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Estado de Minas POLÊMICA

'Não vamos fazer nada precipitado', diz diretor do Denatran sobre cadeirinhas

Diretor do Departamento Nacional de Trânsito afirma que não se afobará em relação aos escolares, sob pena de ter que recuar e adiar resolução


postado em 08/08/2015 11:10 / atualizado em 12/08/2015 18:15

Categoria protestou contra a padronização neste sábado (08), em Belo Horizonte(foto: Leandro Couri / EM / D.A Press)
Categoria protestou contra a padronização neste sábado (08), em Belo Horizonte (foto: Leandro Couri / EM / D.A Press)
Depois da publicação da reportagem em que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) afirmava, em nota, que os cintos de segurança de dois pontos poderiam ser adaptados para três pontos, para a instalação de cadeirinhas (e outros dispositivos de retenção infantil) nos veículos destinados ao transporte escolar, o diretor do órgão e presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), Alberto Angerami, garantiu que não deixará que sejam feitas gambiarras, comprometendo a segurança das crianças.

Ele garante que muitos estudos estão sendo feitos no sentido de se obter uma maneira segura para a instalação das cadeirinhas nas vans, até que a indústria automotiva ofereça os cintos de três pontos. Uma delas é a tentativa de criar uma solução para instalar os equipamentos nos cintos de dois pontos, o que ainda não é possível, pois no Brasil não são comercializados dispositivos de retenção infantil apropriados para cintos de dois pontos. Confira os principais tópicos da entrevista de Angerami.

HISTÓRICO

“Em 2008, foi editada a Resolução 277, com as determinações de uso dos equipamentos de retenção para crianças. Mas ela deixou de lado (artigo 1º/parágrafo 3º) veículos como ônibus, táxis, os de peso bruto total superior a 3,5t e os escolares. Essa resolução passou a valer de fato em 2010. Mas, desde que foi editada, começou a haver críticas de entidades de proteção à criança, ONGs e até internamente, devido a essas exceções. O pensamento era: os pais transportam com zelo seus filhos nos automóveis, mas, quando são levados pelos escolares, não existe o mesmo zelo. Bom, eu assumi o Denatran e, consequentemente, a presidência do Contran em março deste ano. Estudei todas as resoluções que estavam pendentes, e uma era essa. Então, editei a Resolução 533, que tira os escolares das exceções da 277. O prazo para entrar em vigor é 1º de fevereiro, porque já havia estudos sobre como ficariam nos escolares esses equipamentos. Estudos que ainda estão sendo realizados. Eu me valho dos meus técnicos, engenheiros, da Anfavea (associação das montadoras), do Inmetro. Todas, entidades que dominam o assunto e que dão sua colaboração”.

GAMBIARRAS

“Os estudos estão muito avançados. Não tem nada disso de transformar cintos de dois pontos em cintos de três pontos. Inclusive, já disse à minha equipe, após a publicação da sua reportagem (edição da última quarta-feira), que assuntos técnicos devem ser tratados pelos nossos técnicos. Eu sou bastante humilde para recuar, se necessário. Mas os estudos estão adiantados.”

Categoria protestou contra a padronização neste sábado (08), em Belo Horizonte(foto: Leandro Couri / EM / D.A Press)
Categoria protestou contra a padronização neste sábado (08), em Belo Horizonte (foto: Leandro Couri / EM / D.A Press)
CINTOS DE TRÊS PONTOS

“Perguntei aos fabricantes das vans sobre a possibilidade de se oferecerem os cintos de três pontos. A Anfavea disse que é possível, mas isso demoraria uns dois anos. Veja, o governo tem 40 ônibus para o programa Caminhos da Escola. Todos também com cintos de dois pontos. Não quero faz de conta. Isso não é do meu feitio. Estou visando o bem do cidadão. Já disse que quem está mal-intencionado que não me procure. Nossa obrigação maior é preservar vidas. Pode ter certeza de que o assunto está sendo analisado por pessoas competentes. A solução encontrada será a melhor possível para garantir a segurança nos carros escolares.”

NEGOCIAÇÃO

“Desde a publicação dessa resolução, já recebi 21 associações de classe. Já disse a eles que não quero impor sacrifício desmedido. Mas quero que se conscientizem de que a integridade das crianças é fundamental para nós. O Brasil é muito complexo. Há diferenças brutais de uma região para outra. Crianças sendo transportadas nos paus de arara, como tem sido mostrado. É muito complexo. Temos essa noção. Estou fazendo de tudo para que o órgão tenha credibilidade. Não quero que seja dado um jeitinho brasileiro.”

ESTUDOS

“Descartei há pouco o que foi feito no Uruguai. Lá, houve um problema semelhante. A maioria da frota de escolares é de Mercedes-Benz Sprinter. E trocaram os bancos, que são especiais. Foi instalado um banco alto, com cinto de três pontos e toda a segurança. Mas o custo é muito alto. Cada banco custa 300 dólares. Por aqui, até agora, o que está mais avançado, o mais factível até que os veículos possam ter os cintos de três pontos de fábrica é encontrar uma maneira correta de instalar esses equipamentos de retenção nos cintos de dois pontos. Mas só vamos fazer isso se ficar provado que será garantida a segurança às crianças. Como já disse, prefiro recuar a um prazo maior até as vans terem os cintos de três pontos a ter que fazer de qualquer jeito.”

EXCEÇÕES DAS EXCEÇÕES

“Vamos corrigir essa falha (pela Resolução 277, os veículos sem cinto de três pontos podem transportar crianças somente no cinto de dois pontos, sem cadeirinhas) com uma nova resolução. O nosso departamento jurídico está examinando para ver como fazer isso de modo que não deixe nenhuma dúvida.”

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