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Estado de Minas

Carro completo - Conceito comercial e incompleto

Mercado convencionou termo para indicar ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros dianteiros elétricos, mas consumidor já desperta para segurança


postado em 27/01/2010 11:38

"É um carro confortável, econômico, de tamanho bom e preço razoável. E tem que ter tudo, inclusive airbag e freios ABS", afirma Olga Simoni Coelho, empresária (foto: Fotos: Jackson Romanelli/EM/D.A. Press)
Os anúncios de fabricantes e revendedores estão repletos: "Ford Fiesta Sedan 1.6 completo: R$ 36.690, EcoSport XLS 1.6 completo: R$ 48.990"; "Renault Sandero Exp. 1.6 completo AC/DH/VE/TE: R$ 35.990"; "Vá completo. Vá com Tiggo. Chery Tiggo 2.0 a partir de R$ 49.900, completo". E mais adiante: "Ford Fiesta Sedan 1.6 completão: R$ 35.990". Entre os Pequenos Anúncios, feitos por agências, concessionárias ou pessoas físicas, não é diferente: "Chevrolet Corsa/01 Sedan GLS Compl couro"; "Chevrolet D20 93/93 turbo, completa, muito nova"; "Citroën C3 2007 prata, completo. Confira", "Fiat Palio 09/10 0Km! ELX 1.4 completo; Palio /05 completo, ótimo estado". Os exemplos são inúmeros e o conceito parece já estar embutido na cabeça do consumidor.

Mas, afinal, o que é um carro completo? No conceito do mercado, quase sempre é um veículo que tem ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros dianteiros elétricos. Muito pouco, perto da enorme quantidade de opcionais que os fabricantes vendem. E menos ainda, se se considerar que importantes ítens de segurança não fazem parte do conceito. O mais lógico, seguindo a definição do dicionário Aurélio, "A que não falta nada do que pode ou deve ter", seria o veículo contendo todos os equipamentos disponíveis no mercado.

O máximo

"Na minha concepção, tem que ser o mais completo que o carro pode oferecer. Ou seja, o máximo que o fabricante pode disponibilizar para aquele veículo", afirma o gerente comercial da Ford Inova Veículos, Bruno Fiúza. "O carro completo tem que ser completo mesmo. Tem que ter tudo", concorda o coordenador de vendas da Fiat Automax, Jairo Mariano.

Bruno Fiúza acrescenta que, de acordo com o segmento do carro, o termo completo pode ter um significado diferente. "Se você me disser que um Ka tem ar-condicionado, direção, vidros e travas elétricas, posso considerá-lo completo; mas, para um Focus, por exemplo, isso é o básico. Aliás, o básico é mais do que isso", continua. Segundo ele, o conceito de completo significar apenas ar, direção, vidros e travas elétricas pode ter surgido do fato de esses equipamentos serem os mais procurados pelo consumidor. "Já vi gente dizer até o seguinte: 'meu carro é completo, menos ar e direção", observa.

Para o sócio da ADM Automóveis, Marcelo Maria de Souza, o termo tornou-se um chavão no mercado e um chamariz para a venda do carro. "A palavra completo dá a sensação de que o carro é muito bom", pondera. "Há pouco tempo me ligaram dizendo que eu havia ganho uma viagem com tudo incluído, exceto os consumos de bar, restaurante, boate e a passagem. Ou seja, eu só tinha ganho a hospedagem. Assim é o carro completo. A pessoa tem que ligar para saber o que é", compara. "Comercialmente, convencionou-se o ar, direção, vidro e trava; tecnicamente, seria tudo que se disponibiliza para o carro", acrescenta Marcelo.

Segurança


De acordo com o consultor regional da Volkswagen, Leonardo Escovedo, e o gerente de vendas da VW Garra, Clóvis Nunes Rocha Júnior, em breve, ao significado completo (ar, direção, vidros e travas elétricas), serão acrescentados os itens de segurança airbag duplo e freios ABS, exigências para a comercialização de todos os modelos, a partir de 2014. "Mas, hoje, isso ainda depende do perfil do cliente. Se é o primeiro carro, o conceito de completo é esse mesmo; se parte para o segmento médio, já exige mais um pouco. Não quer saber se o carro tem ar, mas se é digital ou analógico", exemplifica Leonardo.

"Tem boa potência, design interessante, bom desempenho. Em termos de equipamentos, tem que ter tudo: airbags frontais, laterais...", diz Rui Rodrigues, Gerente de Controle


A VW, a partir da linha 09/10, começou a disponibilizar, como opcional, um kit com airbag duplo e freios ABS, em preço que varia de R$ 2 mil a R$ 3 mil, conforme o modelo. A opção só não é disponível para a Kombi e o Gol geração quatro. "Com a redução do preço, o objetivo é popularizar os equipamentos", continua Leonardo.

E a divulgação da exigência por lei parece já estar surtindo efeito junto ao consumidor. Em enquete realizada pelas ruas de Belo Horizonte, fizemos a seguinte pergunta: "Para você, o que é um carro completo?". Para surpresa (no bom sentido), um grande número de motoristas já mencionou, como equipamentos importantes os freios ABS e o airbag duplo. Veja o resultado.

Obs.: Os preços mencionados foram de anúncios em datas diversas, para simples referência, não significando que os preços mencionados ainda estejam em vigor.

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