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Estado de Minas ROLIMÃ

O preço da fama


postado em 26/01/2011 22:34

(foto: Bonhams/Divulgação)
(foto: Bonhams/Divulgação)
 Modelos de famosos não cessam de aparecer em leilões ou ofertas de sites. O grau de celebridade, aliado ao perfil dos automóveis, colabora para elevar o preço, sempre de olho em fãs endinheirados ou, até mesmo, empresas e investidores. Confira alguns exemplares que apareceram recentemente.

PÉ DIREITO
John Lennon tocava guitarra, banjo, baixo, percussão, entre outros instrumentos, além de ter sido vocalista do quarteto mais famoso de todos os tempos: The Beatles. Mas, curiosamente, o beatle só conseguiu tirar carteira de motorista aos 25 anos, em 1965, quando anunciou que queria um carro. Em plena era da beatlemania, lojistas levaram à sua casa vários carrões de marcas como Aston Martin, Jaguar e Maserati, doidos para vender algo para o já famoso e rico cantor. Entretanto, Lennon escolheu uma Ferrari 330 GT 2 2 azul do ano, por 2 mil libras esterlinas. O bólido com motor V12 4.0 Colombo de 304cv não conquistou o coração do beatle como fez Yoko Ono e ele vendeu a Ferrari em 1966, ano em que conheceu a sua futura mulher. O carro vai a leilão pelas mãos da Bonhams em Paris, em 5 de fevereiro. A casa de leilões espera angariar entre 120 mil e 170 mil euros – algo entre R$ 270 mil e R$ 370 mil –, porém o valor tem tudo para subir. Basta ver a quanto chegou o carro mais célebre de Lennon.

BEATLEMANIA A Ferrari pode ter sido o primeiro, mas o que ficou mais famoso foi o Rolls-Royce Phantom V 1965, comprado pouco depois do modelo italiano, junto com um singelo Austin Mini. Por quê? A pintura psicodélica fala por si mesma. Um dos símbolos mais reconhecidos da contracultura. Depois que o Rolls foi levado para os EUA, em 1970, vários artistas o alugaram, como os Rolling Stones. O preto só foi coberto pela pintura em 1967, repetindo o padrão de flores que havia em um carroção cigano pertencente ao artista. Em 1985, em meio à maior onda especulativa que já atingiu o mundo automotivo, o Rolls foi leiloado pela Sotheby’s por US$ 2,29 milhões, ou R$ 3,8 milhões. A especulação não se resume aos carros. Para ter uma ideia, em agosto, uma privada pintada com flores que adornou uma antiga casa de Lennon foi vendida por 9.500 libras (ou 10 vezes o lance mínimo) em convenção de fãs em Liverpool. São R$ 25,5 mil em valores convertidos, quantia que dá para levar um Fiat Mille zero quilômetro com ar-condicionado para casa.
(foto: steven e.j./rideswebshots.com)
(foto: steven e.j./rideswebshots.com)


GLAMOUR ZERO Alguns automóveis de celebridades não valem grande coisa, talvez por serem ordinários. É o caso de outro carro de Lennon, um Chrysler Town & Country 1972, grande perua bem ao estilo ianque, da fase em que a estrela morava nos EUA. O modelo, que continuou sendo dirigido por Yoko após a morte de Lennon – em 1980 – até 1996, foi vendido dia 1º pela Braswell Auction Galleries da Nova Inglaterra. O valor de US$ 5.500 – cerca de R$ 9 mil – até que foi baixo, perto de outros itens, como o paletó branco de duas peças usado pelo cantor na capa do célebre disco Abbey Road, que chegou a US$ 46 mil, o equivalente a R$ 77 mil. O Chrysler teria sido preterido pelo casal, que preferia se locomover por Manhattan com uma também station Mercedes-Benz 300 Touring. O motivo de tanta discrição? Além da fama de ambos, John e Yoko já tinham tido problemas com a receita federal dos Estados Unidos, o que inclusive os levou a doar o Rolls-Royce para o Museu Copper-Hewitt de Nova York, em 1977.
(foto: Braswell/Divulgação)
(foto: Braswell/Divulgação)


CRAQUE E, quando o famoso em questão troca de carro com frequência, será que o mercado ainda valoriza seu automóvel? David Beckham responde a essa com um sonoro sim. Afinal, o famoso meio de campo inglês, que atualmente joga pelo Los Angeles Galaxies, tem mais um dos seus bólidos lançado no mercado de usados. Trata-se de um Porsche 911 Turbo Cabriolet 2008, que recebeu um estilo, por assim dizer, excessivo. Todo pintado em preto fosco, inclusive as películas dos faróis, o conversível foi vendido pelo site de leilões virtuais eBay no dia 14. O preço de US$ 217 mil, equivalente a R$ 362 mil, prova que o nome do dono tem peso, afinal, um 911 Turbo do mesmo ano é vendido no mesmo portal por menos da metade deste valor. Será que ter pertencido a um famoso é o suficiente para justificar preços exorbitantes?
(foto: Checkered Flag/Divulgacao )
(foto: Checkered Flag/Divulgacao )


VERDINHAS Quem responde à questão é o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que colocou a leilão, em dezembro, o seu antigo, porém cumpridor, Peugeot 504 1977, pedindo apenas US$ 1 milhão, cerca de R$ 1,6 milhão. Proposta que, aliás, teria sido feita prontamente por outra nação islâmica. A ganância é por uma boa causa: o arrecadado será investido no programa de habitação popular do país. Segundo o ministro do Bem-Estar e da Previdência, Ahmad Esfandiari, a última oferta até o dia 15 teria sido de US$ 2 milhões. Tem até site o leilão: www.ahmadinejad-car.com.

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