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Estado de Minas FOI BOM ENQUANTO DUROU

Volkswagen Polo, Pajero TR4 e outros saem de linha sem deixar sucessor

Desinteresse e concorrência costumam ser fatais para carros que saem de linha sem sucessor. VW Polo, Pajero TR4 e segmentos como os do multiuso compõem obituário nacional


postado em 08/07/2015 10:00

Repleto de predicados, Polo ficou parado no tempo e cedeu passagem a compactos menores(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 24/9/09)
Repleto de predicados, Polo ficou parado no tempo e cedeu passagem a compactos menores (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 24/9/09)

Dois carros que abriram mercado nos respectivos segmentos, Volkswagen Polo (hatch e sedã compactos) e Mitsubishi Pajero TR4 (utilitário 4x4) deixaram de ser fabricados no Brasil entre o fim de 2014 e o início do ano. E sequer terão substitutos. A discreta saída da dupla compõe uma ingloriosa e já longa lista de modelos no país que deixaram as concessionárias para ficar definitivamente na memória dos donos A justificativa normalmente dada é o volume de produção – exceção à dupla Fiat Mille e Volkswagen Kombi, que vendia muito bem, mas foi forçada à aposentadoria por não ter como atender à exigência legal de airbags duplos e freios ABS. Por trás do insucesso de determinados carros e segmentos – caso das peruas, multiusos e picapes grandes –, por outro lado, há razões que vão além do mero desinteresse do consumidor.

 

“Duas questões levam à perda de representatividade de segmentos e por consequência a carros sem substitutos no mercado. Uma é a ascensão dos SUVs, que surgiram na década de 1990 e ganharam força de 2000 em diante. A outra é a evolução dos sedãs médios, o que também rouba vendas de modelos familiares como peruas e multiusos”, afirma o gerente de desenvolvimento de negócios da Jato, consultoria especializada no setor automotivo, Milad Kalume.


Kangoo, da Renault, não emplacou, bem como os %u201Ccolegas%u201D Citroën Berlingo e Peugeot Partner(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 24/9/08)
Kangoo, da Renault, não emplacou, bem como os %u201Ccolegas%u201D Citroën Berlingo e Peugeot Partner (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 24/9/08)


O executivo sustenta que a imponência dos utilitários-esportivos transmite uma imagem de segurança ao consumidor, além do maior valor agregado. Por isso, impactariam tanto no mercado brasileiro. “Os SUVs também depreciam menos que as peruas. A sensação de dinheiro no bolso é maior na hora da venda.” A teoria faz sentido se analisarmos os últimos lançamentos no Brasil: enquanto as peruas perderam representantes com o fim de linha de Toyota Corolla Fielder, Renault Mégane Grandtour e Peugeot 207 SW, e os multiusos sem Citroën Berlingo, Renault Kangoo e Peugeot Partner nas configurações de passageiros, os utilitários compactos ficaram mais diversificados com a chegada do Jeep Renegade e Honda HR-V. Isso sem contar o crossover Peugeot 2008.


Kalume descarta queda de representatividade entre as picapes, embora a Ford (com a Courier e a F-250) e a Peugeot (Hoggar) tenham desistido do segmento e só haja a norte-americana Ram 2.500 (a R$ 184.900) entre as grandes. No desenvolvimento da atual geração da Nissan Frontier, ficou de fora a configuração cabine simples – o motor a gasolina já saiu de cena. “As picapes médias e grandes tiveram diminuição de mercado. As pequenas, como Fiat Strada (líder de vendas em março) e Volkswagen Saveiro, vendem muito e ampliaram participação nos últimos anos”, explica. A perspectiva, porém, é inversa para as peruas pequenas. “Acho difícil segmentos como este se recuperarem, a não ser por nichos que têm presença.”

Ford desistiu das picapes pequenas e grandes com o fim de linha da Courier (foto) e F-250(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 8/8/07)
Ford desistiu das picapes pequenas e grandes com o fim de linha da Courier (foto) e F-250 (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 8/8/07)


CAMINHO INVERSO
Enquanto segmentos como os dos hatches, sedãs e SUVs compactos quase dobraram de tamanho de 2010 em diante, outros como os dos MPV (multiusos e minivans) compactos amargam queda (ver quadro). No caso do VW Polo, que continua sendo produzido na Europa em nova geração, pesou a idade (foi lançado no Brasil em 2002) e a concorrência interna. A Volkswagen já comercializava os hatches up!, Gol e Fox, além do Voyage, entre os sedãs compactos. Situação parecida à do Chevrolet Sonic, situado acima de Celta e Onix e que deixou de ser importado do México em setembro do ano passado pela baixa procura, diante da preferência do consumidor pelo Tracker – uma vez que a cota de importação é limitada.


Antes de decidir tirar o Pajero TR4 de linha no Brasil, a Mitsubishi afirma que buscou e colocou em prática todas as opções possíveis, sem medir esforços. O jipinho foi lançado como Pajero Io no Japão e na Europa no fim da década de 1990, mas já havia saído de cena lá fora há anos. Não teve sucessor. A produção no Brasil começou em 2003 e somou cerca de 100 mil unidades.

 


SUBIU NO TELHADO
Vendas são indicativo de permanência no mercado:

- (em queda)
MPV (multiusos e minivans) compactos
2010 134.732 unidades vendidas
2011 138.220
2012 129.425
2013 101.849
2014 101.169

SUV médio
2010 97.776
2011 114.070
2012 106.802
2013 80.911
2014 89.857

Picape grande
2010 2.590
2011 2.649
2012 1.660
2013 1.013
2014 319

+ (em crescimento)
SUV compacto
2010 69.319 unidades vendidas
2011 75.787
2012 114.048
2013 147.282
2014 150.911

Hatch compacto
2010 476.330
2011 490.832
2012 590.502
2013 776.690
2014 696.604

Sedã compacto
2010 159.957
2011 171.483
2012 309.479
2013 350.872
2014 334.201

Fonte: Consultoria Jato Dynamics

 

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