlmapBBDO/Divulgação)

As marcas que o Fusca deixou e ainda deixam pelo país são inegáveis. Em novembro, por exemplo, foi o sexto carro usado mais comercializado, com 15.894 unidades, tendo à sua frente somente modelos que ainda são produzidos (Gol, Uno, Palio, Corsa e Celta). Mas, além dos números, o Fusca está no imaginário do brasileiro, encarnado em estradas de terra batida de um interior remoto ou resplandecente e restaurado no estacionamento de um shopping center de alguma metrópole. Algumas histórias vão além da lata e humanizam o carro, tornando-o testemunha de famílias.

Conheça um Fusca de 250 cv de potência!

Cassiano Rickli completa 22 anos em fevereiro. Quando chega a data de seu aniversário, inevitavelmente, o relato do dia de seu nascimento surge nas conversas. É que ele nasceu dentro de um Fusca, às 2h30, na BR-376, em Ponta Grossa (PR), a caminho do hospital em 17 de fevereiro de 1987. "Meus pais moravam em uma fazenda de Tibagi (PR), que fica a mais ou menos uma hora de Ponta Grossa. Logo que minha mãe entrou em trabalho de parto, partiram ela, meu pai, meus dois irmãos e minha tia para Ponta Grossa, mas, como minha mãe não aguentou esperar, meu pai teve que parar o carro no acostamento da rodovia. Foi só ele parar e sair do carro para eu nascer. Então fui enrolado em uma toalha de banho e fomos os seis para o hospital", conta Cassiano.

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O Fusca 1977 da família Rickli foi um presente do avô de Cassiano para seu pai e durou até 1998, quando a família decidiu trocar de carro e vendeu o velho Fusca. "Hoje ele está encostado na casa do atual dono, o que me dói muito, porque ele não quer nos vender. Era um belo carro azul celeste. Ainda tenho muita vontade de tê-lo de volta e deixá-lo quase como era quando novo", afirma Cassiano.

Cassiano é estudante de Turismo e está em Wintrhop, no estado de Washington, nos EUA, fazendo intercâmbio de férias e a marca do seu nascimento ficou para o resto da vida. "No meu antigo apartamento, há um desenho na parede do meu quarto em formato de Fusca e montei um painel de fotos nele. Todo mundo me conhece como o cara que nasceu no Fusca e outros nem acreditam na história."

Evolução
De 1950 até 1959 o carro era montado em São Paulo, primeiro por um empresário independente e depois pela Volks, mas só em 1959 atingiu 54% de componentes nacionais e ganhou a marca de brasileiro. No Brasil, foram 3.367.390 produzidos, na primeira fase de 1959 até 1986 e depois de 1993 até 1996. O volume nacional corresponde a cerca de 15% das 21.592.464 unidades produzidas em diversos países.

Alexander Gromow, especialista em Fusca e autor da obra Eu amo Fusca (Editora Ripress) explica em seu livro os bastidores da retirada de linha do Fusca, em 1986: "Pela primeira vez, a Volkswagen decidiu comunicar o encerramento da fabricação de um produto, com meses de antecedência, numa manobra cuja finalidade era de amortecer o choque que a notícia causaria ao público consumidor". A peça publicitária anunciando o fim tinha uma frase destacada que resume bem o espírito da fábrica em relação ao modelo que ajudou a erguê-la: "Às vezes o avanço tecnológico de uma empresa não está no que ela faz, mas no que ela deixa de fazer". A General Motors também produziu uma peça, com um batendo as portas, como se fossem asas, em direção ao céu e o seguinte texto: "Homenagem da General Motors do Brasil ao seu pequeno grande concorrente".

A história do modelo começou em 1933, na Alemanha, quando Ferdinand Porsche apresentou o projeto, mas a produção em escala industrial começou em 1945. Foi produzido até 30 de julho de 2003, no México. Em todo o mundo teve diversas versões e a mais famosa é a Kombi, originada do projeto Transporter, uma ideia do revendedor holandês Ben Pon, que pegou no Brasil. Tanto que começou a ser produzida dois anos antes do Fusca, em setembro de 1957, tornando-se o primeiro veículo da VW fabricado no país e o mais antigo em produção, pois é feita até hoje, com outro motor desde 2003, o 1.4 flex refrigerado a água.

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