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Estado de Minas

Crise levou dez maiores montadoras a demitir 35 mil


postado em 12/01/2009 11:44



As dez maiores fabricantes de carros do mundo anunciaram até agora pouco mais de 35 mil cortes de empregos em todo o mundo. Os principais afetados são os trabalhadores temporários, mas muitas fábricas também implantaram o programa de demissão voluntária, férias coletivas ou diminuição da carga horária.

No entanto, o número total de pessoas que perderam o emprego por causa da crise no setor pode ser até três vezes maior, segundo sindicalistas. Isto porque muitas pequenas fábricas, fornecedoras de peças para as grandes montadoras, fecharam as portas ou reduziram drasticamente o número de funcionários. Os prejuízos no setor ultrapassam os US$ 30 bilhões.

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Recuperação
Mas apesar da demissão em massa e das perdas, as grandes montadoras devem começar a se recuperar ainda em 2009, na opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Apesar dos dados negativos, os analistas de mercado prevêem que a situação deve melhorar neste ano para os fabricantes de veículos. "O ano de 2009 deve ser pobre para as montadoras, mas o pior dessa queda desenfreada já passou", opina Edward J. Lincoln, diretor do Centro de Estudos Econômicos Japão-Estados Unidos e professor da Universidade de Nova York.

O especialista disse à BBC Brasil que as vendas podem começar a ter uma reação positiva após o início do segundo semestre, pelo menos nos Estados Unidos. "A idade média dos carros que rodam nas ruas atualmente será o principal fator para que as pessoas troquem de veículo", acredita.

Gary Burtless, economista do Instituto Brookings e ex-membro do Departamento do Trabalho dos EUA, concorda. "Outra boa notícia para os fabricantes de carros é a queda no preço da gasolina, o que torna os carros 'beberrões' de combustíveis novamente atraentes para o público consumidor norte-americano", diz.

O professor Lincoln vai mais além e aposta numa volta triunfal das vendas já em 2010. "A recessão vai passar e os consumidores vão se sentir mais confiantes em comprar um carro novo", afirma.

Ajuda do governo
O final de 2008 foi marcado pelo auge da crise no setor automobilístico. A queda nas vendas atingiu os fabricantes do mundo todo e deve continuar ainda neste começo de ano. Somente no Japão, a expectativa é de que em 2009 o país tenha o pior índice de vendas de veículos em 31 anos, segundo levantamento da Associação de Fabricantes de Automóveis do Japão (Jama, na sigla em inglês).

Para conter um possível colapso geral, as indústrias foram atrás de ajuda estatal. A alemã Opel, braço europeu da GM, foi a primeira montadora da Europa a pedir socorro. Depois foi a vez da Volkswagen.

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Nos Estados Unidos, o governo teve de desembolsar US$ 17,4 bilhões para salvar a General Motors e a Chrysler. O Canada seguiu o exemplo e ofereceu mais US$ 3,3 bilhões para as empresas.

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O maior medo dos governos é a falência de uma das gigantes do setor. Pelas contas de especialistas, a quebra de uma das fabricantes vai afetar uma cadeia enorme de fornecedores e negócios, gerando um problema social.

Para Gary Burtless, Toyota, Honda, Nissan, Peugeot, Mercedes e BMW, apesar da queda nas vendas, ainda parecem estar melhores financeiramente do que as rivais norte-americanas. "A grande diferença é que as montadoras de Detroit sobreviveram até agora graças ao mercado interno, enquanto as outras buscaram outros espaços para colocar seus produtos", explica.

Outro fator importante nesta balança é o fato de os carros japoneses serem bem mais econômicos do que os fabricados nos EUA. "Por isso, diferente do que aconteceu com as três grandes de Detroit, a venda de veículos japoneses não caiu imediatamente após a alta do preço dos combustíveis", analisa o economista.

Mudanças no mercado
Para os analistas ouvidos pela BBC Brasil, a única certeza em relação ao futuro, por enquanto, é de que o setor de veículos não será mais o mesmo. "O mercado está muito concorrido, não somente nos Estados Unidos, mas em outros países", analisa Burtless, que sugere que não haverá espaço para todos.

Segundo eles, as empresas agora devem disputar mercados menores e consumidores mais exigentes, principalmente em relação a custos e emissões de CO2. Daí a preocupação do Japão em ganhar a corrida na busca por carros mais baratos e menos poluentes.

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