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Estado de Minas EMISSÃO ZERO

Vrum experimenta o elétrico Nissan Leaf pelas ruas de BH

Dirigimos o hatch japonês 100% elétrico que provou que o 'para e anda' urbano só lhe faz bem, já que as desacelerações e frenagens recarregam a bateria


postado em 27/11/2011 09:13 / atualizado em 27/11/2011 09:44

(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)

Um sonoro e límpido tique-taque é o som que ouço, vindo da máquina do relógio em meu pulso. Estou dentro de um carro elétrico que, mesmo ligado, não emite qualquer ruído. É manhã de quinta-feira e nossa missão do dia, entre outras, é “experimentar” o Nissan Leaf, hatch 100% elétrico lançado em 2010 no Japão, Estados Unidos e Europa. A autonomia (média!) de 160 quilômetros revela sua vocação de urbanoide. O Leaf sobra em seu hábitat, natural, a urbe, mas não pode encarar com tanta confiança uma estradinha, pelo menos até o país ter alguma estrutura para recarga rápida da bateria.

O azul oceano da unidade cedida para o teste, umas das cinco cores disponíveis, cola bem com a proposta ecológica do veículo de emissão zero (não procure o escapamento!). O ar futurista fica por conta apenas da alavanca de câmbio, uma espécie de joystick. E ainda bem, já que tecnicamente o elétrico é uma realidade presente.

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Com a chave do tipo presencial no bolso, pressiona-se um botão na maçaneta para abrir a porta. Com a chave ainda no bolso, basta pisar no freio e apertar um botão no painel. Pronto, o carro está ligado. O silêncio é a palavra de ordem. Num movimento preciso na inédita manopla de câmbio, a posição Drive está engatada. Com os cintos de segurança afivelados, não é preciso apertar o botão para liberar o freio de estacionamento. E mais, sem eles o carro nem arranca. Pronto, agora é só acelerar e frear. Logo é possível notar que toda a força do carro está disponível quase de imediato, não precisando subir o giro do motor.

Modelo de linhas modernas, com formas aerodinâmicas na frente e lanternas ousadas na traseira(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Modelo de linhas modernas, com formas aerodinâmicas na frente e lanternas ousadas na traseira (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)


DISPOSIÇÃO Tanta disposição chega a ser desperdício no trânsito travado da cidade. É aí que entra o modo Eco, também acionado pelo comando do câmbio, que contém o ímpeto de respeitáveis 28,5kgfm de torque e regulares 107cv de potência. Assim que esse modo é acionado, a tela central, que, entre outras informações, exibe a autonomia do veículo, atualiza o valor, ganhando mais quilômetros a serem rodados.

PERDAS E GANHOS
Passo a observar a autonomia do hatch crescer quilômetro por quilômetro no para e anda do Centro da cidade, fruto do trabalho do próprio motor, que faz as vezes de gerador quando tiro o pé do acelerador ou freio. Explorando mais as informações fornecidas pela tela central, me surpreendo ao ver num gráfico que a frenagem gera muito mais energia que apenas deixar o veículo na inércia. Ao rodar com o carro e ganhar quilômetros, parece que alguém finalmente viabilizou o moto-contínuo. É como se você estivesse rodando com seu carro e ali no tanque o combustível fosse se perpetuando.

Visor digital demonstra o consumo instantâneo e a autonomia do carro(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Visor digital demonstra o consumo instantâneo e a autonomia do carro (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)


Sai a manhã e o limiar da tarde traz consigo o calor. Enquanto eu andava maravilhado com o moto-contínuo, como o Tio Patinhas nadando em sua caixa-forte, aciono o ar-condicionado. Imediatamente, caio das nuvens e vejo a autonomia atualizar a nova condição, perdendo 27 quilômetros. Outro gráfico mostra o quanto os sistemas elétricos do carro estão “roubando” da bateria de íons de lítio. A partir daí, passo a não acumular quilômetros e a autonomia vai caindo normalmente.

RECARGA O ponto de recarga fica guardado na frente do veículo, protegido por uma portinhola. Os cabos ficam organizados num estojo, no porta-malas (que tem bom espaço, diga-se de passagem). Para uma recarga completa na bateria, em uma tomada de 220V, são necessárias oito horas. Para carregar usando uma rede elétrica de 110V seria muito demorado, cerca de 18 horas. O investimento num ponto de recarga de 440V “encheria” a bateria por completo em apenas quatro horas. Mas é possível fazer recargas parciais, recurso que não deve ser usado com frequência, para não comprometer a autonomia da bateria, que tem garantia de oito anos ou 160 mil quilômetros.

Detalhe futurista é a alavanca de câmbio, semelhante a um joystick(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Detalhe futurista é a alavanca de câmbio, semelhante a um joystick (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)


O modelo é construído com 99% de materiais recicláveis. Tecidos e alguns acabamentos são feitos com materiais reciclados. Faróis e lanternas em LED consomem metade dos similares convencionais. Um painel fotovoltaico, localizado no aerofólio, alimenta uma bateria convencional de 12V, usada para acionar equipamentos como os faróis e luzes internas. Quando houver infraestrutura para veículos elétricos, o navegador poderá mostrar a área de alcance da autonomia do carro e as estações de recarga mais próximas. O preço do Leaf nos Estados Unidos, sem incentivos do governo, é de US$ 32.700.

(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)

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