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Estado de Minas

Antigos do Brasil - Simpática perua

Em meados da década de 1950, a empresa Veículos e Máquinas Agrícolas lançou no Brasil um modelo derivado do sedã alemão DKW, que mais tarde ficou conhecido como Vemaguet


postado em 13/03/2010 15:05

Perua DKW F-91 Universal foi a pioneira da marca no país, lançada em 1956(foto: Boris Feldman/EM/D.A Press - 8/11/01)
Perua DKW F-91 Universal foi a pioneira da marca no país, lançada em 1956 (foto: Boris Feldman/EM/D.A Press - 8/11/01)
Existe uma polêmica sobre qual teria sido o primeiro modelo nacional. A Romi-Isetta ou a perua Vemag? Ambos foram lançados em 1956, mas com propostas totalmente diferentes. Porém, para o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), órgão governamental criado no mesmo ano, o primeiro automóvel brasileiro foi a perua DKW F-91 Universal feita pela Vemag e lançada em novembro. Entretanto, o primeiro carro brasileiro de fato foi a Romi-Isetta, apresentada dois meses antes, mas não considerada automóvel pelo GEIA por ter apenas uma porta.

A história da Vemag —Veículos e Máquinas Agrícolas S.A. — começou em 1952, quando foi fundada a fábrica em São Paulo. Mas a empresa já acumulava a experiência de montar nos anos anteriores modelos da marca Studebaker, além de caminhões Scania Vabis e tratores da Ferguson, período em que atuava como distribuidora de automóveis e tinha outra razão social.

Veja mais fotos da perua da Vemag!

Em 19 de novembro de 1956, a Vemag lançou no mercado brasileiro a perua F-91 Universal, derivada do sedã alemão produzido pela Auto Union e equipada com mecânica DKW. Inicialmente, o modelo era montado no Brasil com peças importadas da Alemanha, com índice de nacionalização de 60%, e serviu de laboratório para a empresa investir na produção local. A simpática perua tinha formas arredondadas, assim como os faróis, portas que se abriam no sentido contrário e grade dianteira com barras paralelas, que lembrava uma boca sorrindo. Tal característica rendeu ao modelo o apelido de “Risadinha”.

O carro era equipado com motor tricilíndrico de dois tempos, de 900cm³, que desenvolvia 38cv de potência. A partir de 1961, a perua passou a ser chamada de Vemaguet e já trazia algumas diferenças em relação à primeira, como a grade ovalada. Com capacidade para seis pessoas e ampla área para bagagens, era um carro ideal para a família. O modelo tinha mecânica bem simples, com lubrificação feita pela mistura óleo/gasolina e motor sem partes móveis, além de uma bobina e um platinado para cada um dos três cilindros.

Roda livre

Outro sistema adotado na Vemaguet foi o de roda livre, que quando acionado impedia que o motor fosse impulsionado pelas rodas durante a desaceleração. Tal engenhoca proporcionava economia de combustível, por eliminar a ação frenante do motor, mas, por outro lado, sobrecarregava o sistema de freio em descidas acentuadas. A partir de 1959, a perua passou a ser equipada com motor de 1.000cm³, de 50cv, produzido no Brasil.

A Vemag fez ainda duas versões mais simples da Vemaguet. De 1962 a 1964 foi produzida a Caiçara, sem elementos cromados na carroceria e acabamento interno bem despojado. Foram produzidas 1.173 unidades da versão, nas cores bege e azul-clara, com o interior revestido em plástico vermelho. A outra versão era a Pracinha, ainda mais "pelada" e que podia ser financiada pela Caixa Econômica Federal. No total, a Vemag produziu de 1956 a 1967 48 mil peruas DKW.

A simpática perua foi produzida até 1967, sem grandes alterações(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A. Press)
A simpática perua foi produzida até 1967, sem grandes alterações (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A. Press)


Mas, além desse modelo, a Vemag produziu no Brasil o sedã Belcar, o jipe Candango, o cupê Fissore e o protótipo para recorde de velocidade Carcará. Porém, em setembro de 1967, a Volkswagen do Brasil comprou a Vemag e em dezembro do mesmo ano a linha de produção da marca foi encerrada.

Leia a reportagem sobre a Romi-Isetta, a primeira da série dos Antigos do Brasil.

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