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Estado de Minas

Rolimã - A última festa

Amanhã é dia de celebrar os mortos, o Dia de Finados. Tudo bem, carros não morrem. No máximo deixam de ser produzidos. As unidades que restam persistem nas ruas e estradas. Algumas, é verdade, vagam como latas penadas com o passar dos anos. Porém, quando uma fábrica encerra uma linha de produção, a palavra morte pode parecer pesada, mas é usada para descrever a situação. Veja como poderia ser o obituário de alguns casos emblemáticos da indústria automobilística que tiveram vida curta.


postado em 03/11/2009 11:42

(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A. Press)
(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A. Press)
Volkswagen 1600

A dinastia dos motores refrigerados a ar VW (in memoriam) prepara celebração dos 40 anos da morte do VW 1600, para dezembro de 2010. Em dois anos de vida, o primeiro veículo quatro portas da história da Volkswagen é considerado pelos simplistas um fracasso comercial. Mas, mais que isso, com a mecânica do Fusca e motor de 1.600cm³ (60cv de potência), o VW morreu pela estampa e por lembrar um caixão, que o levou a ganhar o apelido do cineasta José Mojica Martins, Zé do Caixão. Assim, depois de começar a ser produzido em 1968, foi para cova em 1970 – com a fama, as quatro portas e toda a inovação estilística que trazia.

Edsel

A lição que Edsel, não o filho de Henry Ford, mas o carro que levou seu nome, deixou para a marca é que se deve aprender com os erros. Nesta data de celebrar os mortos, a Ford lembra a história de seu maior fracasso e aproveita para rememorar a trajetória do Edsel Ford, o executivo que morreu jovem, em 1943, aos 49 anos. Mesmo porque, chega a ser injusto que o homem tenha o nome ligado somente a uma história que não deu certo, sem ser culpado por isso. Quando cerca de 2,5 milhões de pessoas foram às concessionárias dos Estados Unidos, em 4 de setembro de 1957, para ver o então lançado Edsel, a expectativa era de que nascia ali um dos maiores sucessos da história automobilística. Uma campanha publicitária caríssima, mas uma qualidade que não correspondia e uma crise econômica contribuíram para reduzir a vida do modelo até 1960 e pouco mais de 110 mil unidades vendidas, com a extinção da divisão.

(foto: Fiat/Divulgação)
(foto: Fiat/Divulgação)


Fiat Tipo

A família Fiat agradece a confiança que os consumidores tiveram no modelo, produzido pela fábrica de Betim entre 1996 e 1997. A despeito do sucesso dos irmãos italianos, que nasceram em 1988 e começaram a migrar para o Brasil em 1993, a geração nascida aqui teve o filme queimado. Melhor, não só o filme, como algumas unidades, tanto que chegou a ser feito um recall para substituir o conversor de ar quente.

Logus e Pointer

Volkswagen (pai), Ford (mãe), Versailles, Royalle, Santana, Quantum, Verona, Apollo (irmãos, in memoriam) e todos que ainda pertencem à desmembrada família Autolatina convidam para a celebração da morte dos irmãos Logus e Pointer. O sedã Logus nasceu primeiro, em 1993, e viveu até 1997. Já o caçula hatch Pointer também não suportou a ruína da família (maldosamente chamada de Autolatrina), chegou depois, em 1994, e deixou o mundo das linhas de produção em 1996.

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