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Estado de Minas ROLIMÃ

A nostalgia pega


postado em 21/08/2011 14:36

(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)

Andando pela Rua Solimões, no Bairro da Barra Funda, São Paulo, não se sabe ao certo o que denuncia a Batistinha Garage. Afinal, são muitos os indícios. A começar pelo nada discreto Cadillac Eldorado cupê estacionado no meio-fio. Se não bastasse a banheira barroca, é possível dar uma espiadinha pelas grandes portas de serviço e ver um Ford Mustang levantado, com todas as suas partes pudentas à mostra. É o universo do Batistinha, ou Fernando Baptista, conhecido filho do Baptista, de quem herdou a paixão pela preparação, restauração e corridas. Viaje pela oficina de 1 mil metros quadrados, que mais parece uma linha de montagem de antigos.

(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
MINIMONSTRO


Para atestar a sua paixão pelos oito cilindros, Batistinha está preparando um novo carro com motor 302. Um singelo Austin Mini da primeira fornada. Mas como o carrinho de 1959, criado por Alec Issigonis, com motorzinho 850, pode comportar um V8? Bastou um pouco de mágica, no caso, adaptando as suspensões dianteira do Opala e traseira do Ford Landau, além do recuo do motorzão. A tração é traseira e com rodas posicionadas na extremidade o carrinho será o rei dos “zerinhos”.





(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
HERANÇA


Do pai, o filho herdou o gosto e talento para preparar muscle cars. Em especial, o Ford Maverick. Produzido por aqui entre 1973 e 1979, o fastback ficou famoso pela opção de motor V8 302, o equivalente a 5.0. Preparados, os motores saltam da potência original de 199cv brutos para mais do que o dobro. E como são bolados os projetos? A maioria dá carta branca. Mas apresento o projeto antes, explica Batistinha. Vem gente de todo Brasil, incluindo de Minas Gerais. A execução leva em média seis meses.



RESTAURAÇÃO
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)

Falando em clássicos europeus, nem só de carros americanos se faz a oficina. É possível ver dois representantes do Velho Continente em fase de restauração. Um Mercedes-Benz SL Pagoda (apelido que vem do formato de templo chinês do teto rígido) produzido entre 1963 e 1971 está levantado entre muscle cars. E um futuro clássico: um BMW 325i, da década de 1980, que já é disputado pelos fãs da marca alemã em busca dos sedãs compactos equilibrados com motor de seis cilindros em linha.

(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
HARLEY-DAVIDSON


Voltando à seara dos símbolos americanos, é impossível não reparar na bela Ford F100 personalizada, esperando pelo dono na garagem. O projeto é inspirado nas grandes picapes americanas da marca, que têm séries dedicadas à Harley-Davidson. Tudo à moda antiga, atualizada por meio de rodas maiores e apimentada por faixas laranja e pela pintura negra. É claro que a caçamba serve para levar uma feroz Harley-Davidson V-Rod, customizada pela oficina nas mesmas cores. O desafio de encaixar a estradeira na caçamba foi solucionado adaptando-se uma plataforma com rampa.


UPGRADES

Cerca de 50% dos clientes chegam à garagem em busca de restauração. Em relação à fidelidade aos originais, nem todos os donos querem um carro exatamente como saiu da fábrica décadas atrás. O cara quer dirigir um carro antigo, mas com confortos e, acima de tudo, confiabilidade. Não quer ficar na mão, analisa o empresário. Claro que não podem ficar de fora outros toques da modernidade, em especial as grandes rodas que reproduzem o estilo das antigas, só que com aros 17 ou maiores. Agora que ficou comum importar antigos dos Estados Unidos, muitos vêm só para deixar aquele modelo em boas condições de uso, ficando a restauração para depois, revela Batistinha. Agora também estamos focando em esportivos atuais, como Mustang e os Chevrolets Camaro e Corvette, ressalta ele.

(foto: Daniella Trindade/DT Comunicação/Divulgação)
(foto: Daniella Trindade/DT Comunicação/Divulgação)
ENCOMENDAS


Há empresa que recorre ao Batistinha para montar um carro especial. Foi o caso da Coca-Cola. A marca de refrigerantes ofereceu em promoção cinco Landaus restaurados, todos com o esquema de pintura vermelha com faixa ondulada branca. Mas entre os particulares é que surgem os projetos mais criativos, a exemplo de um colecionador de objetos de Ayrton Senna, que conseguiu comprar a pequena Honda Cub do tricampeão em leilão beneficente. Para homenagear Senna, Batistinha pintou a moto com as cores das antigas Lotus 12 patrocinadas pelos cigarros John Player Special.




(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
(foto: Julio Cabral/EM/D.A Press)
MÓVEIS

Equipada com uma grande câmara de pintura, a oficina também é procurada por fabricantes de móveis e eletrodomésticos, que desejam o padrão de tinta automotiva. A cadeira tipo Ovo, um hit da década de 1960, recebe uma dose a mais de nostalgia com o esquema de pintura das equipes patrocinadas pela gigante do petróleo Gulf, em tons de azul. O mesmo móvel também é caracterizado como o Fusquinha Herbie da série de filmes da Disney. Prova da nova onda nostálgica que transcende o mundo automotivo.

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