Se você vem dirigindo seu automóvel e vê um pedestre parado no passeio, dá para perceber facilmente se ele está ali esperando um ônibus ou táxi ou se vai atravessar a rua, correto?
Mas é problema para os engenheiros que desenvolveram o novíssimo Mercedes Classe S, o mais sofisticado da marca da estrela de três pontas e apresentado na Alemanha no fim de maio. Aliás, se o lançamento de qualquer Mercedes é um capricho só, imaginem quando se trata de seu topo de linha e a empresa, pouco modesta, ainda alega ser o melhor automóvel do mundo. Mas, vamos e venhamos. Se não é, está muito próximo...
Para sua apresentação, a Mercedes pediu emprestado à Airbus sua fábrica nas proximidades de Hamburgo e construiu um auditório para o evento. Convidou centenas de jornalistas, políticos e empresários de todo o mundo para uma festa irreparável. Para a chegada triunfal do novo carro, as enormes paredes no fundo do anfiteatro deslizaram e surgiu o Classe S descendo de um Airbus. Sobrou pompa e circunstância.
O novo carro é - segundo Dieter Zetsche, presidente da Daimler - um marco na história do automóvel autônomo, o tal que dispensa motorista. Aliás, atualmente, marca muito mais presença na indústria automobilística o engenheiro especialista em informática que o especializado em mecânica.
O Classe S é tão sofisticado que tem câmeras sob o chassis que "enxergam" o asfalto à frente e preparam a suspensão para reduzir o desconforto provocado por irregularidades. Outras câmeras, radares e sensores óticos dirigem no trânsito urbano, posicionando o automóvel corretamente nos congestionamentos, estacionando em vagas, freando para pedestres e respeitando os semáforos. Ou levam o carro a 200km/h na estrada evitando obstáculos, fazendo curvas, reduzindo a velocidade quando necessário e não permitindo a mudança de faixa caso venha outro veículo um pouco atrás. Além da eletrônica controlando toda a mecânica, segurança, informação e entretenimento, o novo Classe S tem sofisticações internas que fazem uma poltrona de primeira classe no avião passar vergonha. Os pequenos compartimentos para copos ou xícaras são capazes de mantê-las quentes ou geladas. O sistema de massagem no banco traseiro simula o de pedras quentes. Nele, o encosto é reclinável e sobe um apoio para o pé que quase o transforma em cama.
É tanta parafernália eletrônica que vem logo a pergunta: "Mas ainda é necessário o motorista atrás do volante?". A resposta dos especialistas é positiva, e explicam que, infelizmente, os computadores ainda não têm a capacidade de prever se o cara parado na esquina está esperando o táxi ou vai atravessar a rua....