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Estado de Minas VIA MOTORS

Ministério Público investiga agência suspeita de lesar compradores de carro zero

Loja instalada em imóvel chamativo na Avenida Cristiano Machado não abriu as portas esta semana. Enquanto MP investiga, Polícia Civil prende e juíza solta


postado em 11/07/2015 11:00 / atualizado em 13/07/2015 13:11

(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

Depois de prometer agir, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou procedimento administrativo para investigar a Via Motors. A agência multimarcas de Belo Horizonte é acusada desde fevereiro do ano passado de vender carros zero-quilômetro de entrada – como Chevrolet Onix, Fiat Palio e Hyundai HB20 – em condições atrativas e não entregá-los, postergando os veículos ou a devolução do valor por meses. O procedimento é considerado pelo MP a segunda etapa da investigação, que pode resultar em multa, sanções administrativas ou suspensão de funcionamento caso fique comprovada má-fé e golpe na atuação da empresa. Pelo menos nove reclamações de clientes, que alegam ter sido lesados, foram registradas no site e ouvidoria do MP nas últimas duas semanas, dando subsídios à apuração, coordenada pelo promotor de Defesa do Consumidor, Amauri Artimus da Matta. Novos relatos serão incluídos no procedimento administrativo. Instalada em imóvel chamativo na Av. Cristiano Machado, onde destaca o slogan “o zero km mais barato do Brasil”, a agência está fechada desde segunda-feira.


Conforme publicou o Estado de Minas em 27 de junho, Matta prometeu ajuizar ação civil pública para cobrar da Via Motors soluções para os casos. Menos de uma semana depois, no dia 3, sete funcionários da empresa foram presos pela Polícia Civil suspeitos de participar de crime de estelionato. Eles foram ouvidos e em seguida liberados.


Na mesma semana, a 1ª Delegacia de Defesa do Consumidor (Decom) solicitou à Justiça a prisão preventiva de George Flores Alkimin e Ana Carolina Trindade, que se apresentaram à polícia como representantes legais da agência, registrada em nome de Cláudio Anderson Trindade e Kelly Cristiane Trindade – irmãos de Ana Carolina. A solicitação foi apreciada favoravelmente pelo MP, mas acabou indeferida pela juíza da Vara de Inquéritos Policiais, Adriana de Vasconcelos Pereira. Procurada para dar explicações, Adriana não foi localizada. A assessoria do Fórum Lafayette se limitou a dizer que o inquérito é sigiloso e segue em segredo de Justiça. Apesar da negativa, as investigações continuam. Somente na Polícia Civil, a Via Motors acumula mais de 50 inquéritos em três delegacias da capital por crime de estelionato e lesão ao consumidor.


Enquanto o poder público não define uma solução rápida para o caso, o fechamento inesperado da Via Motors aumentou o clima de insegurança e incerteza entre quem pagou ou deixou o carro usado na troca e não recebeu o zero-quilômetro conforme prometido. Dezenas de consumidores se reuniram em grupos no aplicativo de conversas WhatsApp para acompanhar o andamento do caso. Residente em Pará de Minas (região Centro-Oeste de Minas), o empresário Fernando Duarte procurou a empresa para comprar um Hyundai HB20 em nome da noiva, Tatiana Maia, em maio do ano passado. Desembolsou R$ 18.900 à vista e repassaria um Chevrolet Celta 2012 na troca, mas desconfiou da demora e desistiu de dar o usado. “Desde então, dão sucessivas desculpas para os atrasos. Procurei o advogado da Via Motors e ele me disse que o dono da empresa não paga nem os honorários dele”, desabafa. Em outubro do ano passado, Fernando registrou ação de pequenas causas em Pará de Minas. Desde então, o processo vem se arrastando na Justiça. Fernando pretende acionar agora o MP.

APITAÇOS As denúncias sobre a atuação da agência ganharam força nas últimas semanas, com novos consumidores alegando ter sido lesados e sucessivos apitaços na porta da empresa, localizada logo após a saída do túnel da Av. Cristiano Machado. Representante legal da Via Motors, George Flores Alkimin tem sociedade em outros nove negócios nos ramos de empréstimo, cobrança e financiamento, todos com ordem judicial de penhora datada de março de 2010, de acordo com a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg). Esposa de George, Ana ainda figura como sócia em sete das empresas.
Além dos inquéritos na polícia, MP e reclamações no Procon, a revenda soma outras dezenas de queixas na internet, principalmente no site Reclame Aqui. George e Ana Carolina não retornaram os contatos da reportagem. E na Via Motors ninguém atendeu as ligações.

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