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Estado de Minas

Antigos do Brasil: Gurgel X-12

Aposentada mantém quase toda a originalidade de seu fiel companheiro, um Gurgel X-12 de 1986, do qual faz uso diário, e não passa despercebida quando passeia pela cidade


postado em 25/10/2010 14:15

Cabelos ao vento: quando o jipinho está sem capota, Clélia experimenta toda a sensação de liberdade (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Cabelos ao vento: quando o jipinho está sem capota, Clélia experimenta toda a sensação de liberdade (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
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A compra, em 1º de setembro de 1986, foi feita na Motorshop Comercial Ltda, concessionária Gurgel que ficava na Rua Mato Grosso, 757, no Barro Preto, Região Sul de Belo Horizonte. Com 24 anos de uso, o vermelho vivo original do Gurgel X-12 foi mantido graças à recente pintura. A capota de lona dá um toque de charme, beleza e simplicidade ao jipinho, atributos que arrebataram o coração de sua única proprietária, a aposentada Clélia de Souza e Silva. Ela revela que o conforto espartano do veículo não diminui seu amor. Mas ela confessa que o ciúme com o carrinho aumentou depois da repaginada.

Marcando atualmente 68 mil quilômetros e uns quebrados, o hodômetro já deve ter virado algumas vezes, porque os carimbos no manual do proprietário entregam que, apenas em 1987, o veículo compareceu a quatro revisões, dando a entender que rodava muito. Clélia garante que o jipe não é amigo do dono da oficina, já que raramente deu problema. Mérito do robusto motor VW 1.6 refrigerado a ar.

Apesar do talento para o fora de estrada e da contida vontade da proprietária, o X-12 nunca entrou numa trilha, ignorando os ângulos de ataque e saída de 63 e 41 graus, o bloqueio de diferencial Selectration e o vão livre de 33 centímetros. O máximo de terra que ele já “comeu” foi numa estrada na Serra do Cipó. “Mas quando vejo uma poça na rua eu levanto água”, retrata-se a aposentada.

Veja a galeria de fotos do Gurgel!


Como o jipinho é o carro de uso de Clélia, participou de boa parte de sua vida. Sua filhas, Julia e Camila, um pouquinho mais velhas do que o veículo, não gostam que ela comente, mas, quando eram crianças, tinham vergonha de andar no Gurgel. As coisas mudam e atualmente elas adoram o carro e até dão umas voltinhas. Mas quem mais gosta de pegar uma carona no carrinho, além de seus sobrinhos mais novos, é a dona Lady, mãe de Clélia. As amigas também são companhia constante no guerreiro, que, por ser tão peculiar, abre portas (de garagem!) sem a dona precisar se identificar.

PARADOXO

Mesmo que quiser, Clélia não pode fazer nada errado. Como o X-12 chama a atenção por onde passa, todos dão notícia de sua proprietária. Se por um lado é vigiada ela recupera toda a liberdade quando o jipe está sem capota. “É uma delícia”, resume. O único momento tenso da história do carro foi quando o motor pegou fogo, pouco depois da pintura. Clélia conta que tinha labaredas de fogo e, com a ajuda de uma pessoa, conseguiu apagá-lo usando o extintor. O que dificultou o salvamento foi achar as várias chaves necessárias para abrir a tampa do motor. No fim das contas, a pintura ficou quase intacta. O motor também estava bom, “só foi preciso trocar umas mangueiras e borrachas”, garante a proprietária.

Volante não é original, deslize que logo será resolvido(foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Volante não é original, deslize que logo será resolvido (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)

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